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Estudos revelam impacto negativo da mídia nos distúrbios alimentares

Por: VINICIUS BARBOSA SUZUKI

20/10/2009

A Drunkorexia, um novo tipo de desvio no comportamento alimentar, assola pessoas do mundo todo, principalmente mulheres e adolescentes. Este fato traz novamente à tona o problema dos transtornos alimentares (TA) e questionamentos acerca do assunto, colocando em foco a mídia e sua influência no desenvolvimento deste mal.

Os transtornos alimentares são desvios da conduta alimentar que podem levar ao emagrecimento extremo ou à obesidade, entre outros problemas físicos e incapacidades. Dentre os principais TA estão a anorexia e a bulimia, que apresentam alguns sintomas em comum: preocupação excessiva com o peso, percepção alterada da imagem corporal e medo patológico de engordar.

“As causas dessa doença são multifatoriais. Há o fator sociocultural, como o estabelecimento dos padrões de beleza, a formação da identidade feminina, a obrigatoriedade estipulada pela sociedade e mídia em manter um corpo magro e a supervalorização do corpo feminino", explica Rita de Cássia Garcia Pereira, mestre em Saúde da Comunidade pela FMRP-USP e docente em Nutrição e Saúde Pública dos cursos de Nutrição e Medicina da UNIARA.

Rita lembra que há ainda as questões familiares (problemas de relacionamento familiar ou entre amigos) e os fatores individuais (traços de personalidade, genética, déficits de auto-estima, traumas de infância etc) pressionando os indivíduos e predispondo-os a doenças.

Apesar das causas serem múltiplas, um dos grandes causadores dos TA é o atual padrão estético divulgado pela mídia, que reforça a idéia do corpo perfeito. “A busca incessante pela beleza corporal da mulher tem levado jovens a se martirizarem com dietas que não tem o menor fundamento. Vejo isso quase toda semana na clínica de nutrição da UNIARA”, declara a professora Rita de Cássia.

Não há estudos que comprovem, cientificamente, a influência da mídia no comportamento alimentar, porém existem evidências consistentes de que expor mulheres jovens a imagens de modelos magras aguça os sentimentos de insatisfação com o próprio corpo. Em estudo realizado nas ilhas Fiji, pela professora de Antropologia Médica e Psiquiatria da Escola de Medicina de Harvard, Anne E. Becker (2002), avaliou o impacto da exposição das adolescentes à televisão e conseqüentes atitudes e comportamentos alimentares desses indivíduos.

O estudo foi dividido em duas etapas, a primeira em 1995 e a segunda em 1998, já com três anos de exposição à televisão. Os resultados mostraram que os indicadores de TA foram significantemente mais prevalentes após 1998, demonstrando também maior interesse em perda de peso, sugerindo um impacto negativo da mídia.

Segundo Eric Stice, psicólogo da Universidade do Texas e especialista em comportamento alimentar (2002), sociólogos tem proposto processos, como o reforço social, que explicam atitudes e comportamentos de indivíduos. O reforço social se refere ao processo por meio do qual as pessoas internalizam atitudes e comportam-se mediante aprovação dos outros. Como exemplo, um adolescente pode querer seguir uma dieta, seja saudável ou não, caso perceba que a mídia glorifica o corpo esbelto e magro e critica as pessoas com excesso de peso.

Imagem distorcida

Os transtornos alimentares podem causar muitos danos ao organismo. A pessoa portadora desse desvio tem seu estado psicológico ainda mais afetado, aguçando cada vez mais sua visão já distorcida da imagem corporal, a obsessão por alimentação e atividade física; além disso, o doente reforça idéias errôneas sobre o que deveria ser uma alimentação adequada. Ocorre também a desordem corporal como desnutrição, magreza extrema, anemia, obesidade (em alguns casos) etc. Os TA em estágio avançado pode levar o indivíduo à morte.

O transtorno não diferencia etnia, gênero ou idade, qualquer um pode adquiri-lo. Porém a incidência é muito maior em mulheres jovens e adolescentes, do que em homens. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), as doenças como anorexia, bulimia e compulsão alimentar atingem cerca de 10% das mulheres jovens no mundo. Cerca de 3% a 4% das mulheres brasileiras possuem algum tipo de TA.

Maria, 24 anos, estudante, vítima da Compulsão Alimentar e Bulimia, conta um pouco da sua experiência. “No início da minha adolescência, com 12 anos, engordei bastante, pois todos os meus problemas pessoais eram descontados na comida. Era o primeiro sinal da compulsão alimentar. O preconceito dos meus colegas de escola e a influência das revistas teens fizeram-me tornar uma pessoa obsessiva pela magreza”.

“Assim comecei a procurar métodos fáceis para emagrecer. Tomava muita anfetamina, laxante, diuréticos e outras drogas. Queria emagrecer a todo custo, mas não conseguia parar de comer por conta da compulsão alimentar. Somente no ano passado, aos 23 anos, devido ao meu tratamento terapêutico é que percebi o quanto estava doente”.

Outro grande problema é a pessoa esconder os sintomas do desvio e se negar a admitir. Isto já seria um subdiagnóstico de quem tem a doença. Os TA devem ser tratados por uma equipe de profissionais composta de psiquiatra, médico clínico-geral, nutricionista e psicólogo. Todos são extremamente importantes para a validade e eficácia do tratamento, o qual é longo e necessita da ajuda de familiares e do próprio paciente. Recomenda-se também a terapia familiar.

As “dietas milagrosas” ajudam o indivíduo a perder peso, mas podem não fazer bem para a saúde e levá-lo a ter problemas futuros. O ideal é procurar reeducar a alimentação e fazer atividades físicas de forma moderada. As dietas devem ser feitas se houver indicação e acompanhamento de um nutricionista ou médico especializado.

“Gostaria que os pais ficassem atentos a comportamentos estranhos de seus filhos com relação à alimentação, a sites na internet, a perda de peso excessiva, a uso de fármacos ou outras técnicas não condizentes”, alerta a nutricionista Rita de Cássia.

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