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UNIARA

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Equipe de pesquisadores da Uniara e Unicamp conquistou primeiro lugar no programa de aceleração de tecnologia ASTRo

Publicado em: 19/12/2019

A BioMetals, equipe formada por pesquisadores e docentes da Universidade de Araraquara – Uniara e da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, garantiu a primeira colocação no Applied Science Trail Roche – ASTRo - programa de aceleração de tecnologia desenvolvido pela Roche - com uma tecnologia para tratamento menos agressivo de câncer de pele. Os integrantes do grupo são: Wilton Rogério Lustri e Silmara Cristina Lazarini Frajacomo da Uniara, Carlos Marrote Manzano, Carmen Silvia Passos Lima, Douglas Hideki Nakahata, Pedro Paulo Corbi, Raphael Enoque Ferraz de Paiva e Tuany Zambroti Cândido da Unicamp de Campinas.

Corbi explica que o ASTRo é voltado para a área farmacêutica promovido pela ROCHE e pela Biominas Brasil. “O programa, que durou dez semanas, contava com palestrantes de várias áreas, desde a de mercado até a de jurídico, enfim, é como realmente tirarmos a criação do laboratório e viabiliza-la para o mercado. Foram doze equipes selecionadas do Brasil inteiro. Estávamos lá toda semana e, dentro desse programa, fazíamos entregas de resultados, até que no final a nossa equipe – BioMetals – foi a que teve a maior pontuação com o desenvolvimento de uma tecnologia de tratamento menos agressivo de câncer de pele”, relata.

Silmara, que é docente e doutoranda da Uniara, teve o produto de sua pesquisa - a produção do curativo - utilizado pela Biometals. “Foi muito gratificante, porque é um trabalho de longo tempo. Estou com o professor Rogério desde 2009. São dez anos trabalhando, pesquisando, melhorando e lutando para termos esse resultado. Foi muito bom ver o produto como vencedor juntamente com o pessoal da Unicamp que, como eu, os alunos de mestrado e doutorado estão na luta diária de pesquisa, abdicando de tantas coisas para inovar e ter esse resultado”, orgulha-se.

Nakahata, que é doutorando do Instituto de Química - IQ da Unicamp, conta que participou do processo de desenvolvimento da patente. “Acredito que a participação no ASTRo foi interessante para, principalmente, mudar nosso mindset. Normalmente, ficamos muito focados, desde o início do doutorado, num projeto de ciência básica e, muitas vezes, não olhamos para o que o mercado realmente demanda”, explica.

“Além dessas contribuições, o programa foi interessante para nos inserir em um ambiente bem fora da nossa zona de conforto, no meio de investidores e de pessoas do mercado, que tem uma mentalidade totalmente diferente do que a de um pesquisador”, completa Douglas.

Para Manzano, que também é doutorando do IQ da Unicamp, sob orientação de Corbi, o grande foco durante o programa foi o aprendizado sobre como se comunicar com o mercado, “que era um mundo à parte do nosso, diferente do mundo acadêmico ao qual estamos acostumados”. “Tudo o que aprendemos não vai servir apenas para quem é empreendedor ou para o perfil que eles mostraram, mas também para quem está na área acadêmica. Isso funciona para planejar experimentos. Foram realizadas muitas palestras sobre como manejar o tempo, como fazer reuniões mais eficientes, aspectos da parte jurídica e de regulamentação. Mudei e evolui muito na pesquisa nessas dez semanas”, relata.

Corbi também observou algo interessante, em seu ponto de vista. “Eram poucas instituições presentes. Tínhamos pesquisadores da Universidade de São Paulo – USP, da Unicamp, da Universidade Estadual Paulista – Unesp, da Universidade São Francisco, Universidade Federal do Ceará, e da Uniara. Era um grupo bem seleto de pesquisadores que fizeram parte desse projeto, em que apenas duas universidades particulares foram selecionadas para participarem”, relata.

“Ter apenas duas universidades particulares, em meio as públicas, no programa, mostra como o investimento, principalmente da Uniara, está surtindo efeito, e o mais importante, em um curto tempo. O incentivo da reitoria da Uniara foi um diferencial. A instituição acreditou no nosso projeto e na nossa proposta, montou a estrutura básica para conseguirmos começar a trabalhar. A partir daí, conquistamos financiamentos de agências de fomento como a FAPESP, por exemplo, que hoje mantêm os projetos”, afirma Lustri.

“O investimento é para todas as universidades, seja pública ou privada. A instituição e o pesquisador têm que estar preparados, demonstrando investimentos em uma infraestrutura que permita iniciar os trabalhos de pesquisa e demonstrar o potencial para que você tenha o retorno das agências de fomento, como em nosso caso, da FAPESP e CNPq. Hoje, por exemplo, o Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia - PPGB já formou mestres e doutores em um único ciclo. É preciso ressaltar a importância de se manter esse investimento da instituição, essa valorização do pesquisador. Isso nos motiva a continuar. E não há muitas universidades particulares que investem em pesquisa e pós-graduação. Isso é um diferencial muito forte da Uniara”, complementa Corbi.

A parceria

Lustri ressalta que a parceria da Uniara/Unicamp começou em 2007, quando o Corbi, “que era coordenador de um Projeto de Jovens pesquisadores em Centros Emergentes pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP, na Uniara”. “Começamos a trabalhar juntos.Em 2008, montamos o Grupo de Pesquisa em Química Medicinal e Medicina Regenerativa - QUIMMERA. Em 2009, já estávamos cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq e, no mesmo ano, o Pedro passou no concurso para professor da Unicamp e foi para Campinas. Mesmo assim, continuamos a parceria, com vários trabalhos publicados e interações entre os alunos dos programas de pós-graduação daqui e de lá”, comenta.

O docente conta que, em 2013, começaram a idealizar a montagem/criação do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia em Medicina Regenerativa e Química Medicinal – PPGB-MRQM na Uniara. “Foi quando eu e o professor André Capaldo Amaral, atual coordenador do programa, assumimos essa responsabilidade e começamos a trabalhar com essa parceria. Publicamos artigos científicos em conjunto e promovemos vários intercâmbios entre os alunos das duas universidades. Assim começamos a aproximar a Uniara da Unicamp e vice e versa”, explica.

Lustri afirma que foi durante esse período que deram início ao desenvolvimento da patente do curativo à base de biocelulose. “No desenvolvimento da patente conhecemos o Instituto de Inovação de Campinas - INOVA da Unicamp, e recebemos um convite para participar de uma palestra proferida pela Biominas e pela ROCHE. Como eu e a Silmara estávamos lá, participamos também. Daí veio o interesse da participação no ASTRo, que era só para a Unicamp, mas a nossa parceria permitiu que a Uniara também fizesse parte”, esclarece.

“É importante frisarmos que é um trabalho em equipe, não só das duas instituições, mas de pesquisadores delas, de todo o pessoal que conseguiu viabilizar aquilo que trabalhamos na parte básica, dentro do laboratório, desse curativo que foi desenvolvido durante o mestrado e o início do doutorado da Silmara. Já a equipe do professor Pedro desenvolveu o metalofármaco que tem ação antitumoral. Assim, juntamos os dois e fomos para o teste in vivo”, explica Lustri.

Para Corbi, “o grande diferencial da participação da Biometals no ASTRo foi o fato de serem a única equipe que envolvia duas universidades”. “A professora Carmen e a Tuany, que era sua orientanda de doutorado, foram para a parte in vivo, com a colaboração do professor João Ernesto de Carvalho, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unicamp e com suporte financeiro da Fapesp, que atuaram nos testes in vitro e testes in vivo em camundongos. Foi um trabalho realmente colaborativo”.

Lustri faz questão de mostrar a interdisciplinaridade do grupo. “Isso fez toda a diferença neste caso. Conseguimos colocar não uma ideia, mas sim um produto final, que foi patenteado também com a parceria Uniara/Unicamp. É interessante que trabalhamos mais ou menos com as mesmas linhas e não somos competidores, pelo contrário, somos colaborativos. Esse é o diferencial de tudo. Essas conquistas são frutos desse trabalho em colaboração e não em competição”, afirma.

“Esperamos que isso se fortaleça cada vez mais. Principalmente agora, com esse acordo de colaboração que iremos firmar nos próximos meses. Esperamos que mais pesquisadores possam participar de outros núcleos da Uniara e do Instituto de Química da Unicamp, abrindo as portas das duas instituições para que o acesso seja livre e amplo. Só tem a agregar dos dois lados”, completa Corbi.

A patente

Pedro conta que a patente foi depositada no dia 24 de outubro e que, no dia 25, foi a grande final do programa ASTRo. “Isso que foi bem legal, porque a gente conseguiu mostrar um produto patenteado e a viabilidade dele no mercado, ou seja, mostrarmos o protótipo que foi utilizado nos animais. Essa foi uma experiência bem interessante. Aprendemos muita coisa, não só da parte acadêmica, com as consultorias que tivemos durante o programa, mas também da questão do mercado e de como conversar com ele. Ainda tem algumas etapas que precisamos cumprir, que colocamos em ordem cronológica dentro do próprio programa para que, em breve, consigamos entrar nos testes clínicos em humanos. Essa é uma perspectiva de curto e médio prazo”, relata.

De acordo com ele, a consolidação documental dessa parceria “permitirá desenvolvimento e avanço tecnológico, e troca de experiências entre os estudantes”. “Para a parte acadêmica será bem importante, porque é como o Rogério disse, já trabalhamos juntos há uma década, publicamos muitos trabalhos e coordenamos projetos em conjunto. Mas isso, na verdade, só veio agora a se consolidar com a patente e a participação no programa, que é tão difícil conseguir entrar. Isso mostra como esse trabalho em equipe é relevante. É um programa que mostra que a Unicamp e a Uniara estão conseguindo fazer pesquisa com uma alta qualificação”, completa.

A tecnologia

Segundo Corbi, a ideia era desenvolver um fármaco para tratamento de um tipo específico de câncer de pele não melanoma. “Esse trabalho teve início em 2012, quando o então pós-graduando Raphael de Paiva começou a desenvolver os seus trabalhos. Aí, em 2014, tivemos contato com a Carmen, que é oncologista, e dali em diante começamos a trabalhar mais especificamente nesse metalofármaco, conjuntamente com o Rogério e com a Silmara, que desenvolveram o biopolímero”, conta.

“Com a união desse fármaco e do biopolímero começamos os testes. Os resultados, que já tinham sido bem promissores em estudos in vitro, também foram muito promissores nos estudos in vivo, em animais. Depois disso, houve todo o desenvolvimento do trabalho no ASTRo e a patente. A ideia era desenvolver um metalofármaco para a saúde humana, voltado especificamente para o tratamento de um tipo de câncer de pele. E, com a união dos conhecimentos de cada um, tornar esse curativo eficiente na liberação do fármaco”, esclarece ele.

Lustri explica que, além da atividade antitumoral que o fármaco apresenta, o complexo metálico que Corbi desenvolveu também tem atividade antimicrobiana, “pois esses tumores de pele se tornam regiões expostas, que são passíveis de infecções concomitantes”. “Temos duas funções para garantir que aquele ferimento, que poderia ser um campo para contaminação bacteriana, será resguardado”, afirma.

O mais importante, de acordo com Rogério, “é que os resultados apresentados no ASTRo, nos modelos animais, não tiveram recidiva”. “A recidiva é um problema desse tipo de câncer de pele e normalmente a maneira de se tratar é cirúrgica. Imagina uma pessoa com esse câncer de pele no nariz, vai ‘tirar’ um pedaço do nariz. O diferencial do material desenvolvido foi permitir que o próprio paciente coloque o curativo para tratar da lesão. Isso reduz o tempo de internação”, explica.

O objetivo do grupo é tornar o curativo disponível no Sistema único de Saúde – SUS. “É uma alternativa, hoje, para o tratamento. Esse produto é uma possibilidade de termos uma redução da lesão, diminuindo a área a ser removida ou, até mesmo, quem sabe, eliminar a necessidade cirúrgica. Isso vai depender muito da resposta que teremos do tratamento em humanos, que ainda não testamos”, ressalta Corbi.

Para Silmara, o ponto positivo de utilizar esse método é a forma diferente de aplicar. “O paciente terá uma melhor aceitação do tratamento. O biopolímero que foi desenvolvido permite um tempo maior de liberação desse metalofármaco, o que ajuda o paciente nas trocas periódicas do curativo, que durará mais, o que evita a irritabilidade do local. Os testes, nos ensaios in vitro, mostraram nove dias para a troca. São curativos resistentes a água e moldáveis com o tamanho e formato da lesão, deixando-o mais discreto”, explica.

“Apostamos bastante nessa tecnologia. Estamos na finalização dos estudos pré-clínicos, que faremos com mais uma espécie de mamífero, para depois podermos partir para os estudos em humanos, seguindo muito o que aprendemos no programa ASTRo, que são as normas da ANVISA, regulamentação e tudo o que precisamos para cumprir as etapas que devem ser cumpridas. Não se deve pular nenhuma etapa do desenvolvimento de um fármaco”, finaliza Corbi.

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