Ageuniara

Pesquisadores analisam o fenômeno da globalização

Por: ALEXANDRE HABBIB MORI

15/03/2006

O sociólogo Luis Henrique Rosim, a professora Iride M. Valdemarin Tognolli e o secretário municipal de Cultura de Araraquara (SP), Sérgio Lago, têm uma visão crítica sobre o processo de globalização, um fenômeno presente e atuante, em nosso dia-a-dia há, pelo menos 20 anos.

De acordo com o sociólogo Luis Henrique Rosim, que também é professor do Centro Universitário de Araraquara-UNIARA, a globalização é o processo de pasteurização, de homogeneização das coisas sob influência, normalmente das culturas com maior poder econômico sobre as outras. “A cultura especialmente se torna única, com um mesmo formato, invadindo e destruindo a cultura local”,explica.

Para a professora de Cultura Brasileira, Iride Tognolli, também do Centro Universitário de Araraquara – UNIARA, a globalização é um processo violento por descaracterizar vários costumes de todos os paises.

"Mas o Brasil nunca teve uma cultura própria. Se pegarmos os negros africanos, os índios e depois os europeus que vieram como imigrantes, nossa cultura já assimilou todos esses valores. Tudo é uma mescla, uma miscigenação. Tudo aqui é estrangeiro, então para o brasileiro assimilar outros adjetivos a essa cultura já globalizada é a coisa mais fácil do mundo”, afirma.

Ela explica que existe uma preservação da cultura brasileira nos grupos folclóricos, por meio de uma família, um local. Mas de um modo geral a globalização está muito infiltrada nos meios de comunicação."Acabamos tendo em termos de cultura o padrão Rede Globo de Televisão, por esse motivo que ficamos cada vez mais longe de nossas raízes",observa.

A professora Iride relata que a globalização é nada menos que o fortalecimento do capitalismo. "Um bom exemplo disso no Brasil e a chegada das lojas de 1,99",exemplifica.

Para o secretário da cultura de Araraquara, Sérgio Lago, é muito difícil pensar em uma arte genuinamente brasileira, que tenha um conteúdo que proceda de um sentimento puramente nacional, pois segundo ele, a globalização se faz sentir através da música, da economia, literatura, enfim nas questões das artes como um todo.

"Fica difícil não perceber essas influências nos trabalhos brasileiros. Mas não vejo isso como um ponto negativo, temos que ser antropofágicos. Pegamos essas influências globalizadas, digerimos e expelimos de uma forma única. Essa questão de deglutir é muito do brasileiro. Ele não é um copiador é um transformador".

Lago diz ainda que fazer cultura, não só no Brasil, mas em qualquer lugar do mundo é um ato de estoicismo. “A pessoa que trabalha no meio artístico não encontra facilidade para desenvolver sua arte, nem subsídios necessários. Ele tem que ser um batalhador, um abridor de caminhos. Essa pessoa tem que realizar seus sonhos a partir dele próprio".



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