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O cinema que poucos assistem em Araraquara

Por: FABIANA DE PAULA

12/09/2007

Há décadas,o cinema atrai para suas salas multidões que vão em busca de entretenimento e diversão. Algumas pessoas apaixonadas pela sétima arte, os chamados cinéfilos, preferem os filmes que convidam à reflexão, geralmente obras independentes que fazem parte do circuito alternativo de cinema.

Em Araraquara(SP) estes filmes são exibidos pela Sessão Zoom, um projeto em parceria entre a Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Centro Universitário de Araraquara (Uniara), o Sesc, a prefeitura e o Cine Lupo.

Criada na década de 60 por iniciativa de universitários insatisfeitos com a carência cultural da cidade, passou por alguns períodos de recesso e, em 2003, consolidou-se em seu formato atual. Hoje, as exibições ocorrem no Cine Lupo e arrastam fiéis adeptos que se reúnem quinzenalmente para ver filmes projetados em formato 35mm com entrada a R$ 1,00.

Os filmes exibidos são selecionados por uma comissão de membros ligados às instituições que realizam o projeto.“A comissão editorial sugere e analisa alguns dos títulos guiados,na maioria ganhadores e participantes, exibidos em festivais. As Mostras também são uma boa fonte de referência”, afirma Rodrigo Almeida, 26 anos, estudante de Letras da Unesp e um dos responsáveis pelo projeto.

Ele lamenta a impossibilidade de realizar um maior número de exibições. “O nosso preço a baixo custo não é bem visto nas empresas distribuidoras, que preferem arcar o quíntuplo do que elas fecham conosco (devido ao caráter cultural) pelos direitos de exibição”, comenta.

Formado, em sua maioria, por estudantes e moradores da cidade, o público da Sessão Zoom se consolidou e ir ao cinema, a cada duas semanas, virou um hábito. Há três anos, a estudante Isabella Santana, 18 anos, é freqüentadora assídua do projeto quando ele ainda ocupava a ampla sala do Espaço Cultural Paratodos, hoje desativado.

Ela se informa mensalmente pelo site do projeto e vai a todas as sessões.“Eu procuro ler sobre os filmes, mas já me enganei muito com críticas. Além disso, eu confio na programação que sempre costuma me agradar”, diz Isabella.

Para algumas pessoas como Cecília Pagliarini, 74 anos, ver um filme a cada 15 dias não é o suficiente. Cinéfila desde a juventude, ela ministra palestras motivacionais e em suas horas vagas, aproveita para ver os filmes em cartaz.

Todas as semanas ela percorre o circuito exibido nos dois cinemas da cidade e freqüenta a Sessão Zoom desde os tempos em que o Paratodos se chamava Cine Capri. Ela ainda se recorda do último filme exibido antes do cinema encerrar suas atividades: A Casa de Vidro.

Cecília que tinha o costume de ir ao cinema acompanhada pelo marido, agora viúva manteve o hábito e vai sempre sozinha. O cinema representa para ela uma opção de lazer onde encontra semanalmente os seus amigos.

Na cidade, há 57 anos, ela coleciona os bilhetes de entrada que guarda com carinho e se lembra de um tempo em que eram exibidos seriados nas grandes telas.“Em Tabatinga, onde morava quando criança, ia ao cinema com meus irmãos ver Os Tambores de Fu Manchu”, comenta.

O amor por trás das telas

O encanto pelo cinema em Araraquara é um caso antigo. Nos anos 60, um talentoso jovem que chegou a cidade na década de 30, escreveu o roteiro, produziu, dirigiu, atuou e lançou um longa-metragem, feito considerado impossível para a época.

Com o intuito de levar o cinema de Araraquara para o Brasil, Wallace Leal Valentin Rodrigues fundou a companhia Arabela e realizou em 1958 “Santo Antônio e a Vaca”, filme todo rodado na região que contou com um elenco exclusivamente formado por moradores da cidade, além da colaboração de artistas locais para a trilha sonora e produção.

O filme estreou em abril de 1961 no Cine Odeon onde ficou dez dias em cartaz e foi visto por cerca de 12 mil pessoas. Recentemente foi restaurado e exibido na cidade.

Sem receber nenhum apoio de instituições federais ou locais,os lucros foram usados para pagar as despesas com o filme que foi distribuído nacionalmente durante cinco anos e,depois, retirado de circulação por falta de renovação das cópias.O roteiro do filme e algumas esculturas utilizadas pela produção estão disponíveis no museu da cidade.

Seus trabalhos incluem ainda o documentário “Aurora de uma Cidade”, filmado em 1953, a fundação do Clube do Cinema e inúmeras obras literárias e teatrais.



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