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Violência contra mulher preocupa em Matão

Por: JESSICA MENDES DA SILVA

04/05/2010

Números da Delegacia da Mulher(DM), de Matão (SP), mostram que a média de ocorrências envolvendo violência contra a mulher chegam até 90 casos, em alguns meses.

Segundo a DM, a maioria das queixas são de mulheres casadas que enfrentam problemas com o cônjuge, ou que tem vícios com bebidas e, até mesmo, drogas ilícitas ou por conta do ciúmes do companheiro.

Ainda, conforme informações da DM, entre os casos registrados estão a lesão corporal do óvulo(estupro).As vítimas que chegam para prestar queixas, são avaliadas emocionalmente e, em alguns casos, encaminhadas para acompanhamentos com profissionais, com psicólogos.

"Nós fazemos um trabalho policial, mas antes disso fazemos um trabalho social", afirma a delegada Maria Imaculada Silva,responsável pela DM.

"A maioria das mulheres que marcam ocorrência não querem que seu marido ou companheiro seja processado e, em sua maioria, se trata de crimes que dependem da representação delas, mas nem por isso os deixamos passar em branco",acrescenta a delegada.

Segundo a escrivã da DM, Selma Fernanda Persighini,a violência contra mulher acontece, porque na sociedade existe a ideia de que o melhor jeito de se resolver um conflito é a violência e que os homens são mais fortes e superiores do que as mulheres."É assim que, muitas vezes, os maridos, namorados, pais, irmãos, chefes e outros homens acham que têm o direito de impor suas vontades às mulheres",opina.

Em Matão não são realizadas grandes campanhas publicitárias que incentivem as mulheres a denunciarem o agressor, mas em vários pontos da cidade pode se observar cartazes de campanhas sobre o tema. Em um dos cartazes, está escrito: “Sua vida começa quando a violência termina”.

Para oferecer um espaço mais adequado e acolher a essas mulheres o atendimento também é feito por profissionais do sexo feminino. Essas profissionais são especializadas em investigar crimes cometidos e orientar mulheres vitimas de agressão.

Lei Maria da Penha

A violência contra mulher é crime e a lei prevê punição para quem os comete. Mas, para isso, é necessário que os agressores sejam denunciados, o que nem sempre é fácil.

Para punir os agressores, foi criada, em 2006, a lei Maria da Penha, que protege as mulheres da violência doméstica e representa um avanço na legislação brasileira.

Entre as inovações legais estão a impossibilidade de a vítima retirar a queixa de agressão, a menos que isso seja feito perante o juiz, em audiência marcada exclusivamente com este fim.

Estima-se que muitas mulheres agredidas sofram caladas e não peçam ajuda. Para elas é difícil dar um basta na situação. Muitas sentem vergonha ou dependem emocionalmente e, até mesmo, financeiramente do agressor. Outras acham que não voltará a acontecer ou que, talvez, sejam as culpadas pela violência.Há aquelas que não falam nada por causa dos filhos, porque têm medo de apanhar ainda mais ou porque não querem prejudicar o agressor, que pode ser preso ou condenado socialmente.

“Vivi apenas dois anos com meu ex-marido, tentando fazer dele uma pessoa melhor, mas foi tudo em vão. Em uma das suas bebedeiras, ele quase me matou estrangulada. Quando recuperei a consciência, minha primeira atitude foi ir até a Delegacia para fazer a denúncia contra ele. Ele me ameaçou, me perseguia pelas ruas, fez chantagem, mas eu não desisti. Fui até o fim, vindo aqui e fiz ele pagar pelo o que fez”,diz Tatiana(que prefere não revelar o sobrenome),de 28 anos, ao relatar sua experiência.



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