Ageuniara

Lojas de CDs entram em extinção

Por: FABIANA DE PAULA

08/10/2007

Um mercado praticamente extinto em Araraquara(SP), as lojas de Cds, não sobreviveram à era digital e a invasão das mega stores.

Os sites de compartilhamento de arquivos se tornaram mania entre os apreciadores de música e as promoções espalhadas pelas prateleiras dos hiper-mercados, acabaram com a magia de circular entre os pequenos espaços e vasculhar disco por disco e trocar dicas entre os freqüentadores e funcionários das lojas.

Na década de 90 funcionavam pelo menos 4 lojas na cidade, a Chanton, a Hi-Fi, a CD Shop e a Paranóia. Essas lojas vendiam CDs nacionais e importados numa época em que a diferença de preços entre as duas mercadorias era insignificante e trabalhavam também com vinis e artigos relacionados à mídia, áudio-visual e acessórios.

Essas lojas tinham um público variado e contavam com clientes fiéis que, em sua maioria, buscavam os funcionários para conseguir informações sobre lançamentos e novas bandas de diferentes estilos.

O auxiliar de biblioteca, Luiz Carlos da Conceição, trabalhou durante cinco anos na CD Shop e se viu obrigado a deixar a loja em 2002 devido à crise. “Naquela época o mercado já estava em total baixa e as vendas estavam péssimas”, afirma ele que considera a Internet o maior vilão da extinção das lojas do ramo.

O fácil acesso a álbuns inteiros através da Internet colaborou para a grande proliferação da pirataria e possibilita, hoje em dia, o acesso a álbuns que sequer foram lançados no mercado, álbuns que “vazam” na Internet, geralmente postados por alguém que teve acesso, anteriormente, e os disponibiliza para download em um dos diversos sites de compartilhamento de arquivos. Com toda essa facilidade para se obter músicas, algumas pessoas ainda optam por comprar CDs, ocasionalmente. É o caso do músico Mauricio Giazzi, que compra CDs desde os anos 90 e hoje em dia dá preferência às lojas especializadas que oferecem obras dificilmente encontradas, mesmo na Internet.

“Tem coisas que não encontro na Internet, música erudita contemporânea, ou coisas antigas e raras que ninguém conhece de artistas que pertencem ao underground”, comenta.

A Paranóia Rock Shop foi uma loja especializada em rock, aberta nos anos 90 por Antonio Parreira Neto, quando as lojas de CDs ainda representavam um negócio rentável. Apaixonado por música, ele montou a loja com a ajuda da esposa e tinha como público fiel, os fãs do gênero na cidade.

Além de CDs, a Paranóia vendia camisetas de bandas, revistas especializadas em rock, DVDs, fitas VHS e acessórios. Neto, que hoje trabalha numa empresa de arquitetura em Montreal, no Canadá, vendeu sua loja porque planejava a mudança para o exterior e acreditava que o futuro do CD era incerto.

“Eu podia simplesmente dizer, eu já sabia, mas apesar do preço abusivo eu acho que o mercado ainda existe para o público roqueiro”, afirma. Segundo ele, o público deste gênero específico se preocupa com a boa qualidade sonora e gráfica da mercadoria que adquire, por isso não se interessa pela pirataria e downloads na Internet.

Existe ainda um público que não tem acesso à internet e recursos como banda larga, o que dificulta os downloads e abre espaço para outro mercado que sobrevive da venda de CDs usados. Um exemplo disso é a Espaço Alternativo, loja que há mais de 15 anos vende CDs, LPs, quadrinhos e revistas para um público variado. “Aqui vendemos de tudo um pouco, agora mesmo veio um senhor me pedir disco do Zilo & Zalo” comenta o proprietário Jefferson Rosseti, que ainda realiza a conversão de LPs para CDs e a digitalização de fitas K-7 a pedido de seus clientes.

Outra saída para este mercado são os vinis, que se tornaram verdadeiras raridades e hoje tomaram status de obras de arte, disputadas por colecionadores.

Formado por pessoas que não abrem mão da sonoridade do disco de vinil isso envolve certa nostalgia que conquista vários adeptos, apaixonados pela música. Na cidade, alguns exemplares são encontrados no Espaço Alternativo, na Túnel do Tempo e nos diversos sebos da região.



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