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Politiofeno pode mudar a vida de quem sofre com a degeneração da retina

Por: MURILO CESAR DE ARAUJO ROMANHOLI

29/10/2015

O Instituto de Física de São Carlos (IFSC - USP), em parceria com a Politecnico di Milano, universidade italiana estatal especializada em estudos científico-tecnológicos, vem estudando o Politiofeno, polímero usado em placas solares, como uma alternativa que pode fazer com que pessoas que perderam a visão por conta de degeneração na retina, voltem a ter a sensibilidade à luz. Os testes realizados em animais mostraram resultados satisfatórios após o implante do filme de Politiofeno na retina.

Paulo Barbeitas Miranda, professor do Instituto de Física, afirma que os testes iniciais em animais (ratos e porcos) mostraram que é possível recuperar a sensibilidade à luz com o implante. "Os testes indicam que animais com cegueira induzida são capazes de recuperar sensibilidade após o implante do filme de Politiofeno na retina. Aparentemente o filme  depositado em um substrato de seda é biocompatível e não foram observados problemas como a rejeição do implante pelo organismo", relata.

Sobre os testes em voluntários, o professor diz que é preciso ainda percorrer um caminho longo. "É preciso confirmar amplamente os testes iniciais em animais, verificando a taxa de sucesso da cirurgia em recuperar a sensibilidade luminosa e a possibilidade de complicações secundárias, como infecções e rejeições. Depois disso, precisa-se obter autorização para testes clínicos em voluntários, com acompanhamento de longo prazo para verificar o efeito na visão humana e averiguar a possibilidade de efeitos colaterais", conta Paulo.

 De início, o filme de polímero poderia eventualmente recuperar a visão apenas em casos onde as células fotorreceptoras da retina foram danificadas, deixando intacta a camada de neurônios que leva os impulsos nervosos da retina ao cérebro. "Uma das causas mais comuns desse tipo de cegueira é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), onde ocorre justamente uma destruição gradual dos fotorreceptores da parte central da retina, chamada de mácula. Essa doença é a maior causa de cegueira após os 50 anos e tem um importante componente de predisposição genética dentre as causas da doença", explica Miranda.

O Politiofeno é um polímero com propriedades ópticas e eletrônicas. "Ele absorve luz e pode conduzir eletricidade. Há uma diferença importante entre esse tipo de polímero eletrônico e os plásticos coloridos que vemos no dia a dia. Esses não conduzem eletricidades e sua cor não é intrínseca do polímero. Em geral é obtida misturando-se corantes no polímero transparente. Absorver bem a luz e ser capaz de conduzir eletricidade é essencial para a aplicação do Politiofeno na recuperação da retina", esclarece o  professor.

A respeito do funcionamento do implante, Paulo diz que ele é fundamentado na troca da camada das células. "O funcionamento do implante é baseado na substituição da camada de células degradadas que absorvem a luz na retina (cones e bastonetes) pelo filme de Politiofeno. Esse filme então é capaz de disparar os neurônios na retina, quando uma região do filme é iluminada, assim como faziam os cones e bastonetes antes de estarem degradados", finaliza. 

(Publicada em 6/11/2015 - 20h10)



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