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Aplicativos para celular aproximam pessoas e dimimuem fronteiras

Por: LETICIA DE OLIVEIRA DOS SANTOS

05/11/2014

Em uma sociedade onde a cada dia as pessoas permanecem mais tempo conectadas virtualmente, os famosos aplicativos para celular, que permitem conversar com amigos e desconhecidos aonde quer que estejam, tornaram se indispensáveis, e até um vício para alguns. Seja por textos, mensagens de voz, ou vídeos, a cada clique, as fronteiras se estreitam e permitem o contato entre milhares de pessoas ao redor do mundo, e ainda que jamais tenham se conhecido pessoalmente, passam a compartilhar seu dia a dia, experiências e conhecimentos.

A estudante de Direito, Laryssa Brandão Tozetti de Souza, 19 anos, de Araraquara (SP), conta que sempre fez uso de redes sociais como Orkut e Facebook para falar com pessoas ao redor do mundo. Sobre os aplicativos para celular, a estudante conta que começou a utilizar apenas este ano, porém, ela relata que passa o dia todo conectada, falando com pessoas de fora do Brasil, “Enquanto meu celular está ligado, estou conectada.”

Laryssa conta que faz uso de aplicativos como MeowChat, Interpals, Kakao talk, Line, WatsApp e o Mensenger do Facebook, e que a maior parte deles descobriu através de amigos. Com relação a segurança, ela utiliza esses aplicativos para conhecer e conversar com pessoas que nunca viu fora do ambiente virtual. Ela observa que pessoas mal intencionadas existem sempre e em qualquer lugar, por isso, sobre as primeiras conversas, Laryssa diz que devem ser mais cuidadosas e que informações mais pessoais, de qualquer tipo não devem ser passadas. 

Com sua experiência de quem passa o dia conectada ela explica: “Na maioria das vezes, as pessoas são óbvias com o que querem de você, então só depende de você aceitá-las ou apenas bloqueá-las”. A jovem diz que tem amizades que iniciou em chats e conheceu pessoalmente, algumas acabou perdendo contato, outras que duram a sete anos, mas a maioria permanecem apenas virtuais.

A estudante que pretende fazer intercâmbio na Coréia do Sul, informa que procura através dos aplicativos, conversar com pessoas do país onde pretende viajar, mas já conversou com diversas nacionalidades como norte- americanos, poloneses, ingleses, japoneses e russos. Para ela, a melhor coisa é que através do uso desses aplicativos, pode adquirir conhecimentos sobre outras culturas, e conhecer também as diferenças entre comportamentos. “Muitas coisas que são normais no Brasil, podem parecer estranhas para pessoas de fora, e isso é divertido.  As comidas diferentes são bem legais também, gosto de trocar receitas”, conta Laryssa que a cada dia busca conhecer ainda mais as pessoas.

Letícia de Oliveira, 20 anos, Diretora de Arte, de Américo Brasiliense (SP), faz uso de aplicativos tipo Chat, há cerca de dois anos, e conta que por dia, passa cerca de 18 horas conectada. Ela faz uso de aplicativos como WhatsApp e MeowChat, e assim como Laryssa, descobriu alguns aplicativos através de amigos.

A jovem conta que considera essa maneira de conhecer e conversar com pessoas no ambiente virtual, prática e segura, e relata nunca ter passado por situações de risco ou estranha durante conversas.

Letícia, que já namorou um rapaz que conheceu através de um Chat, observa que para ela, as vantagens de aplicativos que permitem conversar e conhecer pessoas no ambiente virtual, são agilidade e praticidade, além disso, permitem conhecer uma variedade maior de pessoas, inclusive interagir com estrangeiros.

Com o tempo mais voltado ao ambiente virtual, algumas pessoas estão, cada vez mais, deixando de lado o convívio no ambiente social, e se isolando desse contato tão essencial para o convívio na sociedade.

Para a cientista social, Viviani Marchi, de São Carlos (SP), a necessidade de se manter conectado no ambiente virtual, vem a partir do momento em que as pessoas passam mais tempo na Internet, do que em seu próprio ambiente cotidiano. Segundo ela, com o virtual, as pessoas acabam de certa forma “criando”, um mundo próprio e diferente do delas, o que as fazem criar uma alteração do significado de amizade, relacionamentos, entre outros, por exemplo, ter uma amizade virtual passa a ser muito mais atrativa do que uma amizade real.

Segundo Viviani, as vantagens dessa conecção virtual entre as pessoas é a aproximação, independente de que parte do mundo elas sejam, a mistura entre povos e culturas, que sem essa tecnologia existente hoje, não iriam se conhecer, ou até mesmo criar laços afetivos. Já as desvantagens segundo ela, seria a exposição dos indivíduos que muitas vezes ficam vulneráveis, e com isto acabam sendo vítimas de golpes, roubos entre outros crimes, através de conversas com essas amizades virtuais que podem inventar uma série de assuntos para manipular e conseguir informações verdadeiras e que permitam acesso a dados pessoais.

Para ela, muitas pessoas, hoje, preferem o convívio no mundo virtual, ainda que com desconhecidos, porque com acabam dependentes das ferramentas virtuais, passando muito tempo em frente às telas, tendo um acesso fácil a tudo e a todos, encontrando um mundo à parte. “As pessoas acabam se isolando do resto da sociedade, o conhecido isolamento virtual, criando um vazio que é preenchido com novas amizades que são virtuais, muitas vezes mais confiáveis e com elo maior do que as amizades reais. A atração é a possibilidade de conhecer novas pessoas que tem o mesmo gosto que ela, e também de conversarem sem ter compromisso”, completa.

Para a cientista social, o limite saudável é aquele que não interfere no cotidiano das pessoas. "Hoje em dia, por exemplo, é muito fácil vermos reuniões de amigos e a maioria utilizando o celular para ter contato com outras pessoas, isso faz com que não tenham contato com as pessoas reais que estão ali, próximas a elas. Com isso, as pessoas passam então a se excluir e não perceber o que está acontecendo ao seu redor, gerando um distanciamento, o que muitas vezes acontece no trabalho, na escola, entre outros, o que leva os indivíduos não prestarem atenção no que estão fazendo", comenta.

Assim, o limite saudável para o uso dessas tecnologias que hoje, julgamos indispensáveis, é aquele em que a utilização não interfira no convívio real, excluindo as relações reais, o que varia de pessoas para pessoa dentro do limite de cada um.

(Publicado em 05/11/2014 -20h14).



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