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B.boy bocainense deixa de participar de campeonato por falta de patrocínio

Por: JOICE RODRIGUES DEVITE

13/11/2015

O dançarino Luciano Augusto Coimbra, de 21 anos, integrante do Bocaina Breakers Crew, tinha uma vaga garantida para o campeonato El Bosk City Battles que acontece todo ano em Santiago, no Chile, reunindo participantes do mundo todo que se enfrentam em batalhas de dança, passando por etapas eliminatórias até chegar à final.

Ele sairia do Brasil na quinta-feira, 12, para disputar no sábado, dia 14, a categoria individual se não fosse a falta de patrocínio. "Então, não deu pra eu ir, porque não consegui levantar todo o dinheiro da viagem. Para participar do campeonato custaria em média 700 reais  e, embora eu tenha tido alguns apoios, infelizmente não foi o suficiente para eu conseguir ir para lá", explicou o b.boy.

Luciano terá sua vaga guardada para o próximo ano, mas só poderá participar se até lá conseguir patrocínio que cubra todos os custos. "Como eu não fui esse ano, minha vaga ficará guardada para 2016. Se Deus quiser vou conseguir  mais apoio e o ano que vem estarei embarcando para lá e finalmente participando do campeonato".

De acordo com Rodrigo Vicioli Vechi, de 32 anos, b.boy há 17 anos, participar de um campeonato é importante porque é onde o b.boy pode demonstrar sua criatividade e o resultado dos treinos.

Vechi ressalta que hoje a sociedade já tem uma visão mais positiva da dança, porém a questão do patrocínio continua sendo uma barreira para os b.boys. "Hoje em dia tem muito b.boy que vive da dança, mas é um mercado difícil. Na minha Crew, por exemplo, dançamos por amor à cultura, fazemos um trabalho de dança envolvido com a cidadania, passando às nossas crianças e jovens um trabalho socioeducativo. É claro que temos o sonho de viver da dança, mas infelizmente no Brasil é uma realidade muito difícil", diz Vechi.

INCENTIVO

Oportunidades como essa são um grande passo para o b.boy que participa do campeonato e um incentivo para os novos dançarinos da crew.

Eduardo (b.boy Peroba) e Gabriel Alves (o b.boy Lil Mad), que fazem coreografias juntos nas batalhas de dupla, falaram como os b.boys que praticam há mais tempo são importantes para eles "É o break que nos deixa leve, sossegado e nos une; é o tempo que temos para pensar e o pessoal mais velho sempre nos ajuda, seja dentro da dança ou na vida. É como uma família mesmo", disse Eduardo. "É isso, família Bocaina Breakers, é o que nos diferencia dos demais e é por isso que a gente pega cada vez mais firme nos treinos, para ir aos campeonatos e conquistar cada vez mais troféus e continuar levando a cultura hip hop para frente", completou Gabriel.

Wellington Bruno, o b.boy Bidu, diz ver os meninos mais velhos como apoio para continuar praticando o break. "O hip hop ainda é discriminado, algumas pessoas tem uma ideia errada da gente, mas isso tá mudando e nós temos que continuar dançando e levando nossa cultura para dar a volta por cima e mostrar que o break é muito mais do que as pessoas pensam". disse ele.

O GRUPO

O grupo Bocaina Breakers Crew completa 18 anos em dezembro deste ano e reúne no mínimo 20 integrantes que participam regularmente de campeonatos na região. Os treinos acontecem às terças, quartas e quintas feiras, das 19h às 22h, no espaço esportivo Nayomi Souza Amaral, e aos sábados, às 14h, na Escola da Família em Bocaina-SP, onde os b.boys praticam os fundamentos do break e fazem rodas de dança para aprimorar estilo e testar a evolução.

(Publicada em 13/11/2015 - 21h20)



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