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Mulheres de Ibitinga ajudam a sustentar a economia

Por: KELLY CRISTINA DOMINGOS

01/04/2009

A capital do bordado, como é conhecida Ibitinga(SP), é hoje referência no setor de enxovais. Segundo Laércio Turco, o presidente do Sindicato das Indústrias e Comércio de Bordados de Ibitinga(SINDICOBI)"o setor de confecção de enxovais representa 80% do PIB de Ibitinga e a produção local equivale a 5% de tudo o que é produzido em cama, mesa e banho no Brasil”.

Mas, nem sempre a cidade viveu das indústrias de bordados.Na verdade,a história dos bordados de Ibitinga é mais recente, se comparada à história da cidade de 148 anos.

A atividade começou em meados dos anos 30, com dona Dioguina Sampaio, uma senhora de origem portuguesa, que começou a bordar "manualmente" em sua casa a fim de auxiliar no sustento da família.

Dioguina ensinou o ofício à outras mulheres da cidade, e, pouco a pouco, a atividade foi se desenvolvendo entre outras donas de casa e jovens moças que utilizavam a atividade como complemento da renda familiar. Nos anos 50 surgiu a primeira máquina de bordado industrial em Ibitinga.Com a nova ferramenta, a indústria do bordado iniciou-se na cidade.

A partir de então,o bordado deixou de ser uma fonte de renda extra e passou a se tornar a principal fonte de renda entre as mulheres da cidade. Com o início da produção industrial, o bordado começou a ser produzido em série, passando a atividade a dividir-se em várias fases, desenvolvidas por diferentes pessoas.

A divisão do trabalho, aliada ao rápido aumento da produção industrial, trouxe também o homem para a atividade. A confecção e o bordado assumiram o status de principal atividade econômica da cidade, que iniciava um rápido processo de desenvolvimento econômico.

O bordado, tradicionalmente identificado como atividade feminina, acaba, de certa forma, privilegiando o trabalho subcontratado, realizado em casa ou em pequenos salões de bordado, onde a mulher tem mais facilidade de conciliar o trabalho profissional com o doméstico. Isso pode explicar o grande número de bordadeiras que trabalham por conta própria.

As indústrias de Ibitinga concorrem com a atividade doméstica. E é comum encontrar mulheres trabalhando em suas próprias casas, embora tenham contrato com indústrias de bordado.

Segundo dados do SINDICOBI, hoje a cidade tem 450 empresas formais e 1200 informais, sendo que 99% delas são pequenas e médias. São cerca de oito mil trabalhadores formais e outros 10 mil informais.

Embora a história do bordado na cidade tenha começado com as mulheres, os homens também já participam ativamente da produção.

De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Bordado de Ibitinga, Eleuza de Cássia Bufelli, a quantidade de homens nas indústrias (formais) é superior a de mulheres.

Por outro lado, no setor informal, são as mulheres que dominam a produção dos bordados.Isso porque muitas delas montam em suas próprias casas salas de bordado e costura, onde trabalham com ajuda dos filhos, parentes e até os vizinhos.

Desse trabalho realizado no "quintal de casa" as mulheres Ibitinguenses tiram a renda que ajudará no orçamento da família, além de terem a oportunidade de desenvolver suas carreiras e administrar a sua vida pessoal (família) – aspecto considerado de grande importância para a maioria das mulheres.

Para a senhora Roseli A. Ferreira, 45 anos, e uma das mulheres que vivem da renda da produção caseira, o trabalho em casa permite que as mães de família, que não conseguem trabalhos formais nas indústrias de bordado da cidade, tenham uma renda extra e driblem o desemprego.“O bordado que faço em casa me ajudou a criar meus cinco filhos, e me ajudou a não passar dificuldades quando a firma que meu marido trabalhava fechou e ele ficou sem emprego”, declara Roseli.

A produção é vendida na "Feirinha do Bordado", como é conhecida a feira ambulante de produtos artesanais e semi-industrializados da cidade. A feira que acontece todos os sábados na praça central de Ibitinga é um dos pontos mais visitados pelos turistas.

A venda dos produtos caseiros é dada como certa, em alguns períodos do ano mais, em outros menos. A feira dos ambulantes tem grande participação nesse processo. É lá que as bordadeiras vendem os produtos fabricados em casa e divulgam seus trabalhos para os turistas.A ferinha do Bordado é o elo entre o trabalho informal das bordadeiras e o público consumidor.

“O setor de confecção de enxovais representa 80% do PIB de Ibitinga e a produção local equivale a 5% de tudo o que é produzido em cama, mesa e banho no Brasil”,finalizou Turco.



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