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Globalização transforma atletas profissionais em mercadoria

Por: MAYNA DELLE DONE NÉO

19/05/2010

Devido a pressões do mercado, clubes são obrigados a agir como indústrias e deixam o esporte de lado. Tese de mestrado defendida na UFSCar demonstra que o jogador profissional de futebol virou moeda de troca em negociações entre clubes, empresários e empresas.

É fato que o futebol, atualmente, é o esporte mais popular e influente no mundo. Em números, a audiência da última Copa do Mundo foi de quase 3 bilhões de telespectadores, sendo que 1,1 bilhão assistiram a partida final.

Somente o sorteio que decidiu a distribuição das seleções nos grupos da Copa foi acompanhado por mais de 300 milhões de pessoas. Fora os altíssimos índices de audiência das competições nacionais e continentais entre clubes.

Somam-se a tudo isso enormes quantias de dinheiro que circulam no meio futebolístico. A Alemanha, país sede da última Copa do Mundo, faturou quase 4 bilhões de dólares. O faturamento anual dos cinco clubes mais ricos do mundo é de mais de 5 bilhões de dólares.

“Esses fatores fazem do futebol uma excelente fonte de renda e um enorme mercado para investimento. Em contrapartida, transformam o jogador, sua principal mão de obra, em moeda de troca nas negociações”, explica Julio César Palmiéri, pesquisador do Departamento de Sociologia da UFSCar.

Em sua tese de mestrado, ele estudou a mudança do esporte com o passar do tempo e analisou como o jogador de futebol deixou de ser praticante do esporte para se transformar em mercadoria.

“A transformação do jogador em mercadoria deixou de ser tendência para se transformar em necessidade a partir do crescimento do futebol”, completa.

A entrada de capital, os investimentos dos clubes e das empresas de comunicação que transmitiam os jogos, obrigaram as equipes a, cada vez mais, deixarem o amadorismo. Para isso, começaram a contratar os melhores atletas, independente do país de origem. Dessa forma, o futebol passou a ser um esporte globalizado e que atende às leis de mercado. Transformou-se em espetáculo para o público.

Público é cada vez mais exigente. Para os torcedores não basta que os times tenham os melhores atletas tecnicamente. Era necessário haver empatia, que o jogador cativasse.

A partir desse ponto, houve uma mudança nos padrões de avaliação dos atletas. “Os jogadores passaram a ser mercadorias de luxo, pois tinham um valor agregado que ia além da capacidade futebolística”, afirma Palmieri.

O atleta passou a ser mais valorizado não só por suas características atléticas e técnicas, mas também por sua capacidade de cativar o público e os patrocinadores, gerando uma identificação com o nome, a marca da equipe.

Esses fatores mudaram, também, a forma como os agentes avaliam a capacidade do jogador e os escolhem para as equipes. ”Antigamente os agentes avaliavam os jogadores pelo que eles apresentavam dentro de campo”, explica Édson Ferraz, ex jogador e atualmente Secretário de Esportes de São Carlos.

“Hoje, porém, existem outras características menos esportivas que são levadas em conta quando um agente resolve procurar um jogador no mercado e isso prejudica os clubes”, aponta Ferraz.

Outro fator importante para que o futebol se transformasse em negócio e o atleta virasse mercadoria, citado tanto por Palmiéri quanto por Ferraz, é a Lei Pelé.

O advento do futebol como um espetáculo e um mercado mudou a forma como os clubes negociavam os jogadores. A grande quantia de dinheiro que circula no meio futebolístico começou a atrair empresários que procuravam agenciar atletas, visando lucro.

Porém o vínculo desses atletas com os clubes impedia o agente de faturar. Com a Lei Pelé e as outras legislações que obrigaram os clubes a vira empresas, as equipes se transformaram em indústrias produtoras e os jogadores em produtos, que tinham preço estabelecido pelo mercado.

De acordo com Ferraz, “dessa forma bastava que um clube pagasse um valor estipulado para que o jogador mudasse de equipe. Contudo, essa mudança deixou os clubes reféns dos empresários e agentes que, muitas vezes, não tinham nenhum conhecimento futebolístico e visavam somente o lucro”. Para Palmiéri, a melhor maneira de mudar esse status do jogador e fazer com que o esporte retorne às suas raízes, não sendo movido somente por interesses financeiros, é adequar a legislação vigente.

“Não podem ser levados em conta apenas os interesses do mercado, assim como não podem se sobressair apenas os interesses dos clubes. É preciso que a lei proteja o esporte, mas dê condições para que ele sobreviva no mundo globalizado”, explica Palmieri.

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