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Pesquisa prova eficácia do húmus de minhoca para descontaminação do solo

Por: LUIS RONALDO CASTELLI MENDES

05/04/2013

Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Química da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos (SP), mostrou que o húmus produzido pela minhoca, que geralmente é utilizado como fertilizante, é eficaz na descontaminação do solo, podendo absorver elementos como cromo, cobre e chumbo.

Sob coordenação da professora Maria Olímpia de Oliveira Resende, o objetivo principal foi provar a eficácia do húmus para descontaminar o solo com metais. O uso de cromo foi escolhido por se tratar de um produto muito utilizado em curtumes, já o cobre e o chumbo, apesar de serem contaminantes, também são essenciais para as plantas em pequenas quantidades e o intuito era saber a quantidade necessária para cada aplicação estudada. Concluiu-se que vários elementos tóxicos reagem com o húmus.

Muitos metais são prejudiciais ao solo, afetando rios e também a produção agrícola. Por isso, existe uma busca por soluções tecnológicas verdes, que não afetem o meio ambiente.

A poluição do solo pode ocorrer pela contaminação de resíduos industriais ou agrícolas transportados pelo ar, pela chuva e também pelo homem. O uso indevido do solo, emprego de técnicas atrasadas na agricultura, os desmatamentos, as queimadas, o lixo, os esgotos, a chuva ácida, o efeito estufa e a mineração são os principais contaminantes que afetam o solo.

Alguns dos contaminantes mais comuns são o petróleo, pesticidas, herbicidas e mercúrio. A contaminação por petróleo é um problema muito comum e uma forma de combate-lo é a incineração, processo que esquenta o solo a temperaturas muito elevadas e destrói os contaminantes presentes, mas também o próprio solo.

Segundo Maria Olímpia, os resultados desta pesquisa são importantes para que se possa sugerir uma mudança no modo atual de descontaminação do solo, onde os contaminantes geralmente precisam ser removidos com outros poluentes. Por isso, o húmus da minhoca tem ganhado destaque entre pesquisadores, por ser totalmente natural (orgânico) e não agredir o meio ambiente.

A produção do húmus acontece a partir de dejetos orgânicos que a minhoca se alimenta, por meio de uma ação física que acontece no seu trato digestório. O alimento caminha pela moela para ser triturado, separado e misturado com micro-organismos para ganhar mais estabilidade. Daí, depois de expelido pela minhoca, ele fica adequado para uso.

A pesquisa mostrou que a adição de 2,5 gramas de húmus em 7,5 gramas de solo foi capaz de reter 100% dos metais, tanto no solo arenoso como no argiloso.

A capacidade do húmus em reter metais não chega a ser uma novidade entre os pesquisadores. No entanto, a pesquisa realizada pelo Departamento de Química da USP, em São Carlos, provou que o húmus realmente é eficaz na descontaminação de metais no solo. Outra curiosidade é que os elementos tóxicos, juntamente com o húmus, não são solúveis em água, portanto perdem a possibilidade de serem carregados para o lençol freático.

De acordo com Maria Olímpia, a experiência exige um trabalho contínuo para que se possa afirmar novos resultados. “Os estudos vão prosseguir, pois este é um trabalho de remediação relativamente simples e barato, mas não é uma solução milagrosa. O solo tem que ser constantemente avaliado, de tempos em tempos, e requer acompanhamento. A partir dos resultados obtidos com esse trabalho, a meta agora é saber qual a quantidade mínima de húmus necessária para a retenção da mesma quantidade de metais tóxicos usados nessa etapa", avalia Maria.

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