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Rancho em Tabatinga prova que ecologia pode ser um bom negócio

Por: RODOLFO FERNANDES DA SILVA

25/02/2011

O Rancho Beneli em Tabatinga (SP) está há três anos mostrando que é possível ter um projeto de preservação ambiental auto sustentável e ainda gerar emprego e renda. Suas atividades ecológicas incluem o plantio de árvores, conservação de rios e o recebimento de grupos, principalmente crianças, para educação ambiental.

Sem nenhum tipo de apoio público ou privado, todo o projeto é sustentado por um restaurante instalado no local, que ficou tão conhecido a ponto de pagar todo o projeto e ainda dar lucro para o seu idealizador.

Logo após terminar seu curso de Especialização em Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Mauro Beneli percebeu, no sítio onde mora, grande potencial econômico. A propriedade era praticamente improdutiva e estava com sua família há décadas.

Inicialmente pensou num projeto ecológico modesto, destinado a acolher crianças em visitas monitoradas à propriedade. Para isso construiu um barracão, que teria utilidade apenas para servir comida às crianças que iriam passar o dia no sítio.

A estrutura física foi levantada com material de demolição e reaproveitamento. Recolhia na cidade restos de demolição, como madeira, tijolos e telhas, e os utilizava na sua construção.

Isso diminuiu o custo ambiental e financeiro da obra. A história presente nesse material acabou gerando uma grata surpresa, quando uma senhora, ao visitar o Rancho e observar as madeiras, lembrou-se da casa de onde elas haviam sido tiradas e que havia frequentado na mocidade.

Sem muito contato com as escolas, Beneli resolveu fazer um evento para promover o Rancho, a Festa do Milho. Com o sucesso da festa, apareceu a ideia de transformar o barracão em um restaurante típico, servindo almoço aos domingos.

Ao proporcionar lazer natural que já estava presente no ambiente, o local despertou a atenção também dos adultos. Enquanto aproveitam para passear no sitio, as crianças podem nadar no rio, passear de barco e conhecer os animais comuns às propriedades rurais. O Rancho Beneli recebe em média duzentas pessoas por domingo e mais de trezentas em datas especiais.

Beneli não procura parceiros ou sócios para o seu empreendimento, que poderia ganhar dimensão ainda maior. Ele prefere caminhar sozinho. “Ter parceria é muita burocracia e muita propaganda sem ação real. Se todas as árvores plantadas no papel estivessem na terra, a devastação seria muito menor e teríamos muito mais áreas cobertas. As pessoas se aproveitam da fase ambiental e de sustentabilidade que estamos vivendo para aparecer na mídia como plantadores de árvores, sem que nada seja feito. As árvores não aparecem".

Segundo Benelli, o fator vital para iniciativas como essa darem certo são as pessoas. "Não existe fórmula pronta, e para dar certo é preciso visão de negócio para enxergar a oportunidade, ter o preparo suficiente para tocar o projeto e principalmente gostar de receber pessoas, pois a propriedade deixa de ser do indivíduo para servir a toda a comunidade", ensina.

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