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COMUNICADO

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Corte de cana é alternativa para trabalhadores rurais em Araraquara

Por: JEFERSON WILLIAM LEME

02/12/2005

O corte de cana na região de Araraquara(SP) tem sido uma das principais alternativas para trabalhadores rurais principalmente da região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, uma das mais pobres do Brasil que não encontram emprego em suas áreas. Esse contingente de trabalhadores somente na região somam sete mil.

A Pastoral do Migrante do Estado de São Paulo considera a região de Ribeirão Preto, Araraquara, Campinas e Piracicaba a mais preocupante no combate às más condições de trabalho nos canaviais. As denúncias são inúmeras, incluindo trabalho exaustivo e presença de gatos nas contratações.

Para investigar os problemas, formou-se uma força-tarefa integrada pelo Ministério Público Federal, Procuradoria do Trabalho e até da Organização das Nações Unidas.

Desde novembro de 2004 as mortes já somam onze com suspeita de trabalho excessivo. As usinas se colocaram à disposição da Procuradoria do Trabalho para auxiliar nas investigações.

Quando ocorrem acidentes, os trabalhadores registrados são atendidos com curativos provisórios para que possam continuar o serviço. Nos casos graves, são encaminhados ao posto de saúde do município mais próximo do local de trabalho.

O Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público Federal estão investigando e analisando as causas das mortes. Uma das suspeitas é que as mortes tenham ocorrido por exaustão nas lavouras de cana. A última morte ocorreu na região de Piracicaba.

Em duas fazendas, em Rincão(SP), que fornecem cana-de-açúcar para a Usina Maringá, de Araraquara, foram constatadas várias irregularidades nas condições de trabalho de cortadores de cana.

Segundo o engenheiro do trabalho e representante do Ministério Público do Trabalho, Marcos Botelho, "na Fazenda Liberdade, foram verificadas as faltas de equipamentos de proteção individual, abrigo para refeições, sanitários e água refrigerada".

Ele afirma que em outra propriedade rural em Rincão, a "Fazenda Santa Francisca", que já estava na fase final do corte de cana, um ônibus em mas condições, tinha um pneu solto em seu interior, além um tanque irregular de água que era usado pelos cortadores de cana. "A Usina Maringá foi notificada sobre essas irregularidades",completa.

De acordo com Botelho "em Altinópolis, foram constatadas várias irregularidades. Como trabalhadores sem registro, pagamento abaixo do piso, falta de reposição de equipamentos de proteção, ausência de atendimento de primeiros-socorros e desorganização trabalhista", diz.

A cada ano que passa surgem denúncias mais freqüentes apontando más condições de trabalho nos canaviais. Apesar da ação dos órgãos a cada ano novos problemas surgem. É necessário que a lei seja mais rigorosa para que a humanização dos alojamentos e condições de trabalho se torne no minimo dignas.

A agroindústria canavieira emprega mais de um milhão de trabalhadores. Em todo o País, 80% do corte de cana-de-açúcar é executado por processos manuais. A maioria desses trabalhadores não possui qualificação a não ser o trato da cultura de cana-de-açúcar.

De acordo com dados da Pesquisa de Atividade Econômica Paulista (Paep), a produção de cana-de-açúcar sobressai-se na atividade agroindustrial em São Paulo, como a primeira nesse ramo de atividade, no que se refere aos indicadores de emprego, receita, remuneração e valor adicionado.

As regiões que mais se sobressaem nesse cultivo são as de Ribeirão Preto, Piracicaba, Araraquara e Bauru, com exceção de Bauru, são regiões do Estado onde se concentram as agriculturas de maior valor comercial, em particular as atividades dos complexos agroindustriais de cana-de-açúcar e da laranja.

No Estado de São Paulo, cerca de 75% da área plantada de cana-de-açúcar ainda é cortada manualmente. É interessante observar que, diversos municípios que registraram os maiores volumes de acidentes do trabalho encontram-se geograficamente localizados nas áreas de maior valor comercial do Estado, e as que empregam mais mão-de-obra para a atividade agrícola, são as regiões de Ribeirão Preto, Araraquara, Campinas e Piracicaba.

No ambiente de trabalho, a poeira da cana associada ao forte cheiro de veneno e aves mortas durante a queimada dos canaviais, somada ao sereno, ao sol e a chuva, frio e calor mais a falta de abrigos, sanitários e água potável, nos dão uma idéia do que é viver a condição de bóia-fria, ser um assalariado rural temporário.

Não é difícil imaginar as conseqüências da falta de condições de trabalho dia-a-dia por estas pessoas. "É um trabalho cansativo demais. Já soube da história de um cortador que morreu no campo abraçado à cana. É triste demais", diz o trabalhador rural Anderson Benedito da Silva.

Dentre as conseqüências: paralisia facial por choque térmico, doenças respiratórias, alergia da cana, acidente com instrumento cortante por falta de equipamentos de proteção, diarréia prolongada, problemas no aparelho urinário, insuficiência renal, problemas visuais, problemas auditivos, problemas de coluna, intoxicação por fumaça, poeira e veneno, verminoses e alimentação fria e em horários irregulares.

Em sua maioria, os trabalhadores que se dedicam ao corte da cana em São Paulo, de maio a novembro, pleno período da safra, são provenientes dos estados nordestinos.

Os migrantes em sua maioria são jovens de dezoito a quarenta anos e são provenientes dos estados da Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, Maranhão e Paraíba. Afugentados pela seca e pela miséria e sem melhores opções de trabalho na capital paulista, acabam se fixando no interior.



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