Ageuniara

Unesp de Araraquara está em greve e não tem previsão de término

Por: TALISSA FÁVERO GOUVÊA

17/06/2016

A Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), campus de Araraquara, está em greve. A paralisação dos estudantes vem desde o dia 17 de maio e a greve foi confirmada por assembleia dos alunos no dia 19 do mesmo mês. Dos mais de 1,1 mil alunos presentes, 579 alunos foram favoráveis e 512 contrários à greve; os demais se abstiveram de votar. Até agora não há previsão para o término da paralisação.

Célio Peliciari, aluno do quinto ano de Ciências Sociais, informa que a principal reivindicação dos estudantes é por permanência estudantil, ou seja, condições para que estudantes pobres consigam permanecer na instituição. A moradia estudantil não comporta todos os que necessitam do benefício e, tampouco, há bolsas de permanência em número suficiente. Segundo ele, “as greves e paralisações são o único meio de conquistar demandas efetivas”.  

Maurício*, aluno de Ciências Sociais, complementa que a decisão por paralisação e greve é a resposta para a situação que as universidades estaduais paulistas estão passando. “Estamos em greve porque estamos lutando contra os cortes que vêm acontecendo desde 2014. Somos a favor da ampliação de vagas na moradia estudantil e das bolsas estudantis. Queremos também o restaurante universitário que está em reforma há mais de dois anos”.

De acordo com alunos ouvidos pela Ageuniara, atividades culturais, como saraus, rodas de conversa e cine debates vinham acontecendo desde o início da paralisação. Contudo, a partir da segunda semana de greve as atividades exclusivamente culturais deram lugar a aulas públicas e palestras que focam temas como a questão orçamentária das universidades públicas paulistas, a precarização e privatização do ensino superior e a relação do trabalho nos dias de hoje.

Peliciari afirma que há pressão por parte dos professores para que encerrem a greve. “Existem algumas ameaças de professores para que os alunos façam provas ou trabalhos no meio da greve, mas as consequências de tudo isso serão positivas”. Já Maurício confessa que “os estudantes são perseguidos pela instituição de ensino. A casta que reúne o reitor e os diretores dos institutos faz de tudo para que os estudantes sejam penalizados, seja pela repressão policial ou pelo terror psicológico da reprovação nas disciplinas”. Ele também fala que na posição de ingressante, a experiência está sendo muito boa. “Quando era secundarista, tive a oportunidade de iniciar a militância junto aos estudantes da Unicamp, então nada está sendo muito novo”.

Alguns funcionários do campus e do Instituto de Química (IQ) também estão em greve. Organizados em comissão, servidores técnico-administrativos pedem reajuste salarial, transparência das contas apresentadas pela reitoria e melhoria na gestão de pessoas e recursos da universidade. Essas são algumas das reivindicações divulgadas no panfleto feito pela própria comissão.

Docentes também estão em greve. Francisco Mazzeu, representante da comissão de greve dos professores, explica que o comando representa os docentes de todas as unidades da UNESP, embora, em Araraquara, apenas o IQ e o campus tenham paralisado. Garantia da isonomia salarial e de benefícios entre os docentes, reajuste de 12,34% dos salários e maior transparência no orçamento e na gestão da universidade são algumas demandas exigidas pelos profissionais.

Mazzeu também explica sobre a reposição das aulas perdidas. “Após o fim da greve os Conselhos de cada curso fazem uma proposta de um novo calendário de aulas, para permitir que todas as aulas perdidas sejam repostas. Esse calendário é aprovado e passa a ser utilizado até o final do ano, porém não há data prevista para que isso aconteça”.

A Ageuniara entrou em contato com representantes de Centros Acadêmicos e docentes que não aderiram à greve, porém não obteve resposta.

O outro lado

Segundo a Assessoria de Comunicação e Imprensa da UNESP, a Universidade está aberta ao diálogo e recebe as pautas de reivindicação sempre que apresentadas; e as conduz às suas instâncias administrativas, nas unidades e na Reitoria. A UNESP também informa que há mais de duas décadas desenvolve ações voltadas para a assistência ao estudante. Bolsas de apoio acadêmico, programa "Adote um Aluno", moradias estudantis, auxílio aluguel, restaurantes universitários e subsídios alimentação são algumas destas ações, informa a Universidade.

*O nome é fictício, pois o aluno teme pela sua segurança.

(Publicado em 24/6/2016 - 19h29)



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