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Dublador Wendel Bezerra fala sobre a profissão

Por: CHRISTIANO KOBAL OLIVEIRA DIAS DE ANDRADE

14/06/2011

O dublador Wendel Bezerra já está na profissão há cerca de 30 anos. Começou ainda criança como ator, mas logo foi para trás da TV e do cinema para dar voz a inúmeros personagens. Entre os mais conhecidos, estão Bob Esponja e Goku (Dragon Ball Z), além de atores como Edward Norton, entre muitas outras produções.

Ele iniciou a carreira aos quatro anos atuando em uma peça de teatro chamada “Gota D’água”, mas somente aos oito começou a dublar. Hoje, trabalha na Álamo como diretor de dublagem, além de ter sua própria universidade de dublagem. “Dublei o Goku, de ‘Dragon Ball Z’, o Sam, do ‘Senhor dos Aneis’, o Bob Esponja, além de atores como Leonardo Dicaprio, Ryan Philip, Ryan Gosslin e Ashton Kutcher”, conta Bezerra.

Para ele, o maior desafio da profissão é aliar uma boa interpretação com sincronismo (labial). “De filmes, o mais complicado que já fiz foi o documentário ‘Meu Encontro com Drew’, devido à grande complexidade do diálogo. E o Bob Esponja também é um dos mais difíceis, por causa da voz, que é muito aguda e constantemente me deixa rouco, mas sem dúvida é emocionante fazer sua voz”, entrega.

Entre seus personagens animados favoritos de dublar, estão Goku e a esponja amarela. “Tenho um carinho muito grande pelo Goku, pois foi o que me colocou em contato com fãs de animes e mangás. Já o Bob, que é bastante conhecido nacionalmente por pessoas de todas as idades, me deu grande oportunidade de crescimento. Até mesmo ganhei uma espécie de Oscar da dublagem fazendo o personagem”. Entre atores, Bezerra gosta de dublar Edward Norton e Ryan Gosslin.

E para ele, não há preferência entre dublar atores ou desenhos. Entretanto, trabalhar com atores é mais difícil. “Ele gagueja, respira alto, faz barulhos com a boca, mexe-a de um jeito diferente, enfim, cada um tem sua particularidade, e daí o desafio ser maior”, explica.

Entre os cuidados com a voz, ele cita dois, mas confessa não seguir muito essa “receita”. “Antes de trabalhar, não é bom beber nada gelado, principalmente bebidas alcoólicas, e evitar chocolate, que é um grande vilão da garganta pelo fato de grudar nas cordas vocais. Ainda sim, como trabalho com a voz constantemente, acabo não tomando os cuidados necessários, muitas vezes por falta de tempo mesmo”, revela. Mas para dublar Bob Esponja em especial, ele se prepara durante a semana toda e divide a atividade em maior espaço de tempo para não prejudicar sua voz.

Segundo especialistas, o Brasil tem um dos melhores times de dublagem do mundo. “Acho que muito é pelo fato de fazermos isso há bastante tempo e, além do mais, o público brasileiro é muito crítico em relação à dublagem”.

Bezerra conta também que para atuar na profissão, precisa ser necessariamente ator. “Isso (a dublagem) é uma especificação do ator, até porque trabalhamos em cima do que outro (ator) já fez. É aconselhável também fazer um bom curso de dublagem, já que o ritmo de trabalho é muito forte”, aconselha.

Rodrigo Faustino, fã de Bob Esponja, não esconde a satisfação em assistir aos episódios do personagem. “Uma das principais características que gosto no Bob é exatamente a voz dele, muito bem dublada. É isso que dá vida ao personagem. Não consigo imaginá-lo com outra voz. Tive vontade de dublar principalmente por causa do Wendel”, entusiasma-se.

Bezerra que recentemente esteve em São Carlos(SP), possui uma oficina de dublagem. Para conhecê-la, acesse o www.universidadededublagem.com.br.



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