Ageuniara

Doação do corpo para estudos pode ser feita em vida

Por: RAQUEL BAES CORREIA

23/09/2016

Atualmente no Brasil é possível doar o corpo para o estudo anatômico nas universidades. Desde 1992, a legislação brasileira prevê que o indivíduo possa doar seu corpo ou parte de forma voluntária para ser dissecado em faculdades de medicina.  

Antes, os estudos anatômicos eram feitos em cadáveres de indigentes. Apesar da lei, ainda há falta de corpos nas instituições. Na universidade de Araraquara, por exemplo, há menos de quatro corpos, parcialmente inteiros, além das peças separadas. Todos os corpos são de indigentes que não foram reclamados pelos parentes no período de pelo menos trinta dias após a morte.

Algumas universidades usam peças de plástico que simulam o corpo humano e programas de computador.  

Um dos principais motivos da falta de doadores é o desconhecimento sobre como é possível realizar a doação. O oficial substituto do Cartório de Registro Civil de São Carlos, Waldecyr Dela Antonio, contou que nunca se deparou com a situação nos 43 anos que trabalha no lugar.

Para doar o corpo de forma voluntária é preciso registrar e documentar este desejo em cartório, numa declaração particular ou pública, em um cartório de protestos e notas. Para o processo ficar mais simples, o doador pode avisar alguém da família, como contou à reportagem o escrivão do 1º Cartório de Notas e Protestos de São Carlos, Marco Paulo dos Santos. “Se caso os familiares concordarem, o processo é mais simples porque não criam nenhum impedimento em liberar o corpo”. No entanto, se algum familiar se opor à decisão é recomendável fazer o registro em cartório, pois não haverá como contestar.

É aconselhável que, em vida, o interessado em doar seu corpo para estudos entre em contato com a universidade onde gostaria que seu corpo permanecesse. 

Respeito ao cadáver

De acordo com o técnico de laboratório de anatomia da Universidade de Araraquara, Fernando Marques, a primeira aula de anatomia para os alunos das universidades no Brasil, desde 1965, é sobre respeitar o cadáver. Os alunos vêem recomendações, regras de como lidar e respeitar o material de estudo. Apesar de ser conservado em formol, o cadáver sofre desgaste com o tempo, por conta da manipulação nas aulas. Na Universidade de Araraquara, cerca de dez cursos de saúde realizam aulas de anatomia prática.

História 

Os estudos de anatomia em cadáveres humanos começaram no século III antes de Cristo. Antes disso a anatomia era estudada através de cadáveres de animais. Os estudos foram proibidos novamente 150 anos antes da era cristã, por questões éticas e religiosas, mas voltaram a ser realizados depois da era das trevas, no Renascimento. O artista renascentista Leonardo da Vince dissecava corpos humanos para entender as estruturas do homem e atingir a perfeição em seus desenhos.

 



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