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Preço do leite sobe devido à ampliação do mercado e redução das pastagens

Por: KARINA PETRONI FISCHER

09/10/2007

O preço do leite nos supermercados, do início do ano até agosto, subiu 61%, constata o Dieese. O avanço da cana, reduzindo as áreas de pastagens, e o crescimento do mercado internacional são os responsáveis pela elevação do preço do leite.

De acordo com levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o preço do leite, de janeiro a agosto de 2007, teve alta de 61%, contra 2,1% da inflação. Foi constatado pelo DIESE que a alta generalizada do preço do leite se deve a inúmeras causas, entre elas a diminuição da taxa de crescimento da produção de leite.

Na opinião de André Novo, agrônomo da Embrapa de São Carlos, “a presença da globalização econômica em praticamente todos os ramos da agropecuária dificulta precisar o impacto de determinado evento em outro, sem interferências diversas”.

Para Novo, alguns dos motivos que vêm simultaneamente elevando os preços pagos aos produtores são: maior demanda mundial de leite e derivados pelo aquecimento da economia global, principalmente na China; baixos estoques na indústria brasileira e seca pronunciada no Brasil Central; a entrada de novos países do Leste europeu, o que aumentou a demanda de lácteos da EU; a redução dos subsídios também na EU; fatores climáticos adversos nos países tradicionais exportadores (seca na Austrália e Nova Zelândia); elevação surpreendente do preço da tonelada do leite em pó no mercado internacional (de uma média histórica de US$ 2.200,00/t para R$ 5.200,00/t)sendo que esses valores no mercado externo tornaram o Brasil competitivo, mesmo com o dólar abaixo de R$ 2,00. Além disso, o agrônomo destaca que, internamente, 2006 foi um ano de preços baixos pagos ao produtor, o que se refletiu na produtividade deste ano e, finalmente, o avanço da cana de açúcar sobre áreas de pastagens antes destinadas a bovinos de corte.

Cláudio Di Salvo, vice-presidente do Sindicato Rural de São Carlos e Coordenador do Serviço Social de Aprendizagem Rural (SENAR), afirma que “o avanço da cana de açúcar foi inevitável, uma vez que a questão energética é um ponto diferenciado e a agricultura energética é uma realidade que os agricultores estão vivendo”.

Salvo enfatiza que os pequenos e grandes produtores de leite já vinham sofrendo prejuízos porque houve desatenção do Governo. "O produtor não teve outra saída a não ser deixar de lado a produção de leite que não estava dando lucros e partir para a produção de cana de açúcar e assim, muitas matizes foram vendidas para o frigorífico”, diz Salvo. Esse movimento fez cair a produção nacional de leite.

Para o vice-presidente do Sindicato Rural, o produtor foi obrigado a migrar de uma atividade para outra porque faltou uma política para a pecuária leiteira. "A pecuária extensiva deu lugar à pecuária intensiva, mas é mais fácil para o Governo passar à população que agora está sofrendo no bolso as conseqüências da alta do preço do leite como sendo culpa do produtor, mas não se mostra que este produtor tem que pagar funcionários, comprar ração e, no entanto, não tem retorno”.

Glauco Carvalho, pesquisador e economista da Embrapa, acredita que “ainda não dá para esperar que o preço do leite caia rápido, já que o aumento é sempre maior que a queda", mas afirma que haverá recuperação das pastagens melhorando a oferta do produto.

O SENAR e a EMBRAPA, antecipando o problema que os produtores de leite enfrentariam com o crescimento da produção de cana de açúcar, criaram um programa chamado Pró-Leite tendo como objetivo focar o pequeno produtor e direcioná-lo à produtividade e, conseqüentemente, à rentabilidade.

Os cursos oferecidos pelo SENAR são gratuitos e desenvolvidos dentro da propriedade do produtor. “Com esses cursos, os produtores perceberam qual eram os erros que estavam cometendo em sua produção e porque estavam perdendo dinheiro.” diz Salvo.

De acordo com o Guia do Consumidor, divulgado pela Secretaria Municipal de Agropecuária e Abastecimento, o litro do leite Longa Vida pode ser encontrado a R$ 1,59 em alguns supermercados da cidade sendo que há algumas semanas, o preço do leite era de R$ 2,25.

Para Claudio di Salvo, haverá um equilíbrio inevitável entre a oferta e a procura. “Se levarmos em consideração que o produtor de leite voltou a ter lucro, é inevitável que aquele que estava produzindo cana volte a produzir leite, o que seria um desperdício".

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