Ageuniara

Amizades começam na estrada

Por: CARLOS ANDRE DE SOUZA

20/09/2006

Diariamente centenas de alunos encaram as estradas da região em viagens, a fim de assistirem as aulas em suas faculdades. Eles viajam de ônibus, microônibus, vans e, muitas vezes, dividem o valor do combustível em um grupo de estudantes e seguem o caminho de carro.

Normalmente o percurso não é demorado, variando de 30 a 90 minutos, mas o convívio diário faz com que, muitas vezes, motoristas e alunos criem vínculos de amizade, o que acaba resultando em histórias inusitadas.

César Ribas Júnior é estudante da Faculdade de Tecnologia(Fatec) de Taquaritinga (SP) e viaja diariamente em um ônibus que leva os alunos de Araraquara (SP) para a aquela cidade.

Ele lembra que, há alguns anos, um dos alunos que viajava com ele, tinha problemas para se manter acordado durante a viagem, o que o transformava no principal alvo de brincadeiras da turma. “O apelido dele era Boquita e ele tinha um problema de saúde que fazia com que dormisse ao sentar na poltrona do ônibus”, descreve.

Certo dia, o próprio motorista sugeriu aos alunos uma brincadeira, que prontamente foi aceita por todos. No meio da viagem, o veículo pararia no acostamento e o motorista gritaria “fogo”. Todos os alunos interpretariam uma cena de pânico, gritando e correndo como se realmente houvesse um incêncio.

“O plano foi executado perfeitamente e o Boquita teve que ser alcançado em um matagal a cem metros do acostamento. Não deu nem tempo de vê-lo sair do ônibus”, completa.

Paulo Zavan é o responsável por uma van que transporta um grupo de universitários araraquarenses para São Carlos(SP). Segundo ele, situações inusitadas não faltam nas viagens. “Tinha uma moça que passava mal durante a viagem e vomitava quase todo dia, mas a vontade em se formar era muito forte e ela foi lidando com o empecilho por quatro anos”, lembra o motorista, que torceu muito para a formatura da moça.

Outras situações, como alunos alcoolizados e bagunças generalizadas também fazem parte do seu cotidiano. Zavan lembra ainda de um aluno que sempre atrasava o pagamento.

“Muitas vezes ele chegava perguntando se havia pago, eu dizia que não e ele completava: ‘Puxa, que mancada! Esqueci!’. Certo dia não passei no ponto dele, então no dia seguinte perguntei se eu tinha passado lá. Ele respondeu que não e eu disse: ‘Puxa, que mancada! Esqueci!’”, narra o motorista.

Em um ônibus que leva alunos sãocarlenses para o Centro Universitário de Araraquara (Uniara) em Araraquara, o motorista José Carlos de Almeida também já desenvolveu uma convivência familiar com os alunos. “Uma vez uma menina que era nova no ônibus se sentou no lugar de outra menina, que por sinal viajava sempre ao lado do namorado. A menina não quis sair do lugar e na volta acabou gerando uma confusão. Ficamos todos até umas quatro horas da manhã na delegacia”, conclui o motorista.

As viagens muitas vezes colaboram para a quebra da rotina e do dia-a-dia cansativo, na maioria das vezes restrito a trabalhos e provas, contribuindo para momentos de descontração e divertimento.

Quatro anos de convivência é um período significativo para pessoas que se encontram diariamente, ainda que por um espaço curto de tempo, num ônibus ou em qualquer outro veículo.

É tempo suficiente para a criação de laços, mesmo para aqueles que não frequentam os mesmos cursos, mas que diante de um relacionamento informal em frequentes viagens podem levar boas e sinceras amizades para o restante da vida.



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