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Emigrantes convivem com a discriminação em Tabatinga

Por: RODOLFO FERNANDES DA SILVA

15/04/2011

Todo ano, centenas de emigrantes vem a Tabatinga para trabalhar na lavoura durante o período da safra de laranja. Eles movimentam o mercado imobiliário, o comércio e suprem a falta de mão de obra local. Mas não é assim que são vistos por boa parte dos nativos, que em geral os tratam como se fossem uma sub-raça, pessoas nocivas a serem evitadas.

O que os identifica logo de início é o sotaque, o que não é perdoado. Certa vez em um comércio, um pernambucano e um tabatinguense começaram a conversar, até que de súbito o nativo pergunta: "Em sua terra tem gente inteligente também, ou todo mundo fala que nem você?".

Sandra dos Santos Gonçalves, sergipana, que está morando na cidade já há dois anos, tambem foi vitima durante um bom tempo dessa agressão: "Comecei a trabalhar em um salão de bichinho [fábrica de bichos de pelúcia] e as minhas companheiras de trabalho costumavam 'mangar' de mim. Eu aceitava numa boa porque levava na brincadeira mas minha patroa começou todo dia mandar eu falar palavras como 'porta', 'garfo', 'corte', e quando eu pronunciava com sotaque, ela ria e dizia que nordestino falava errado, que era tudo burro. Isso só parou quando eu a enfrentei e falei para ela olhar no dicionário e ver se ela estava certa mesmo, se lá tava escrito 'póóórta', que é como os paulistas falam".

Ela também ficou chocada quando certa vez, ao andar na rua, viu duas moças brigando e como última ofensa uma gritou para a outra: "Você é baiana mesmo!", deixando-a indignada. Sandra não se conteve e perguntou se para elas ser baiana é ofensa. Não teve resposta.

Valdison Santos de Jesus, baiano, que já vem trabalhar na safra há mais de cinco anos, atualmente fixou moradia na cidade. Sempre foi um cidadão exemplar, o que não o poupou de sofrer discriminação.

Santos conta que estava com uns amigos numa lanchonete e havia mais uma ou duas mesas com pessoas de fora. Chegou um casal, eles pararam na porta, olharam para dentro e a mulher falou em voz alta: "Vamos embora, aqui tá cheio de baiano". Santos nunca se sentiu tão pequeno como naquele dia. Apesar da mágoa, ninguém retrucou pois "ao contrário do que pensam, nós não estamos aqui pra arrumar confusão, estamos aqui para trabalhar e ganhar nossa vida".

Mauro José Nardim, comerciante da cidade, confirma que o preconceito realmente existe entre os tabatinguenses. Ele nunca teve problemas com emigrantes e nem os discrimina. Mas costuma tomar cuidados adicionais na hora de vender a eles: “No povo da cidade a gente confia um pouco mais”.

Segundo Santos, os nordestinos tem uma vida no lugar de onde eles vêm. Lá são cidadãos comuns, tem família, casa. Trabalham e se divertem assim como todo mundo. Mas o dinheiro que ganham lá não dá para ter muito luxo. Então eles vem para cá afim de ganhar um dinheiro extra. O objetivo geralmente é reformar a casa ou comprar uma moto.

Mas as pessoas falam que lá eles vivem na miséria, morrendo de fome. E vem aqui para pegar o serviço dos outros, brigar, roubar e até levar as mulheres alheias. O que não é verdade, afirma Santos.

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