Ageuniara

Usuários do transporte público em São Carlos reclamam dos problemas enfrentados.

Por: KARINA PETRONI FISCHER

09/11/2007

De acordo com o Estatuto das Cidades (lei federal 10.257) que entrou em vigor em outubro de 2001, todas as cidades com mais de 20 mil habitantes devem possuir um plano diretor de desenvolvimento urbano; e as cidades que têm mais de 500 mil habitantes também precisam elaborar um plano diretor específico para transporte urbano. Cerca de 35 mil mortes são registradas anualmente no país por acidentes de trânsito; pelo menos 120 mil pessoas adquirem seqüelas permanentes; e são 300 mil feridos.

São Carlos não é diferente. Vários usuários do transporte urbano na cidade relatam descontentamento geral em relação a Athenas Paulista, empresa que tem a concessão da Prefeitura de São Carlos para oferecer os serviços de transporte coletivo urbano.

Alexandre Rufino, auxiliar de Enfermagem, usuário desse sistema, ressalta que “há vários problemas em relação aos ônibus, como a pressa dos motoristas e a falta de linhas nos finais de semana”. Ainda de acordo com Rufino, acidentes acontecem dentro do próprio ônibus sendo que ele já viu uma senhora ficar com perna presa na porta de saída do veículo.

Entretanto, de acordo com a Secretaria Municipal de Transporte, Trânsito e Vias Públicas (SMTTVP), de São Carlos, responsável pela fiscalização e gestão do sistema de transporte, os estudos econômicos que foram realizados para elaboração do edital de licitação apontaram que para as características operacionais (frota, demanda, custos operacionais) uma única empresa consegue atender a demanda dos usuários.

Em relação a outro problema enfrentado pelos usuários desse sistema, a velocidade com que os motoristas dirigem, a reportagem falou com Eva Apolinário Francelino, de 59 anos, que sofreu um grave acidente dentro do ônibus direção Vila São José/Marcelino, no dia 9 de agosto de 2007. Eva relatou que nesse dia pegou o ônibus junto com seu filho e ambos se sentaram no fundo do veículo e, devido à rapidez com que o motorista dirigia, em dado momento, a traseira do ônibus subiu e ela caiu no chão.

“Eu senti uma dor muito profunda e não conseguia levantar. O motorista então me levou ao Hospital e lá o médico disse que eu tinha fraturado uma vértebra e deveria fazer uma cirurgia”, relata Eva que entrou com um processo contra a Empresa Athenas, mas não quis se manifestar em relação ao nome do advogado ou ao processo.

Eva esteve 21 dias internada e foram colocados seis pinos na operação realizada em sua coluna. Um empregado da Viação Athenas, Sr. Mauricio, foi ao Hospital somente três dias depois do acidente, mas nenhum tipo de indenização lhe foi oferecida. “Desde o acidente, tenho que tomar muitos remédios como antibióticos, antidepressivos. Não posso fazer esforços físicos e nem ajudar mais em casa”, relata.

A SMTTVP, em entrevista à Ageuniara, afirma que as reclamações encaminhadas tanto pelo telefone (0800-770-1552) quanto pelos outros meios (ofício ou e-mails) referentes ao transporte coletivo são verificadas, e tomadas as providências junto à empresa concessionária, mas Eva confirma que nenhum representante dessa Secretaria lhe procurou.

A Ageuniara também procurou alguém que pudesse falar pela Empresa Athenas, mas ninguém retornou as ligações para esclarecer o que aconteceu a Dona Eva Apolinário.

Para o Professor Doutor Antonio Nelson Rodrigues da Silva, do Departamento de Transportes da Escola de Engenharia de São Carlos, ”a cidade clama por um Plano Diretor sendo preciso construir a cidade a partir do que já existe, o que significa planejar o futuro em termos de curto, médio e longo prazo, de forma a evitar que os problemas do passado se repitam ou se agravem”. Para Silva, o “plano diretor deve ser o instrumento para concretizar essa aspiração”.

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