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Sírios e libaneses comemoram 120 anos de imigração

Por: EDUARDO SOTTO MAYOR DA SILVA

12/10/2009

Os árabes são um dos povos com maior responsabilidade pelo desenvolvimento da economia no Estado de São Paulo. Sírios e libaneses que chegaram ao Brasil no século 19 desenvolveram o comércio ambulante e criaram, por exemplo, a Rua 25 de Março, hoje um dos maiores centros de comércio do Brasil, segundo a Prefeitura de São Paulo.

Hoje, 15 milhões de brasileiros possuem ascendência árabe. Estimativas do IBGE apontam que o Brasil tem a maior colônia de árabes fora de seus países de origem. A maioria é de origem libanesa, seguidos por habitantes de origem síria. A imigração árabe no Brasil teve início em fins do século 19, mas só no século 20 ela cresceu e passou a ser importante para a economia do País.

A grande maioria dos imigrantes árabes chegados ao Brasil foi para São Paulo. Na capital do Estado, os sírio-libaneses rapidamente formaram uma comunidade de comerciantes ambulantes, inicialmente apenas para sobrevivência. Muitos imigrantes se aventuraram e cruzaram o Brasil de Norte a Sul, vendendo produtos que eram considerados novidades, provenientes muitas vezes da Europa e do Oriente.

Oswaldo Truzzi, professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar, explica que essa atividade inicial como vendedores ambulantes foi realmente uma tendência dos sírios e libaneses no Brasil. Truzzi lançou recentemente o livro "Patrícios: Sírios e Libaneses em São Paulo".

Para chamar a atenção, vender mais e superar os preconceitos que sofriam, os sírio-libaneses reinventaram o comércio e deram aos clientes opções diferenciadas, como por exemplo, a oportunidade de pagar a prazo. Além disso, também com a intenção de ganhar clientes, parte da colônia árabe praticava o escambo, ou seja, a troca de suas mercadorias por outros produtos. No início, a concorrência no comércio com outras etnias era muito grande. Portugueses, italianos e judeus também exerciam este ofício.

Com o passar do tempo e o desenvolvimento da economia, os patrícios, como sírios e libaneses se chamavam entre si, deram continuidade ao trabalho de vendedores ambulantes e conseguiram abrir suas próprias lojas de comércio, como atacadistas. Assim, forneciam mercadorias para os novos imigrantes que chegavam ao Brasil.

Segundo Oswaldo Truzzi, mais tarde, alguns comerciantes mais bem sucedidos acabaram se tornando industriais, contribuindo no desenvolvimento da economia do Estado de São Paulo. Haviam descoberto um bom nicho de mercado apostando na venda de tecidos, roupas, sapatos e artigos para casa.

O pesquisador também afirma que os árabes acabaram construindo uma rede de negócios baseada no vínculo étnico. Ou seja, em muitas situações, os patrícios acabavam fazendo negócios entre si.

Este é o caso da família de Eduardo Kebbe, comerciante sãocarlense. Seu pai, Seba Kebbe, veio de Tripoli, na Síria, para o Brasil em 1910, quando tinha 20 anos de idade. O imigrante veio em busca de melhores oportunidades e, segundo Eduardo, sofreu muito no começo para se adaptar ao novo idioma e à nova cultura. No entanto, como vendedor ambulante, conseguiu sustentar toda a família.

Outro caso de imigrante árabe que veio se aventurar na zona rural do interior paulista é o do empresário Gabriel Issa Bonduki, que desembarcou no Brasil em 1897. O sobrinho de Gabriel, Alfredo Bonduki, conta que seu tio tinha então apenas 18 anos e veio da Síria para São Paulo de navio.

Gabriel trouxe pouca coisa na bagagem, mas muita vontade de desbravar o país que na sua pátria era descrito como o paraíso do trabalho, a terra das oportunidades. Alfredo conta que para Gabriel não foi nenhum esforço comprar tecidos e rendas, colocá-las na mala e vender de loja em loja, de casa em casa, de sítio em sítio, pois o Brasil era uma grande promessa de riqueza.

Alfredo conta que depois que Gabriel se estabilizou financeiramente no Brasil, ele chamou os irmãos, entre eles Emílio, pai de Alfredo, e abriu duas lojas e mais tarde uma fábrica. A história do patriarca Gabriel Issa Bonduki, já falecido, pode ser repetida com nomes e sobrenomes de outras mulheres e homens sírios e libaneses.

O historiador Oswaldo Truzzi destaca que não se pode negar o quanto os sírio-libaneses foram bem sucedidos em seus negócios. Segundo o pesquisador, a ascensão econômica dos patrícios aconteceu de modo muito rápido, fazendo com que os imigrantes desejassem que seus filhos concluíssem uma faculdade e parassem de trabalhar no comércio.

Cada vez mais influentes na sociedade, os sírio-libaneses aproveitaram o poder que exerciam em relação às pessoas e à economia e, junto com o diploma que agora carregavam, acabaram ocupando cargos na política. Assim, influenciavam cada vez mais a economia não só com seu trabalho, mas agora com o poder político nas mãos.

A importância dos sírio-libaneses na história do país é reverenciada também por um dos mais importantes escritores do Brasil. Com raízes nacionais tão populares, o baiano Jorge Amado registra a presença marcante dessa influência em sua obra, com personagens árabes ou de origem árabe em livros como “Gabriela, Cravo e Canela” e “Tocaia Grande”.

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