Ageuniara

Comerciantes de Jaboticabal enfrentam dificuldades com as casas lotéricas

Por: ALEXANDRE ADAM PEREIRA DA ROCHA

01/06/2012

Alguns comerciantes de Jaboticabal têm encontrado dificuldades para pagar boletos no fim do dia. As casas lotéricas consideram os valores altos e não recebem. Transferência de responsabilidade e segurança são alguns motivos do não recebimento de boletos que ultrapassam o limite de R$ 700. A alternativa encontrada está sendo pagar na única lotérica que aceita.

Mauricio André Facco, sócio-proprietário de um despachante se sente prejudicado. Ele revelou que há alguns anos encontra problemas para fazer o pagamento de boletos do seu escritório em casas lotéricas da cidade. Apenas uma lotérica aceita. “É engraçado, porque a lotérica até brinca com o meu funcionário para levar mais boletos, porque eles ganham por quantidade, e quanto mais, melhor”, disse ele, referindo-se ao ganho que as casas lotéricas têm com o recebimento de boletos.

Facco diz que não tem alternativa para pagamento, a não ser as casas lotéricas, pois os bancos fecham muito cedo e o horário limite que as financeiras conveniadas aos despachantes recebem pagamentos de taxas é até às 16h. Só depois disso é possível fazer o “fechamento” do dia e pagar os boletos.

O despachante acha que o correto seria o banco ter um horário de funcionamento maior, deixando as casas lotéricas somente com a responsabilidade de realizar jogos. Entretanto, ele acredita ser essa uma discussão maior e volta ao assunto. “Desde que as loterias assumiram esta responsabilidade, tem que cumprir com ela”, finalizou.

Antonio Garcia Costa, lotérico, afirma que trabalha conforme as especificações da Caixa Federal, cumprindo com o recebimento da quantia de até dois mil reais para boletos CAIXA e até R$ 700 para boletos de outras agências bancárias. Maiores quantias não são aceitas e afirma que se torna transferência de responsabilidade o escritório ou empresa que deixa para pagar uma grande quantia no final da tarde. Ele disse contar com o respaldo da CAIXA em negociações com a empresa que faz o transporte do dinheiro, o “carro forte”, mas são as lotéricas que pagam pelos serviços.

Costa diz que age dentro da lei e existe juridicamente a permissão para o não recebimento. “Isso é legal, está na lei. Você não pode transferir responsabilidade sua para alguém”, disse ele, que pesquisou em um órgão, mas não lembrou qual. Ele contou ainda que desde que sua lotérica foi assaltada, há mais ou menos dois anos, tem tomado providências para deixá-la segura e revelou ter gasto mais de R$ 50 mil em equipamentos de segurança.

Segundo uma funcionária de outra casa lotérica, que recebe normalmente o pagamento de boletos até o fim do dia, a lotérica não limita horário para o recebimento de grandes quantias em dinheiro. Mesmo depois de ter passado o “carro forte” e ter feito o transporte do dinheiro até o banco, a lotérica possui um esquema para guardar quantias recebidas no final da tarde, prevenindo um possível assalto.

“Nós conseguimos conciliar todos os despachantes, imobiliárias. Somos nós que pegamos tudo aqui nesse horário”, disse ela, se referindo ao recebimento de boletos no final da tarde.

Mesmo assim a funcionária, que preferiu não se identificar, admitiu a insegurança vivida pelas casas lotéricas da cidade. “O lotérico não quer mais ter um grande volume de dinheiro no final da tarde”, comentou. Ela ainda afirmou que em caso de roubo, a seguradora restitui apenas 17% do valor levado.

O que diz a CEF

A reportagem da Ageuniara entrou em contato, na Caixa Econômica Federal, com o "técnico bancário novo" Bruno Rodrigo Mendes, responsável por informações sobre as loterias da CEF na agência de Jaboticabal. A informação passada é que “a agência não trata demandas de imprensa”.

Mendes ficou de repassar as perguntas para a superintendência regional da CEF, que poderia prestar esclarecimentos sobre horários e valores que as lotéricas devem cumprir conforme contrato, além do papel desempenhado pela Caixa Federal em relação à segurança das lotéricas. Entretanto, até o fechamento desta matéria a Superintendência da CEF não havia entrado em contato com o repórter.

Destaques:

Reportagens recentes:

Todas as reportagens

Reproduzir o conteúdo do site da Uniara é permitido, contanto que seja citada a fonte. Se você tiver problemas para visualizar ou encontrar informações, entre em contato conosco.
Uniara - Universidade de Araraquara / Rua Carlos Gomes, 1338, Centro / Araraquara-SP / CEP 14801-340 / 16 3301.7100 (Geral) / 0800 55 65 88 (Vestibular)
N /ageuniara/