Ageuniara

Educadora esclarece sobre a humanização do parto

Por: ANNA REGINA DAVILLA

12/09/2012

Melhorar o acesso e a qualidade dos serviços de saúde é essencial, e é com esse objetivo que ocorreu no último mês em Araraquara (SP) a marcha pela humanização dos partos.

O evento reuniu cerca de 50 pessoas, dentre elas: mães, bebês, pais e profissionais da área da saúde com o principal objetivo de chamar a atenção para a necessidade de informar a população.

Muito tem sido discutido a respeito dos riscos e ações envolvidos nos procedimentos em gestantes e seus bebês, gerando polêmicas e dúvidas carentes de soluções e esclarecimentos.

Um estudo realizado e recentemente publicado no British Journal of Obstetrics and Gynecology (2009) analisou a mortalidade perinatal e concluiu que um parto domiciliar planejado não aumenta os riscos de mortalidade entre mulheres de baixo-risco, desde que o sistema de saúde facilite esta opção e disponibilize a estrutura necessária.

A educadora perinatal e doula, Cristiane Raquieli esclarece sobre a importância da liberdade de escolha da mulher neste momento. “Em nossa realidade atual, as mulheres não são informadas sobre o processo de parto, o pré-natal não passa de um ato de ler exames, aferir pressão arterial, e medir a barriga. No parto humanizado, mãe e bebê são tratados desde o pré natal, como seres únicos, com histórias diferenciadas. A mulher recebe todas as informações necessárias para ficar tranquila no início do trabalho de parto e aprende como se movimentar e como respirar para manter a calma”, ressalta.

Ela também ressalta que quando a mulher entra em trabalho de parto geralmente é admitida precocemente no hospital ou maternidade e passa por procedimentos protocolares como, por exemplo, a infusão de ocitocina para acelerar as contrações, o rompimento artificial da bolsa para ajudar na descida mais rápida do bebê, comandos para fazer força na hora de expulsar o bebê, episiotomia de rotina, e outras intervenções que fazem parte do “pacote” de parto normal.

Em 2001 o Ministério da Saúde incentivou a abertura de Centros de Parto Normal, onde o ambiente procura o bem-estar das pacientes, além de proporcionar encontros periódicos para informar sobre a necessidade de se diminuir o número de cesarianas. Hoje 43% dos partos realizados no país são cesáreas, sendo que o máximo recomendado seria de 15% de acordo com Ministério Público.

Fabiana Magalhães é mãe de dois filhos e teve suas experiências bem distintas em seus partos. Ela conta as dificuldades que encontrou para seguir com seu projeto de humanizar o máximo possível a chegada de seus bebês. “Nós sempre pensamos e idealizamos que teríamos nosso bebê em parto normal, mas nunca imaginamos que iríamos travar uma grande luta por isso. Mesmo com uma carta de recomendação do médico, não conseguimos autorização da direção para que as doulas pudessem nos acompanhar durante o parto”, conta Fabiana.

“O parto humanizado, independe do local onde ele acontece. O processo de humanização do nascimento depende exclusivamente do conhecimento que a mulher ou o casal adquire durante a gestação, e da equipe que vai estar presente no dia do nascimento”, ressalta Cristiane, que procura alertar quanto à necessidade da humanização dentro das maternidades.

Assim, é fundamental que as mulheres, gestantes e famílias conheçam e saibam como exigir esses direitos. No município existe a Rede de Apoio às Gestantes de Araraquara, colaborando com informações sobre o parto humanizado e orientando as mulheres e familiares. Mais informações podem ser encontradas no blog: www.partohumanizadoararaquara.blogspot.com.br. “A liberdade da mulher para se movimentar durante o trabalho de parto, e escolher a posição de parir o seu filho, é importante porque traz muitos benefícios para o nascimento do bebê”, conclui Cristiane.



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