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Pesquisadores criam suplemento alimentício a base de cana-de-açúcar

Por: CARLOS DE MELO RODRIGUES

18/11/2016

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos(UFSCar), campus de Araras, desenvolveram cápsulas de proteína extraídas da cana-de-açúcar. O produto é feito a partir do bagaço da cana, de onde são introduzidos microrganismos que aumentam o seu teor proteico, fazendo com que possa ser utilizado como suplemento alimentar.

A pesquisa foi desenvolvida pelo professor Octavio Antônio Valsechi, do Departamento de Tecnologia Agroindustrial e Socioeconomia Rural (DTAiSeR) do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da UFSCar, e pela aluna do segundo ano do curso de Biotecnologia, Júlia Gandolphi.

Júlia explica que a criação das cápsulas se deu através de um projeto inicial da Profa. Dejanira, o qual tinha como objetivo a melhoria da qualidade nutricional do bagaço de cana-de-açúcar, transformando-o em proteína alimentícia para administrar nas rações bovinas, principalmente para as raças leiteiras.

Composição e função

Júlia enfatiza que o principal componente é o fungo, pois são ricos em proteínas.  Partindo desta informação, decidiu-se cultivá-los em bagaço de cana-de-açúcar. “O bagaço de cana-de-açúcar é rico em lignina, celulose e hemicelulose, um excelente meio de cultivo para o desenvolvimento de alguns fungos. Assim, eles [os fungos] irão metabolizar esses componentes e utilizá-los para o desenvolvimento”.

As proteínas são responsáveis pela construção e reconstrução dos tecidos do corpo, desde o embrião até a idade adulta. Elas atuam na formação dos músculos (tecido magro), protegendo as células e transportando ou produzindo substâncias. “Quando ingeridas, as proteínas são quebradas em pedaços menores, os aminoácidos, que são absorvidos no intestino e daí para a corrente sanguínea e conduzidos aos diversos locais onde serão utilizados como matéria prima na construção de outras proteínas”,explica a pesquisadora.

Existem vinte tipos diferentes de aminoácidos. Doze deles o organismo humano consegue produzir internamente a partir de outros nutrientes; os  outros oito restantes (nove para as crianças) devem estar presentes na alimentação, são os chamados aminoácidos essenciais.

Grande parte dos suplementos são de origem animal, como por exemplo o mel, o leite, ovos, carnes, queijo entre outros. E quando ingeridos por pessoas intolerantes à lactose e à caseína, apresentam sintomas alérgicos, explica Júlia. “No caso de proteínas obtidas a partir do bagaço da cana-de-açúcar, estes sintomas não são apresentados, pois são isentas de produtos alergênicos”. Desta forma qualquer pessoa pode consumir essas cápsulas, pois elas são de origem vegetal, não apresentando assim nenhum sintoma alergênico, conclui Júlia.

Acessibilidade

Em fase final de desenvolvimento, Júlia explica que existem algumas empresas interessadas na produção das cápsulas, porém ainda precisam passar por testes.

Em relação ao custo de produção, Júlia diz que são relativamente baixos quando comparados aos suplementos já existentes no mercado, pois o bagaço de cana-de-açúcar, embora possua valor agregado, ainda é considerado barato entre os outros meios de cultivos. “O modelo de negócio ainda não foi definido, pois existem várias opções que vão desde parcerias até a constituição de empresa para a exploração comercial dos produtos”.

(Publicado em 18/11/2016 - 18h42)



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