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As conquistas e os desafios do agronegócio brasileiro

Por: FELIPE BENEDETTE CORRÊA

16/09/2015

O agronegócio é a ferramenta principal para o desenvolvimento tecnológico, científico, industrial, econômico e social de muitos países.

No cenário brasileiro, desde a década de 1970 a agricultura familiar ganhou destaque e vem crescendo cada vez mais, apoiada em diversos programas governamentais que facilitaram a vida no campo. As regiões de cerrado, vistas como locais inapropriados para produzir alimentos, tornaram-se campos férteis, principalmente para o cultivo da soja.

De acordo com dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) – Pecuária Sudeste, cerca de 63% do saldo comercial brasileiro vem por contribuição da agricultura, em comparação com os demais setores. O país ficou classificado como o segundo maior exportador agrícola em 2014. O mercado europeu é o principal destino dos produtos brasileiros, o que atesta o reconhecimento da qualidade do que é exportado pelo segmento do agronegócio.

A comunicação e o marketing do agronegócio surgiram devido ao aumento de renda e das mudanças no padrão alimentar da população. As marcas em si influenciam diretamente na percepção de segurança e modernidade dos aspectos qualitativos para a estratégia do negócio agrícola, segundo o jornalista Ronaldo Luís Araújo.

A tecnologia permitiu maior rapidez no plantio e na colheita. A ciência desenvolveu plantas mais precoces, produtivas e de grande resistência a pragas e à seca. É o caso da cana de açúcar que pode ser toda trabalhada antes de ir para o solo e, após o corte, brota e cresce naturalmente sem nenhuma intervenção humana. São estas as características que envolvem o chamado “antes”, “dentro” e “fora” da porteira e que possibilitaram alcançar estas conquistas.

Porém, entre tantos acertos, há um assunto bem delicado a ser tratado: o uso da água. Segundo o pesquisador Julio César Pascale Palhares, da Embrapa, especialista em manejo de recursos hídricos, grande parte da água doce do planeta é utilizada para a atividade rural, principalmente nos países subdesenvolvidos.

A seca no ano passado afetou completamente as safras, sem contar que o estado de São Paulo apresenta apenas 6% de concentração aquífera e que as áreas mais industrializadas e urbanas do Brasil são as que apresentam a menor porcentagem de distribuição de recursos hídricos. Entretanto, tudo o que é produzido no meio rural demanda quantidades elevadas de água, como a carne, as verduras, os legumes, o leite, entre outros produtos de grande importância no consumo humano.

De acordo com o pesquisador Julio Palhares, a melhor solução para se reduzir problemas envolvendo a água é a utilização correta desse recurso natural, pois se não houver gestão, não há soluções. “Não existe o melhor sistema de produção, seja do ponto de vista social ou ambiental. O que determina a viabilidade de um sistema é haver equilíbrio entre o que nós queremos e o que nós fazemos. Eu conheço sistemas orgânicos que são uma ‘bomba’ ambiental, e isso é um problema. Não é o nome que determina o certo, é o que nós fazemos no sistema”, opina Julio Palhares.

Por isso o uso da água pode ser considerado como um dos mais difíceis desafios que o agronegócio irá enfrentar. A falta de estratégia e de gestão adequada no manejo da água, na política comercial, na organização, na comunicação e em outros setores, também pode implicar no agronegócio.

Para Mônika Bergamaschi, presidente da Ibisa e ex-secretária da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o país tem condições de produzir mais alimentos e outros bens com apoio do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária. Por meio do Sistema, empresas, instituições públicas de pesquisas, universidades e organismos financiadores geram pesquisa e tecnologia qualificada e conhecimento, bem como a inclusão social para o pequeno produtor melhorar a qualidade de vida no campo. Todavia, a falta de uma estratégia que leve em conta essas possibilidades é ainda o principal fator que se reflete nas insuficientes condições do mercado brasileiro.

Os estudos populacionais indicam que seremos nove milhões de pessoas habitando o planeta Terra. Para dar conta de alimentar e dar condições de sobrevivência digna a esse contingente, outros desafios se impõem para o futuro próximo. Saídas estão na pesquisa para busca de inovações nos campos da nanotecnologia, da química verde, da biotecnologia, as quais se apresentam em constante crescimento. O Brasil já está se adaptando e aprimorando as tecnologias que vêm desenvolvendo nos últimos quarenta anos, o que representa uma significativa vantagem competitiva em relação a outros países.

(Publicada em 16/9/2015 - 17h37)



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