Ageuniara

Clínica de nutrição oferece tratamento gratuito a crianças e adolescentes

Por: FELIPE BENEDETTE CORRÊA

31/10/2014

A obesidade infantil em Araraquara está acima das médias do Estado de São Paulo e do Brasil. De acordo com os dados do Sisvan (Sistema de Vigilância Alimentar Nutricional) do Ministério da Saúde, entre crianças com até 10 anos de idade, 9,24% estão com obesidade grave, enquanto que o índice nacional é de 7,58% e o estadual de 8,82%. Entre adolescentes, sem faixa etária determinada pelo sistema, o índice nacional é de 1,22% e o estadual de 4,11%.

O curso de Nutrição da Uniara (Centro Universitário de Araraquara) em parceria com a Secretaria de Saúde, oferece diagnóstico e tratamento gratuito no projeto intitulado de “Obesidade Infanto-juvenil”.

Segundo a nutricionista e docente do curso de Nutrição e Medicina, Rita de Cássia Garcia Pereira, o projeto está em andamento há aproximadamente doze anos e as crianças e adolescentes são encaminhados pela rede básica de saúde.

“O projeto está em andamento desde 2002 e foi por meio da demanda de saúde do município que o curso de Nutrição formou parceria com a Secretaria de Saúde e passou a atender toda a população infanto-juvenil que estivesse acima do peso ou necessitando de orientações sobre alimentação. As crianças e adolescentes são atendidas nas unidades básicas de saúde pelo médico ou enfermagem,  e encaminhadas à clínica de nutrição da Uniara para tratamento”, afirma Rita de Cássia.

O atendimento pode ser individual (por consulta) ou em grupo. A participação da família no processo é um aspecto importante para se criar um planejamento nutricional, segundo a nutricionista, e não descarta que a educação alimentar é um reflexo da convivência que as crianças e os adolescentes têm no ambiente em que vivem.

“Atendemos semanalmente de cinco a seis novos casos, além dos retornos. No caso de grupos, as mães são atendidas em momentos diferentes das crianças, onde as mesmas podem se expressar sem que a criança fique constrangida e vice-versa. Nas conversas com as mães percebemos várias situações de confusão familiar, troca de papéis, dificuldade de alguns membros de lidar com o comportamento alimentar, barreiras familiares, etc. É nesse momento que oferecemos atenção nutricional à mãe, caso ela queria uma consulta nutricional e um planejamento alimentar específico”.

 “A obesidade infantil é multifatorial, várias são suas causas, temos 80% dos obesos ou acima do peso envolvidos com causas ambientais e somente 20% são causas genéticas. Uma vez que as causas principais são de origem ambiental, temos que cuidar do ambiente, publicidade infantil, sedentarismo, hábitos inadequados, horários inadequados, pais permissivos, dificuldade em mudança de comportamento e a praticidade e a facilidade de compra de alimentos baratos e engordativos, como os industrializados. A família faz parte do processo e precisa fundamentalmente estar inserida no processo e se apoderar dele, caso contrário não há resultados positivos. A maneira de se evitar é a educação, algo que leva tempo, mas ainda é a forma mais duradoura de se conseguir adultos saudáveis”, conclui Rita de Cássia.

De acordo com o endocrinologista Welson Ferreira, tanto a obesidade infantil quanto a adulta são consideradas como doenças e que vários cuidados devem ser tomados, principalmente em relação à alimentação, desde que acompanhado por um profissional especializado.

“É um distúrbio de metabolismo e o estilo de vida cada vez mais dependente de eletrônicos que fazem praticamente tudo para você em casa, diminui ainda mais o interesse em praticar atividades físicas. Assim como qualquer doença, como a hipertensão, o diabetes e dificuldades no sistema ósseo-muscular, mais comuns na fase adulta, existe a forma tratativa e preventiva, mesmo que a criança já apresente predisposição genética para ser obesa”, conclui Welson Ferreira.

(Publicado em 31/10/14 - 20h18)



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