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Comércio legal de animais silvestres esconde tráfico de espécies em extinção

Por: NINA FERREIRA DE ANDRADE

21/11/2006

Desde que o Ibama considerou legal a venda de animais silvestres procedentes de cativeiros comerciais, cada vez mais lojas surgem com esse novo comércio bastante lucrativo. Porém, esta prática é questionada por diversos ambientalistas, que afirmam ser a comercialização em lojas o fator que mais incentiva o tráfico de animais silvestres no Brasil.

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) autorizou, em 1998, por meio de decreto, a venda de animais silvestres provenientes de cativeiros comerciais e desde então a presença de sagüis, araras, tucanos, entre outros animais, é cada vez mais comum nas pet shops.

Em São Carlos há uma loja especializada somente na venda de animais silvestres. Segundo um funcionário do estabelecimento, que preferiu não se identificar, os animais são trazidos de um cativeiro comercial do Mato Grosso e a loja possui autorização do Ibama para a prática. Os preços são altos e variam de acordo com a espécie. Um dos animais mais procurados, o sagüi, custa em média R$ 2.400. Outro bastante vendido é a arara vermelha, que custa R$ 3 mil.

A Polícia Ambiental da região informa que há outras lojas no interior que comercializam animais silvestres, mas admite dificuldade em fiscalizar a procedência desses animais. Para saber se os animais são oriundos do tráfico ilegal ou não, a verificação deve ser feita nos locais de origem, geralmente as Regiões Norte e Centro-Oeste do país.

Pelo fato do comércio de animais silvestres ser uma atividade muito lucrativa e procurada, isso pode representar uma ameaça à preservação da fauna brasileira. De acordo com Relatório da Renctas (Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres) a comercialização em pet shops é o fator que mais incentiva o tráfico de silvestres no Brasil.

Segundo o estudo, são quase 38 milhões de espécimes retirados de seu habitat por ano. Desse número, apenas 10% chegará ao destino final.

Para a ambientalista Margaret dos Santos, sabe-se que o Ibama não dispõe de um número adequado de funcionários para fiscalizar o comércio de animais silvestres. “No mercado esses animais são vendidos por preços bem altos e só isso já leva a crer que é uma atividade lucrativa e provavelmente será utilizada por pessoas de má fé”, afirma.

“É importante que se preservem também os habitats desses animais, caso contrário, no futuro só veremos animais enjaulados, em zoológicos e lojas, e não mais nas florestas”, ressalta.

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