Ageuniara

Moradores adotam praças abandonadas pelo poder público

Por: TALISSA FÁVERO GOUVÊA

23/09/2016

“A Praça das Bandeiras sempre foi nosso espaço de lazer. Nasci nas imediações do bairro, cresci aqui e a praça sempre foi usada para brincar, conversar. Após minha juventude, a praça foi tomada pelo tráfico e acabou virando o caos”. É assim que Isabel Bozutti, professora aposentada, relata como cresceu o descaso com o lugar público. Felizmente, hoje ela é uma das participantes da Associação dos Amigos da Praça das Bandeiras, um projeto criado para manter a praça e torná-la um espaço de cultura, lazer e entretenimento.

Edineusa Francisco dos Santos, presidenta da Associação, afirma que o projeto iniciou em 2008 e, desde então, a praça tem eventos culturais semanais. “Fazemos festa junina, promovemos o folclore, temos shows aos domingos, cinema na praça. Pra mim, é um orgulho muito grande ver o abandono que era e hoje, ver nossos eventos atingindo todos os públicos. É satisfatório ver que os eventos puderam trazer de volta até mesmo o convívio social que as pessoas haviam perdido ”.

Hoje, a Associação tem 12 membros voluntários. Sem nenhum respaldo financeiro da Prefeitura, Edineusa conta que a Associação tem patrocinadores que auxiliam na questão financeira e assim, ajudam a produzir os eventos culturais.

Francisco Salles Colturato, proprietário de um bar da redondeza e tesoureiro da Associação, diz que a restauração da praça só trouxe benefícios. “O público do bar mudou totalmente, aumentou a qualidade. É imensurável o lucro nos dias de evento. O bar já virou uma extensão da praça”.

Emerson de Freitas, morador do bairro Jardim América também adotou uma praça pública. Em meados de 2008, ele viu um morador do bairro jogando entulho na praça. Incomodado, começou a limpar o terreno e plantar algumas mudas de árvores. Com o passar dos dias, vizinhos da redondeza começaram a ajudar nos cuidados da praça. “Já plantamos mais de 80 árvores. Inclusive, temos muitas árvores frutíferas e hoje já estão dando frutos.”

Emerson também comenta que está desempregado e, por isso, passa de duas a três horas por dia cuidando das plantas e das árvores. “Cuidar de um espaço público é obrigação de todo morador, pois é onde nossas crianças brincam. Nunca procurei a Prefeitura para fazer a manutenção da praça, sempre fizemos tudo sozinhos. A cidade é toda negligenciada pelo governo.” Ele também ressalta que praças do bairro que não possuem a cooperação dos moradores são frequentemente usadas como pontos de esconderijo por usuários de drogas. O mato alto também é uma constante preocupação dele.

O Departamento Autônomo de Água e Esgotos de Araraquara– DAAE é o órgão responsável pela manutenção de praças públicas. O órgão foi procurado pela Ageuniara, porém não respondeu até o fechamento dessa edição.

(Publicado em 30/9/16 - 20h42)

 

 



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