Ageuniara

Novos emojis buscam incluir deficientes no mundo digital

Por: RICARDO FERREIRA DE BARROS

03/05/2018

A Apple pretende incluir em sua plataforma emojis que representem pessoas com deficiência física. Emojis são figuras que representam emoções e reações físicas, como sorrisos, choros e outros sentimentos humanos. A iniciativa da Apple tenta fazer com que outras plataformas, como Android (Google) e Windows (Microsoft), também empreguem essas imagens em seu sistema.

A empresa espera que as 13 novas imagens entrem no sistema a partir de 2019,  assim que a proposta, feita ao Unicode Consortium, seja aprovada. Esse consórcio é a instituição que regulamenta e autoriza a circulação dos emojis.

Para a empresária Eliana Silvestre, de Araraquara (SP), que atua no segmento de produção de roupas íntimas, esses novos emojis prometem ampliar a inclusão de pessoas com deficiência física no mundo digital. Eliana comenta que “toda a atenção especial com os deficientes físicos, se bem aproveitada, é de muita utilidade”.

Só dá empresa estar pensando em ter a iniciativa de inclusão dos deficientes é um ganho, avalia Eliana . O mercado tecnológico adota uma visão fechada ao desenvolver algo, segundo Eliana.  Ela própria portadora de sequela física em consequência de paralisia infantil, considera que o fato de existir muitas leis visando proteger as pessoas com deficiências não garante proteção real. No dia a dia, constata, algumas dessas leis não são cumpridas.

Como exemplo de dificuldade cotidiana, Eliana cita os detetores de metal das portas giratórias das agências  bancárias. Como precisa de muletas, nunca consegue entrar sem que o fiscal libere o equipamento. Isso causa constrangimento e, por essa razão, desistiu de ir a bancos e passou a utilizar exclusivamente o meio digital ao acessar suas contas.

Acessibilidade precária em lojas e órgãos públicos também é listada como dificuldade pela empresária. Isso acaba desestimulando pessoas com deficiência a se locomoverem pela cidade. O problema também ocorre nas vagas de estacionamento destinadas a pessoas com deficiência, quase sempre ocupadas por quem não necessita porque não há fiscalização adequada.

Eliana também é diretora da UDEFA (União dos Deficientes Físicos de Araraquara) e relata que a maioria das empresas procura a associação para preencher cotas pois buscam um deficiente que não possui deficiência. Em muitos casos o deficiente encontra dificuldades que o impedem de realizar o trabalho, seja por falta de acessibilidade ou pela inexistência de equipamentos adaptados às suas limitações.

O designer e gestor de marketing Brício Loureiro, de Araraquara, acha que os emojis não vão influenciar esse quadro de dificuldades, mas ressalta a importância de instituições que atuam para melhorar as condições de vida das pessoas com deficiência. Cita ONGs como o Teleton, ACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) e outras que prezam por essa inclusão. “Acredito que não vai mudar muita coisa, pois o Brasil não está preparado para essa inclusão”, opina Loureiro. O designer não vê como emojis com figuras específicas podem ajudar na mudança das dificuldades vividas pelas pessoas com deficiência.

No seu dia a dia, Loureiro utiliza órteses para digitar e cita que alguns recursos do próprio sistema Windows facilitam a interação com o computador. “As redes e sites não possuem dispositivos para a acessibilidade e, sim o próprio Windows ou programa que você estiver utilizando”, constata.

Em redes sociais como Facebook existem muitas páginas voltadas a inspirar pessoas com deficiência, mantidas por palestrantes e escritores como Marcelo Rubens Paiva, um cadeirante.



Destaques:

Reportagens recentes:

Todas as reportagens

Reproduzir o conteúdo do site da Uniara é permitido, contanto que seja citada a fonte. Se você tiver problemas para visualizar ou encontrar informações, entre em contato conosco.
Uniara - Universidade de Araraquara / Rua Carlos Gomes, 1338, Centro / Araraquara-SP / CEP 14801-340 / 16 3301.7100 (Geral) / 0800 55 65 88 (Vestibular)
N /ageuniara/