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UNESP doa cães que não podem ser utilizados em pesquisas biológicas

Por: CLAUDIA ROBERTA PEREIRA

05/10/2009

Após restrições às pesquisas em animais domesticáveis, sete cães que não foram usados neste processo estão sendo doados pela Faculdade de Odontologia da UNESP de Araraquara.

Os sete cães seriam utilizados em futuras pesquisas científicas da Faculdade. A auxiliar administrativa Zélia Haddad, responsável pelo processo de adoção dos cães, esclareceu que além de bem cuidados, os animais não foram empregados em nenhum tipo de pesquisa. “É bom deixar claro que pesquisa nenhuma aconteceu com esses cães. Eles estão sendo muito bem tratados e alimentados, mas falta o principal; uma família para enchê-los de carinho”, disse Zélia.

A UNESP utilizava o recurso de pesquisas cientificas com animais em seus testes medicinais e biológicos. Entretanto, após várias restrições a esses procedimentos, a Faculdade decidiu dispor desses cães para evitar futuras punições dos órgãos de proteção aos animais.

O tema vinha sendo discutido desde 1995, quando o deputado Sérgio Arouca propôs o Projeto de Lei 1.153 a favor das pesquisas, contrariando os defensores e entidades protetoras.

Estas entidades defendem punição para laboratórios e entidades de ensino e pesquisa que provocarem sofrimento físico, medo, estresse, angústia, patologias ou morte de animais, soltos ou criados em cativeiro.

O caso fica dividido em duas faces. Por um lado, os grupos de proteção acreditam que pesquisas com animais nem sempre indicam um caminho correto, podendo levar a resultados enganosos. Também não admitem o sacrifício destes animais, como explica a veterinária Geórgia Tálago, que se diz contra esses processos e acredita que essas pesquisas possam ser substituídas por outros recursos.

“Esse tipo de pesquisa com animais é um absurdo. Eu não acredito que tenha alguma forma de não machucá-los com todos esses experimentos. Sou totalmente contra!”, protesta Geórgia.

No outro polo da discussão estão os cientistas que consideram os experimentos com animais vitais para todas as áreas das ciências biológicas.

É a posição defendida pelo estudante de Biologia Victor Cairo. “As pesquisas são de suma importância para o crescimento de diversas especialidades biológicas. Os testes possibilitam o desenvolvimento de drogas anti-hipertensivas, antibióticos, vacinas, pesquisas com células-tronco para o tratamento de câncer e outras doenças, além de inúmeros outros medicamentos", defende.

O futuro biólogo considera os animais essenciais em todo esse processo de busca de soluções para doenças humanas. Garante que existem vários procedimentos para garantir o bem-estar dos animais. Para os cientistas, a restrição da pesquisa em animais impedirá novas descobertas que poderiam trazer benefícios para a humanidade.

LEGISLAÇÃO EM VIGOR

Em algumas cidades brasileiras leis contra a utilização de animais chegaram a ser aprovadas. É o caso do Rio de Janeiro, que teve a Lei Municipal 4.685/2007, de autoria do vereador Cláudio Cavalcanti (DEM), sancionada pelo então prefeito César Maia, em 2007.

Porém, em setembro de 2008 o Senado aprovou a Lei Arouca, homenageando o Deputado Sérgio Arouca, autor do projeto da Lei de 1995, que regulamenta o uso de animais nos experimentos científicos.

A aprovação da lei federal automaticamente desativa as leis municipais existentes nas cidades brasileiras. Trata-se de uma grande vitória para os cientistas. O texto em vigor, gerado pela aprovação da Lei Arouca, é a Lei nº 11.794, de 08/10/2008.

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