Ageuniara

Violência humana está ligada à não aceitação das diferenças

Por: VINICIUS BARBOSA SUZUKI

25/09/2009

A violência é um problema constante na vida do ser humano e de difícil resolução. Presente em todas as épocas e para diferentes povos e etnias, ela possui diversas formas de agressão, como a violência sócio-econômica, violência cultural, violência doméstica, violência verbal, violência física etc. Apesar de seu grande número de variações, a violência é um comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objeto.

“A violência deve ser pensada dentro de um contexto histórico e antropológico. O que é considerado violência hoje, não necessariamente era tido como algo extremamente agressivo em outros tempos. E o que são considerados atos de violência em uma determinada cultura, talvez não seja agressão numa nação de costumes diferentes. Mas de maneira geral, a violência é tudo aquilo que agride o ser humano”, explicou o sociólogo Luis Henrique Rosim, professor de Sociologia da Uniara (Centro Universitário de Araraquara).

Tendo em vista os altos índices de violência publicados nas principais manchetes de jornais diariamente, a exposição “Gandhi, King e Ikeda”, que ocorreu no Palacete da Esplanada das Rosas, em Araraquara, mostrou a trajetória desses três grandes líderes do pacifismo. O evento resgatou os ideais de não-violência, conclamando os povos e cada indivíduo a exercitar, no cotidiano, os valores da cultura de paz. Mas será que os princípios da não-violência se enquadram no mundo globalizado, dominado pelo consumismo individualista?

Apesar de vivermos nessa atual conjuntura, o pacifismo ainda se encontra presente em nossa realidade. “Independente da época, a cultura da não-violência sempre poderá contribuir de forma positiva gerando mudanças de conceitos, novos valores, quebrando paradigmas na sociedade, beneficiando os indivíduos”, declarou Márcia Monteiro, relações públicas da BSGI (Associação Brasil Soka Gakkai).

Márcia Monteiro também afirma de que forma o pacifismo pode ser aplicado em nosso dia-a-dia: “Esses ideais podem ser expressos por meio de diálogos, palestras que tratem da questão da cultura da paz, ressaltando a importância de cada indivíduo e seu o papel na construção de um ambiente mais acolhedor, mais harmonioso, e isso se dá no contexto em que as pessoas estão inseridas; na família, no trabalho, círculo de amizades, enfim, nas relações humanas”.

O sociólogo Luis Henrique também concorda que há espaço para a cultura da não-violência na atualidade. “Se nós abandonarmos a idéia de resolver os problemas e conflitos da realidade de forma pacífica, estaremos condenando toda a humanidade. Mesmo não tendo um líder pacifista como Mahatma Gandhi e nem uma grande campanha contra os vários tipos de agressão, ainda podemos ver ações de grupos e ONGs que buscam solucionar questões prejudiciais à sociedade através do diálogo e da mobilização”.

Há vários motivos que tornam a violência uma realidade no mundo, dentre os quais a desigualdade social, o desemprego, o abuso de autoridade, racismo, intolerância religiosa etc. Porém de acordo com o professor Luis Henrique Rosin, a idéia de não aceitar o diferente é a base da violência. “O capitalismo não inventou a violência. Sabemos que os problemas sociais criados por esse sistema político-econômico são geradores da violência. Mas além da desigualdade social tornar o Homem um agressor, há o fato também das pessoas e dos grupos sociais verem o diferente como um problema”.

A R.P. Márcia Monteiro defende a idéia da SGI. “Concordo com o Daisaku Ikeda, filósofo, líder humanista e presidente da SGI [Soka Gakkai Internacional], quando diz que a pobreza está na raiz dos conflitos por ser um fator que desestabiliza a sociedade. Ele diz que a pobreza acende o conflito, o qual, por sua vez, agrava ainda mais a chama da pobreza. Romper este círculo vicioso ajuda, ao mesmo tempo, a eliminação de uma das causas da guerra e a desgraça da injustiça mundial”.

Vários métodos foram utilizados para sanar o problema da violência. Entretanto o sociólogo Luis Henrique afirma que a educação é o melhor caminho para pelo menos diminuir os índices de violência. “É através da educação que os indivíduos terão consciência dos seus direitos e de seu valor como cidadão, e assim passarão a questionar a situação à qual foram submetidos e poderão cobrar das autoridades melhores condições de vida. A educação é a melhor forma das pessoas ascenderem socialmente e se livrarem do grande mal da desigualdade social, grande causador da violência”.

Márcia Monteiro enfatiza o posicionamento da BSGI perante as possíveis soluções para a violência: “O Ikeda constantemente nos incentiva a serem pessoas melhores para poder contribuir na construção da paz. Ele envia anualmente à ONU (Organização das Nações Unidas), propostas de Paz, e sugere alternativas para as questões que afligem a humanidade. Em uma de suas propostas ele fez o seguinte comentário: Para a humanidade sair das trevas das guerras é preciso revolucionar a mente. É a transformação positiva do pensamento, do falar e agir, que fará a chamada revolução humana".

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