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Processo de Restauração

Em 2025, o quadro da Virgem de la Antigua foi submetido a um amplo processo de conservação e restauro. A iniciativa partiu de Ricardo Arruda Mauro, pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento da Uniara, que coordenou o projeto em nome da universidade.

A restauração foi realizada por Yara Petrella, com base em critérios de conservação e restauro de bens culturais, a partir de um diagnóstico técnico detalhado do estado da pintura e da moldura.

Para a restauração do quadro da Virgem de la Antigua, a Uniara confiou a obra à restauradora Yara Petrella, do Yara Petrella Estúdio de Restauro, em São Paulo.

Yara Petrella é conservadora e restauradora com vasta experiência em bens culturais de grande porte e relevância. Foi, entre outras funções, conservadora e restauradora do Museu Paulista da USP, tendo coordenado o restauro do célebre quadro "Independência ou Morte" (1888), de Pedro Américo, por ocasião da reabertura do Museu do Ipiranga para o bicentenário da Independência do Brasil. A obra monumental, de 4,15m x 7,60m, passou por um minucioso processo de limpeza e recuperação de cores, permanecendo no Salão Nobre durante o restauro, por ser maior do que as saídas do edifício.

Ao confiar o quadro da Virgem de la Antigua a Yara Petrella, a Uniara buscou garantir que o tratamento da obra fosse feito com o máximo de rigor técnico, respeito à autenticidade histórica e sensibilidade diante do valor espiritual da imagem.

Todo o processo de restauração foi acompanhado por um planejamento cuidadoso de transporte, desde a sala de reuniões da Uniara até o ateliê de restauro e, posteriormente, da cidade de São Paulo de volta à Araraquara.

As principais medidas adotadas foram:

  • Concepção e construção de uma caixa de madeira sob medida para o quadro e sua moldura;
  • Instalação de rodas e reforços estruturais para facilitar o deslocamento com segurança;
  • Aplicação de camadas de espuma e proteção interna, dimensionadas para fixar o quadro sem tensões excessivas;
  • Acompanhamento próximo da equipe da Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento durante o carregamento, transporte e chegada ao campus.

Concluído o restauro e o processo de transporte, o quadro da Virgem de la Antigua foi preparado para ser acolhido de modo definitivo na Capela Universitária Nossa Senhora de la Antigua, tornando-se parte do patrimônio artístico, histórico e espiritual da Uniara.

De acordo com o relatório técnico da restauradora, a obra apresentava os seguintes aspectos:

Tela

  • Sujidade e escurecimento;
  • Grande perda do suporte, próxima à lateral direita inferior;
  • Deformação do suporte;
  • Bordas fragilizadas por perdas do suporte;
  • Craquelados em grande área;
  • Perdas da camada pictórica.

Moldura

  • Sujidade e escurecimento;
  • Danos diversos no acabamento da douração;
  • Diversas rachaduras entre os ornamentos, alguns desprendidos;
  • Verso com diversas faixas de madeira estruturando as emendas dos ornamentos;
  • Tachinhas, pregos e parafusos aparentes e oxidados;
  • Enxertos de madeira em ornamentos.

O trabalho começou com a desmontagem da tela da moldura e a retirada do chassi original, que possuía uma trava horizontal fixa, cantos não ajustáveis, espessura fina e grande acúmulo de sujidade e sinais de umidade no verso.

Foram realizadas a limpeza do verso da tela e da moldura, removendo sujidade acumulada, a extração de um remendo de intervenção anterior, mal adaptado à área do grande rasgo e estruturação do grande rasgo e das perdas do suporte com Beva Tex, planificando o suporte e preparando para a reentelagem.

Em seguida, o suporte foi preparado para a reentelagem: aplicação de Beva 371 no verso da pintura e no tecido de reentelagem, posicionamento da pintura sobre o novo tecido, estirado em chassi provisório e reentelagem em mesa térmica, unindo a tela original ao tecido de reforço.

Após essa etapa, a tela reentelada foi retirada do chassi provisório e fixada em um novo chassi com cantos encaixados, cunhas e cordão, condição ideal para manter o suporte estirado e garantir sua preservação futura.

Na região da grande perda do suporte, na lateral inferior, foi colado um enxerto de tecido de linho, utilizando novamente Beva 371 como adesivo. Esse enxerto teve o objetivo de diminuir a espessura da nivelação necessária.

Sobre o enxerto, foi aplicada Beva Vermiculita, que permitiu nivelar a superfície com um material estável e não rachante, adequado para receber o retoque pictórico. A partir daí, foi possível executar o retoque de forma a recuperar formas e cores na área afetada, restituindo a leitura da cena sem falsificação.

A moldura passou por um processo de conservação e reforço estrutural:

  • Colagem das diversas partes dos ornamentos e das rachaduras;
  • Extração de pregos, tachinhas e parafusos oxidados;
  • Retirada das antigas faixas de madeira no verso, substituídas por faixas de alumínio, garantindo maior estabilidade;
  • Reconstituição de ornamentos perdidos com resina acrílica, moldada e esculpida conforme o desenho original.

Devido aos danos extensos na douração e às numerosas lacunas, optou-se por refazer integralmente as bases e a douração:

  • Extração da douração original remanescente e das bases branca e vermelha;
  • Aplicação de nova base branca;
  • Aplicação de base vermelha com bolo de Armênia;
  • Aplicação de nova douração sobre essa base.

Na pintura, foram realizados:

  • Limpeza com solventes adequados e limpeza mecânica, removendo sujidade e camadas envelhecidas;
  • Fixação da camada pictórica e rebaixamento dos craquelados, tanto quanto possível, sem eliminá-los;
  • Nivelação e retoque cromático das áreas que sofreram perdas, com materiais reversíveis.

O fundo dourado da pintura foi mantido e recebeu apenas nivelação e retoque nos pontos estritamente necessários para a boa leitura da obra. Ao final, foi aplicada uma camada de verniz Regalrez, conferindo proteção e acabamento estético.

O chassi original foi substituído por novo em ideais características: cantos encaixados com cunhas e cordão, garantindo tensão adequada do suporte. Foi executada a reentelagem para eliminar as deformações do suporte e tratar a grande perda causada por rasgo antigo. Sobre o tecido da reentelagem, foi feito um enxerto de linho e nivelação com Beva Vermiculita, material estável e não fissurante. A moldura foi totalmente refeita na sua estrutura: partes coladas, reforço com faixas de alumínio e reconstrução de ornamentos com resina acrílica. Os craquelados foram estabilizados e rebaixados, permanecendo visíveis como testemunhos do envelhecimento natural da obra. O fundo dourado foi mantido, com intervenções pontuais de nivelação e retoque.

Processo de Restauração

Veja como foi a restauração do quadro da Virgem de la Antigua:

 

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