Ageuniara

Nutricionista alerta para uso de suplementos sem indicação profissional

Por: RAFAEL ZUOLO ALBERICI

29/04/2015

No início de 2014, o estudante Matheus Oliveira, de 22 anos, de Araraquara (SP), se matriculou em uma academia de ginástica. O objetivo dele era o mesmo que motiva boa parte dos homens: ter um acréscimo de massa muscular. Afinal, para muitos, o corpo é a maneira mais fácil de despertar interesses.

Mas para se ter o resultado desejado é necessário disciplina e paciência. Fatores separado da maioria dos seres humanos devido à ansiedade e o imediatismo. Porém, mesmo seguindo um treino a rigor, os efeitos ficam longe do esperado, principalmente para tipos físicos fadados pela genética a uma constituição mais enxuta ou robusta. Desta forma, uma ajuda extra se torna atraente.

Para mudar o corpo de 1,80 metros de altura e 58 quilos e alcançar rapidamente seu objetivo, após conversas com amigos e instrutores na academia, Oliveira descobriu a saída nos suplementos alimentares. “Tinha vontade de melhorar meu desempenho no treino para ganhar músculos mais rápido. Adotei a recomendação dos amigos e comecei a tomar alguns suplementos”, explica. 

Segundo a nutricionista Magali Basso, a maioria dos alunos de academia começa a autosuplementação, por indicação de quem já usou e garante os resultados. Mas ela ressalta que o resultado alheio não é comprovação de eficácia. “É preciso saber se há deficiência de nutrientes e se a quantidade e intensidade de exercícios justificam o uso. Ainda é necessário fazer uma avaliação clínica, para saber se existe deficiência hormonal, problemas cardíacos, renais ou hepáticos”, reforça. 

O maior problema da autosuplementação é que o usuário, em geral, desconhece o funcionamento e os componentes dos produtos. A secretária Luiza Passos, por indicação de uma amiga, comprou um termogênico. Suplemento que altera a temperatura do corpo e visa aumentar a queima de gordura. Mas, ao ler o rótulo, viu um medicamento que já fazia uso para regular a tireoide. Ligou para um médico e foi orientada a não utilizar, pois poderia desregular a produção natural do hormônio, que já é deficiente em seu corpo e não deve servir de substituto ao remédio.

"É comum suplementos da classe dos termogênicos conterem hormônios para controlar a tireoide, já que alterações nessa glândula provocam, em última instância, emagrecimento. Mas o uso inadequado pode descontrolar a produção natural e trazer problemas antes inexistentes", explica a nutricionista. 

O termogênico em questão foi incluído na lista de produtos proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Esse tipo de suplemento age como vasodilatador e facilita a passagem de oxigênio e nutrientes, assim, eles alcançam rapidamente as células musculares, o que gera aumento da oferta energética. O propósito é que o corpo aguente cargas maiores por mais tempo.

Por isso, também foi adotado por Oliveira, que diz ter sentido esse efeito benéfico, mas confessa também ter tido reações adversas, como formigamentos e insônia. “Agora meu organismo acostumou e não sinto mais nada, só ficou o efeito estimulante mesmo”, relata. Porém, a nutricionista observa que o “não sentir mais nada” se deve ao fato de que o organismo se viciou, o que é comum ao uso do produto.

É possível encontrar potes de suplementos à venda na internet, em farmácias, lojas especializadas e até supermercados. Para Magali, o problema não está na facilidade de encontrar, e sim a falta de controle na venda. Segundo ela, seria preciso uma prescrição de um profissional para garantir que o acesso só fosse permitido após uma consulta.

Muitos atletas defendem acesso apoiando-se no exemplo norte-americano, onde a indústria de suplementos é enorme e o produto pode ser comprado livremente. Além disso, criticam a decisão da ANVISA, pois alegam que nunca sentiram efeitos colaterais.

Publicada em 29/4/2015 às 20h45.



Destaques:

Reportagens recentes:

Todas as reportagens

Reproduzir o conteúdo do site da Uniara é permitido, contanto que seja citada a fonte. Se você tiver problemas para visualizar ou encontrar informações, entre em contato conosco.
Uniara - Universidade de Araraquara / Rua Carlos Gomes, 1338, Centro / Araraquara-SP / CEP 14801-340 / 16 3301.7100 (Geral) / 0800 55 65 88 (Vestibular)
N /ageuniara/