[ mostrar mensagem ]

COMUNICADO

Em vista das melhorias que estão sendo realizadas na portaria principal da Unidade I da Uniara, alunos, interessados e colaboradores devem utilizar a entrada localizada na Rua Voluntários da Pátria, 1309 (Rua 5).

Cordialmente,

Universidade de Araraquara - Uniara

[ ocultar ]

UNIARA

Ageuniara

Restrições sociais são mais eficazes contra o tabagismo

Por: PAULO HERIQUE RIBEIRO CARDOZO

08/05/2012

O Ministério da Saúde comemora os dados divulgados no início de abril que apontam que o Brasil passou a ter, pela primeira vez na história, um percentual de fumantes inferior a 15% da população.

Os fumantes são predominantemente homens (18,1%) enquanto são 12% as mulheres que se declaram adeptas do cigarro. Isso talvez explique a queda maior das taxas entre os fumantes do sexo masculino, 25% contra 19% das mulheres. O governo atribui tais números ao sucesso das campanhas publicitárias, combinadas com ações governamentais às vezes setorizadas, como no caso do Estado de São Paulo, em que uma lei proíbe a existência dos fumódromos (espaços especiais e isolados em locais públicos) para atender à necessidade dos adeptos ao consumo do cigarro.

Para Luis Eduardo Tagliacozzo, gestor de unidade da Vigilância Ambiental em Araraquara (SP) e ex-fumante, as campanhas governamentais têm apenas uma parte do sucesso na diminuição dos índices de fumantes no Brasil, mas não são as únicas. “Hoje em dia, há um conjunto de fatores que tornam o cigarro um representante do que é ruim do ponto de vista de saúde e também no aspecto social, já que quando comecei a fumar na adolescência, associávamos o cigarro com o esporte e o sucesso e hoje a consciência da criança já vem sendo trabalhada de maneira que ela conheça desde cedo, os malefícios do cigarro”, assegura o gestor ambiental.

Para José Ignácio Costa Gurgel, superintendente da radio Uniara FM, fumante há quase 40 anos, fumar nos tempos de hoje é praticamente impossível, pois o fumante tornou-se socialmente inaceitável. “O fumante tornou-se uma pessoa execrável porque até na rua, as pessoas não respeitam nossa opção e não nos aceitam. Percebo claramente a reação de reprovação das pessoas quando acendo um cigarro, mesmo estando ao ar livre”, relembra o superintendente. Ainda segundo Gurgel, a reação mais acintosa é do ex-fumante. “Os ex-fumantes são verdadeiros chatos já que, na maior parte das vezes, são mais críticos e intolerantes do que aqueles que jamais fumaram”.

A psicóloga e professora universitária Iris Lafuente também vê com certa reserva a eficácia dos esforços governamentais, já que ela entende que as campanhas têm ajudado, mas deveriam caminhar na direção da conscientização e do apoio àquele que tem a dependência química e psicológica do tabaco. “Tem havido informação quanto aos malefícios do cigarro e repressão ao usuário, mas não há conscientização, pois se houvesse, ao se conscientizar o fumante deixaria de fumar e adotaria hábitos de vida mais saudáveis. Isso só acontece quando o usuário de cigarro se conscientiza desses males causados a si e às pessoas que o cercam, assegura a psicóloga”.

A professora Iris destaca ainda, que é a sociedade que está revendo seus valores, já que nas décadas de 1970 e 1980, segundo ela, a publicidade comunicava o cigarro como ícone de sucesso, muitas vezes atrelando-o aos esportes, à arte e à intelectualidade e essa mesma sociedade que condena e exclui o fumante hoje é aquela que tempos atrás tinha no cigarro um referencial de bom gosto e sofisticação. “Cabe à sociedade combinada com o poder público, dar apoio e sustentação ao fumante, no sentido de auxiliá-lo a deixar o vício e não condená-lo como se fosse alguém que não pertencesse a essa sociedade. É bom lembrar que esse fumante, ao ser excluído socialmente, pode vir a desenvolver outras patologias advindas dessa negação social”, assegura a professora.

Já para Tagliacozzo, as campanhas educativas governamentais de combate ao tabaco combinadas com outros fatores, exerceram papel fundamental na consciência crítica da população, mas o governo deveria ir mais longe. “Penso que o Ministério da Saúde deveria trabalhar as campanhas contra o cigarro de modo mais forte, mais incisivo e mais honesto tratando–o como droga e não usando subterfúgios para abrandar seus efeitos, que às vezes são mais nocivos do que muitas drogas ilícitas”, afirma.

No mesmo sentido, Gurgel assegura: “O fumante não deixará de ser fumante por causa do preço do cigarro; só deixará de fumar quando ele mesmo sentir a necessidade física, psíquica e social de abandonar o vício. É uma questão de consciência", finaliza.



Destaques:

Reportagens recentes:

Todas as reportagens

Reproduzir o conteúdo do site da Uniara é permitido, contanto que seja citada a fonte. Se você tiver problemas para visualizar ou encontrar informações, entre em contato conosco.
Uniara - Universidade de Araraquara / Rua Carlos Gomes, 1338, Centro / Araraquara-SP / CEP 14801-340 / 16 3301.7100 (Geral) / 0800 55 65 88 (Vestibular)
N /ageuniara/