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Bioindicadores e restauração ambiental são abordados em seminário na Uniara

Publicado em: 03/12/2019

Na última sexta-feira, dia 29 de novembro, o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente – PPG-DTMA da Universidade de Araraquara – Uniara promoveu o seminário de integração “Insetos aquáticos como bioindicadores de qualidade de ecossistemas de água doce: perspectivas para restauração ambiental”. A atividade foi ministrada pelo professor Hugo Henrique Lanzi Saulino, na unidade I da instituição.

“O principal objetivo foi focar na demonstração de como os insetos aquáticos - um grande grupo dentro dos organismos desse meio, chamado de macroinvertebrados - atuam como indicadores de qualidade de água. São utilizados praticamente desde os primórdios dos anos quarenta para essa finalidade - como respondem às mudanças da qualidade da água, principalmente com a retirada da mata ciliar, e a modificação da entrada de resíduos como o esgoto, nos córregos, o que altera muito a qualidade. Eles praticamente seguem a seleção natural de Darwin, na qual a modificação do ambiente acaba reestruturando a comunidade conforme a qualidade”, explica Saulino.

Ele menciona que os organismos “apresentam uma vantagem frente à utilização das variáveis somente físicas e químicas comumente utilizadas, pois em um rio, como tem mudança de água unidirecional com o fluxo, a variável da água pode ser modificada a qualquer momento”. “Assim, quando o esgoto é lançado de forma inadequada ou clandestina, se um órgão ambiental faz a medição em um momento da manhã – oxigênio e pOH, por exemplo -, quando retorna à noite, com o esgoto já despejado, a qualidade ambiental é alterada”, esclarece.

Se esse órgão ambiental volta a monitorar depois de alguns meses, de acordo com o docente, “vai verificar que esses parâmetros se mantêm variáveis, mas quando estudamos comunidade e como esses organismos respondem a essas variações físicas e químicas no ambiente, como bioindicadores, o padrão da comunidade é modificado, então, o conjunto de espécies que está ali se altera conforme a mudança dessas variáveis físicas e químicas”. “Portanto, é possível inferir a respeito de uma mudança do ambiente que ocorreu em um período de tempo”, reforça.

Ultimamente, segundo Saulino, esses organismos têm sido usados também para monitoração de restauração de ambientes aquáticos “em ecossistemas de água doce, principalmente devido à importância do seu serviço ambiental – pesca, produção de alimento e fornecimento de água à população”. “Os indicadores ambientais macroinvertebrados - em especial, os insetos aquáticos -, podem ser utilizados porque, se existe uma noção de que restaurar o ambiente, com proteção de florestas, locais de coleta adequada de esgoto e não lançamento de produtos fertilizantes e agroquímicos, eles podem se reestabelecer no ambiente”, afirma.

O professor coloca, no entanto, “que a biologia desses animais mostra que existem outros fatores, principalmente de composição da paisagem, que vão depender do sucesso de restauração, em comparação a um local restaurado, para verificar sua viabilidade”. “No seminário, discuti esses desafios e também quais são as outras propostas de gestão, especialmente de recursos hídricos em locais impactados, principalmente em áreas muito urbanizadas, para que essas comunidades de insetos aquáticos possam ser cada vez mais semelhantes às de locais preservados, o que indicaria uma maior qualidade ambiental”, aponta.

Em relação à importância ecológica, Saulino lembra também que esses organismos servem de fonte de alimento e base alimentar para diversos outros grupos maiores, como os peixes. “Ao mesmo tempo, são importantes para a ciclagem dos nutrientes no ecossistema de água doce. Assim, com toda a entrada de fonte, como folhas que caem da mata ciliar dentro da água, acabam ciclando essa matéria, juntamente com outros organismos como bactérias e fungos, e dando continuidade e uma certa participação na fertilização do sistema, que vai dar sequência a cadeias tróficas seguintes”, diz.

Muitos desses animais, “como têm a fase adulta terrestre, ou seja, têm fases larvais, tornam-se adultos, vão para a superfície e acabam mantendo uma rede de cadeia alimentar com o ambiente terrestre”. “Então, servem de alimentos para outros insetos terrestres, como sapos, aranhas e outros animais menores, por exemplo, além de manterem uma conexão do ambiente aquático com o terrestre, e isso acaba refletindo diretamente na saúde e na qualidade ambiental dos sistemas”, finaliza.

Informações sobre o PPG-DTMA da Uniara podem ser obtidas no endereço www.uniara.com.br/ppg, pelo telefone (16) 3301-7126 ou pelo WhatsApp (16) 99708-8423.

 

Sobre Saulino

Possui graduação em Ciências Biológicas pela Uniara (2009) e mestrado e doutorado em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar (2012/2017). É pesquisador vinculado ao Departamento de Hidráulica e Saneamento - SHS da Escola de Engenharia de São Carlos – EESC/USP. Atualmente atua em pesquisas com insetos aquáticos e macroinvertebrados, com ênfase em ecologia e conservação de ecossistemas de água doce.

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