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Doação de órgãos para transplante ainda é baixa em Araraquara

Por: JÉSSICA FERNANDA DAS TABOAS

19/10/2012

Perder um ente querido é sempre muito doloroso. E é justamente nessa hora que a família tem que tomar uma decisão muito importante que pode salvar a vida de outras pessoas: doar ou não os órgãos do familiar.

A Santa Casa de Araraquara é o hospital responsável por identificar pacientes doadores em potencial e dar suporte às famílias. Para isso, criou a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT).

Composta por sete especialistas, a comissão é responsável por, depois de realizar todos os testes e confirmar a morte encefálica, abordar a família para verificar se gostaria que os órgãos sejam doados.

Everton Castro, especialista do setor há mais de quatro anos, conta que no começo teve bastante dificuldade em como abordar família para fazer esta pergunta. Mas, salienta que com o passar do tempo, a coragem começou a surgir e hoje a naturalidade que o especialista deve ter tornou-se parte de sua vida.

Quando a família aprova a doação, o CIHDOTT entra em contato imediatamente com a Organização de Procura de Órgãos - OPO, em Ribeirão Preto. Após receber as informações do CIHDOTT sobre potenciais doadores, ela é responsável por localizar e avisar quais hospitais irão fazer a retirada dos órgãos doados. No mesmo momento, a equipe deixa o centro cirúrgico e o instrumental prontos para que eles venham fazer a retirada.

Para algumas famílias a doação conforta, já que os doadores salvam vidas e, de algum modo, continuam vivos. "Quando os médicos me disseram que meu filho havia tido morte cerebral, não tive dúvidas, realizei o sonho dele e autorizei a doação de todos os seus órgãos. Para mim, ele não está morto, apenas vendo o mundo pelos olhos de outro alguém", conta Marlene Ribeiro Doltrário, de 60 anos, mãe do aspirante a oficial da PM Juliano Salvador Doltrário, morto em uma tentativa de assalto.

Nos últimos quatro anos, foram identificados como potenciais doadores trinta pacientes que tiveram constatada a morte encefálica na Santa Casa de Araraquara. Deste total, oito famílias autorizaram a doação dos órgãos. Apesar de o número estar dentro da média nacional, para a região esse número ainda é baixo devido ao número de pacientes que estão na fila à espera de um órgão.

Atualmente com duzentos leitos credenciados e 186 ativos, o hospital é considerado centro de referência SUS para o nível municipal e regional. A Santa Casa de Misericórdia de Araraquara é uma instituição filantrópica sem fins lucrativos, inaugurada em 25 de fevereiro de 1902, pelo Coronel João Almeida Leite Moraes.

Atualmente, no Brasil, são mais de 70 mil pessoas na fila de espera por um transplante. Para que a pessoa seja um doador, basta que informe a família, pois é ela quem autorizará a retirada dos órgãos.

Já para receber um órgão, a pessoa deve estar cadastrada em uma lista de espera e sua colocação dependerá da gravidade do seu caso e das chances de sobreviver, além da idade.

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