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O número de mortes de motociclistas no trânsito pode diminuir

Por: ILONÍ KOMMERS BARRIENTOS

12/04/2013

O crescente número de mortes de motociclistas em acidentes pode diminuir com multas maiores e educação.

Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) demonstram um aumento de 35% nos casos de acidentes fatais, entre 2009 e 2011, com motociclistas em Araraquara e região. Aconteceram 361 internações e 50 óbitos em 2011; sendo que, segundo a Polícia Rodoviária, nas rodovias da regional de Araraquara foram somente duas mortes. Por conseguinte, 48 ocorreram nas cidades.

A médica Julia Greve, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, fala, através da pesquisa da SES-SP, que os casos de motociclistas feridos se tornam, com o tempo, mais complexos, pois “os acidentes estão cada vez mais violentos, provavelmente por causa da imprudência e excesso de velocidade”.

No quesito imprudência dos condutores como razão de acidentes, concordam com a ortopedista até alguns dos próprios motoqueiros: “Não dirijo de forma preventiva; tenho pouco tempo para fazer as coisas, tem que ser tudo muito rápido. O cara acaba não obedecendo as leis e corre o risco". E também estão de acordo, as autoridades ligadas ao trânsito na cidade e região.

Polícia e Prefeitura

A 1º Tenente Danielly Priscila Nonis Gouvêa, da Polícia Militar (PM), 3º Batalhão de Polícia Rodoviária, fala sobre várias iniciativas que, inclusive, levaram a resultados contrários às atuais revelações. Segundo a Oficial, houve queda nos acidentes; mas apesar disto, diz que a decisão de cada condutor, cuja “imprudência ainda é muito grande”, está fora “do nosso alcance”.

E assim, na adjacência, vem o subtenente Sttivanato, da Polícia Militar de Araraquara, afirmando que “o jovem não se preocupa com o futuro, não pensa no perigo, não tem medo de nada; além do mais, eles têm muita facilidade para adquirir uma moto, até adolescente compra, se quiser. E sabe, eles não são preparados verdadeiramente nas auto-escolas”.

Antônio Clóvis Ferraz, (Coca), vice-prefeito e Coordenador de Mobilidade Urbana, ainda que não tivesse ciência da publicação da SES, cita outra razão para o aumento dos acidentes: o aumento da frota de motocicletas rodando nas ruas de Araraquara.

Soluções para diminuir mortes

Quanto aos recursos para baixar esse índice de mortalidade, todos acreditam na necessidade de fiscalização rigorosa, com multas elevadas e na educação, a começar, “e principalmente”, pelas crianças, para que haja uma real mudança de comportamento no trânsito. No município, a proposta é reunir o trabalho da Secretaria de Transportes com o da Secretaria de Educação.

A motociclista Paula Cardoso, assim como outros condutores, tanto de carros como de motos juntos com o coordenador Ferraz, acreditam que a fiscalização precisa ser muito mais rigorosa. “O cara vai pensar duas vezes para desacatar a lei e cruzar um farol vermelho, por exemplo, se ele sabe que com muita facilidade, poderá ser pego e assim pagar uma multa que venha a doer no seu bolso”, declara Paula.

Já Sttivanato fala que a fiscalização tem sido rigorosa, no entanto, em sua opinião o valor das multas poderia ser mais elevado. Acredita que a mídia deveria divulgar mais essas vistorias.

Polícia Rodoviária na contramão

A Polícia Rodoviária declara, através da tenente Gouvêa, que independente do relatório da SES-SP, devido a “operações específicas voltadas para cada tipo de acidente e locais onde mais ocorrem”, viu diminuir o número de sinistros envolvendo motociclistas nas rodovias de Araraquara e região entre 2011 e 2012. No período, passaram de 99 para 90 o número de acidentes; e de 86 para 67 os com vítimas. Os casos graves reduziram em 34%, de 12 para 8, ainda que o número de mortes continuasse sendo 2.

Entre as ações da Polícia Rodoviária está a “Operação Cavalo de Aço" (motocicleta) onde são observadas: pendências com relação à documentação do condutor e do veículo, estado geral da moto e infrações cometidas durante a condução”.

A tenente continua: “Há também uma parceria entre o Policiamento Rodoviário e as concessionárias de rodovias em todo o estado. Com o terceiro Batalhão, sediado em Araraquara, se realiza, por exemplo, no pedágio de São Carlos, a ‘Campanha Viva Motociclista’, que conta com enfermeiros e mecânicos. Assim, além da fiscalização e orientação do policiamento rodoviário, é feita uma revisão na moto e verifica-se a pressão arterial, a glicemia e o estado geral de saúde do condutor”.

Sugestões da PM e dos motoqueiros

Em sua opinião, o subtenente Sttivanato crê que as autoescolas deveriam oferecer maior tempo de prática de direção defensiva, condições de o aluno conhecer a motocicleta e os perigos que ela oferece. A legislação poderia exigir um tempo de direção supervisionada antes de permitir que o aluno entre no trânsito sozinho. O estado precisaria criar cursos nas escolas, inserir no currículo escolar uma matéria sobre educação no trânsito. E a Secretaria Estadual da Educação, nesses cursos, aproveitaria os aposentados da polícia de trânsito que transbordam de experiências.

O motoqueiro Antônio Charles Santos sugere que se elaborassem desenhos animados educativos, onde, de forma imperceptível, as pessoas, crianças mais que ninguém, percebessem e valorizassem os riscos de vida, tomassem partido dos “justos” e começassem a agir corretamente no trânsito.

Já Silvano declara que “os próprios motoqueiros acabam sendo responsáveis pelos seus sofrimentos em acidentes”; e recomenda a montagem de uma ‘escolinha’ de trânsito, gratuita, com prática em lugar preparado de forma especial, assim como hoje se tem escolinha de futebol.

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