Ageuniara

Projeto para a terceira idade tem capoeira e música raiz

Por: PEDRO LUIZ SANTANA

06/06/2006

Um projeto desenvolvido com a terceira idade em Araraquara mistura a arte da capoeira com música raíz. São mais de dez idosos que participam do projeto criado há três anos.

Os movimentos já não são tão rapidos, mas o espirito continua jovem. A capoeira trouxe vitalidade para essa turma que lutou muito com a vida. O trabalho é desenvolvido há mais de um ano no Lar São Francisco de Assis, em Araraquara. Atualmente são onze participantes, sendo que apenas dois são do sexo masculino.

De acordo com o educador fisico e capoerista Alexandre Papándre Lemos, um dos idealizadores do projeto, a união do berimbaú com outros instrumentos, como a viola e o pandeiro, contribui para que os idosos se interessem mais pela prática do esporte.

Foi o que aconteceu com seu José dos Santos, conhecido como Nino, que não conhecia e nunca havia mantido contato com a capoeira. Ele mora no Lar São Francisco de Assis há mais de um ano e meio e adora fumar cachimbo, hábito típico de quem viveu na roça.

Seu Nino aceitou o desafio e não teve dúvidas em aderir ao projeto. Como não é muito adepto de atividades físicas, está dando sua contribuição com o que mais gosta de fazer, tocar viola caipira. "Antes eu não tinha vontade de pegar a viola, agora eu não vejo a hora de chegar o final de semana para poder fazer um sonzinho para os amigos; depois do projeto fiquei mais animado e feliz”, diz José.

A idéia de inovar com instrumentos diferentes partiu dos próprios moradores do lar, que preferiram o estilo de melodias que mais apreciam, a música de raíz.

A princípio pode parecer estranha a presença da viola caipira e também das modas de raíz durante as aulas e apresentações de capoeira. Mas para o grupo de alunos e o professor Papándre, a grande mistura é muito natural já que a proposta de trabalho é permitir uma nova leitura da arte popular.

As aulas são realizadas em uma área verde do Lar todos os finais de semana e sempre pela manhã. De início os participantes fazem um aquecimento especial quando é utilizado um pára-quedas para estimular a coordenação motora.

De acordo com o professor, além de resgatar a auto estima dos alunos, a capoeira desenvolve a motricidade e noções espaciais que ao longo dos anos as pessoas vão perdendo. Segundo ele, o esforço físico não prejudica essas pessoas com idade já avançada. "Tudo é realizado com muita cautela; os exercícios são direcionados para grupos de idosos e sempre no final das apresentações a sensação de bem estar é visível em cada um deles", constata.

Outra participante muito animada é Nézia Maria Viriato. Desde que começou a participar das aulas, deixou a tristeza de lado. "É muito bom, eu gosto bastante e faz bem para a cabeça da gente", destaca. "Ela é um grande exemplo, pois a cadeira de rodas não representa um obstáculo e sim um desafio", completa o professor, referindo-se à dedicada aluna.

O projeto capoeira, coordenado por Alexandre Papándre, foi criado há três anos e envolve não apenas o grupo de terceira idade. São mais de trezentos participantes de nove instituições, com idade entre cinco e oitenta e cinco anos. Além do Lar São Francisco, também é realizado na APAE, FEBEM e Lar Nosso Ninho.

O projeto já foi premiado em 2005 pelo CEPAM, prêmio criado pelo Governo do Estado e que contempla os melhores trabalhos desenvolvidos.

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