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COMUNICADO

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Cinema independente expande território em Araraquara e região

Por: RENATO DIEGO ALVES DE JESUS

29/09/2009

A região de Araraquara abriga profissionais que trabalham com diversas vertentes artísticas – entre elas, o cinema independente. Festivais como o FilmFest, que aconteceu no início de setembro, em São Carlos, e o Festival do Minuto, que expõe o trabalho de pessoas de todo o país, chamam a atenção para as novas produções cinematográficas que são realizadas, além de apresentarem novos produtores e profissionais da área que emergem da cena independente para divulgarem seus trabalhos ao grande público.

“O cinema possui pouco mais de cem anos de idade e já evoluiu muito em comparação com outras artes”, afirma Paulo Delfini, 31, diretor e produtor formado em turismo e com especialização em cinema e vídeo, que trabalha no ramo desde 2004. Apreciador da sétima arte desde a infância, buscou envolver-se diretamente com essa área que tanto lhe agradava depois de crescido, realizando estudos com enfoque no uso de tecnologias digitais no cinema e procurando por oficinas e workshops que aumentassem sua bagagem prática e teórica.

Nessa fase, começou a compreender melhor as limitações e possibilidades à disposição de um profissional dessa carreira. Possuia em suas mãos a empolgação inerente àqueles que fazem algo por gostarem de verdade, mas poucos recursos disponíveis. Produzia curtas metragens na companhia de outros contatos que conhecera em cursos, da cidade e da região “na raça”, segundo suas palavras, pesquisando e aprendendo sobre novas linguagens.

Os primeiros vídeos foram feitos para o Festival do Minuto e diz que nenhum deles foi selecionado, por serem, na época, ainda muito amadores. Com o tempo, o produtor e seu grupo foram equipando-se mais, para produzirem melhor.

De lá pra cá, já realizou mais de dezoito trabalhos diferentes, em funções variadas, mas preferivelmente na produção, parte pela qual nutre mais admiração.

Esses profissionais utilizam na maioria das vezes, recursos próprios para produzirem seus trabalhos e o fomento de terceiros nem sempre é fácil de ser obtido. “As três fases da produção de um filme – pré-produção, produção e pós-produção - envolvem custos”, afirma. “Para recursos de financiamento é necessário ter uma empresa aberta há dois anos e um portfolio, e isso vale não só para o cinema.”

Rubens Miranda, 60 anos, advogado, faz curtas metragens há cinco anos sem visar lucros, mas afirma que a área de artes visuais é bastante complexa. “Esse meio é confuso e o incentivo que novos cineastas recebem é muito pouco. Recebemos o apoio de apenas um por cento de verbas do governo para produção cultural, e isso é quase nada”, conta.

Apesar de considerar suas experimentações apenas como um hobby – sem deixar de lado a possibilidade de algo mais rentável no futuro - Miranda, que já dirigiu seis curta-metragens e trabalha no roteiro de um longa, mostra-se frustrado com as dificuldades dessa busca por apoio.

Rubens MIranda cita a Lei Rouanet de incentivo a cultura, que permite às empresas financiarem projetos culturais e isenção de certa quantia do imposto de renda, mas que não é tão eficaz, considerando que muitas delas preferem financiar profissionais já conhecidos e algumas vezes de certo renome, ignorando outros mais anônimos. A Lei Rouanet, porém, será alterada no Congresso em breve, segundo afirma Miranda. “O Ministério da Cultura, que dá preferência a novos produtores, será o responsável pela seleção de projetos.”

Essa base instável pode desestimular muitos dos aspirantes à carreira. Depois que suas ideias saem do papel e ganham forma, confrontam outro impasse: a distribuição de filmes independentes é complicada, tão difícil quanto as fases anteriores. Uma produção realizada sem o impulso de uma "major" – categoria que engloba as grandes distribuidoras do cinema, como a Fox ou a Paramount – dificilmente será exibida nas salas de cinema. “Nem sempre compram trabalhos independentes pois visam bilheteria. Eles devem se “espalhar”, possuírem rotatividade, ou não são exibidos”. Possibilidade que, sem essas empresas, são bastante enfraquecidas.

Existem também os espaços públicos de cada cidade, que promovem sessões que permitem ao público ter contato com essas novas obras. Rubens possui ressalvas sobre eles: “Os responsáveis nem sempre são dispostos a abrirem os locais para esses trabalhos, com algumas exceções. Existem até questionamentos políticos que impedem esses acontecimentos, somados à falta de divulgação para a população”, conta.

“É necessário que haja o acesso público”, diz Paulo Delfini. “Não adianta produzir um filme com todo o trabalho se ele não existir”. Os dois entrevistados reconhecem que o feedback do público é essencial de uma forma muito maior que apenas pelo retorno financeiro: afirmam que as pessoas também são interessadas em produzirem, opinarem e participarem desses processos. Isso, de certa forma, torna a relação “artista-público” ainda mais próxima e os trabalhos produzidos mais verdadeiros.

Delfini comenta ainda sobre a atual produção cinematográfica no Brasil, dizendo que a arrecadação de produções nacionais aumentou, mas que ainda é difícil encontrar filmes de "arte", diferentes do habitual, que façam sucesso entre o público.

As películas que mais se encaixam nesse conceito foram feitas há muitos anos, em tempos que os recursos cinematográficos eram mais antigos e pouco avançados. O entrevistado vê pontos em comum entre a produção de forma “romântica” do passado com o ímpeto dos produtores independentes atuais, que enfrentam dificuldades para fazerem com que seus trabalhos sejam reconhecidos e apreciados e diz que esse aspecto não pode ser perdido, mesmo com uma melhor segmentação da profissão no Brasil.

Saber que existem pessoas na região que trabalham no setor é estimulante. “Todos que gostam de cinema e arte na cidade deveriam juntar-se para criarem um maior espaço para si”, diz Rubens Miranda. “É necessário aglutinar profissionais. Além desses trabalhos exigirem a participação de muita gente, um maior número de pessoas produzindo gera mais projeção, para mostrar que fora do eixo das capitais existem coisas sendo feitas”, finaliza Paulo Delfini.

Contatos

Paulo Delfini: paulinhocinema@yahoo.com.br

Rubens Miranda: rubensmiranda@hotmail.com

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