[ mostrar mensagem ]

COMUNICADO

Em vista das melhorias que estão sendo realizadas na portaria principal da Unidade I da Uniara, alunos, interessados e colaboradores devem utilizar a entrada localizada na Rua Voluntários da Pátria, 1309 (Rua 5).

Cordialmente,

Universidade de Araraquara - Uniara

[ ocultar ]

UNIARA

Ageuniara

Corpo é utilizado como meio de expressão

Por: WALDIRENY MARCILLI SECONDINO

30/11/2005

Em todas as sociedades o corpo é utilizado como veículo de expressão.Pessoas que se são ícones na multidão diferenciando-se por utilizar o corpo como forma de expressar seus sentimentos, às vezes são mal entendidas ou mesmo discriminadas por causa disso.

O piercer (colocador de piercing), Maurício Gomes da Silva estuda a origem das artes . Ele tem mais de 40 por cento de seu corpo tatuado e garante que cada figura tem uma história e um significado que marca cada etapa vivida.

O piercing localizado na região dos lábios, por exemplo,de acordo com ele, vem da civilização Inca. Eles utilizavam o adorno para se comunicarem com o deus do Sol. “Na Índia os alargadores também trazem luminosidade”, acrescenta.

A primeira tatuagem dele foi um tribal fosco, um maori, uma espécie de arte precursora da tatuagem. Ele tinha, na época, 18 anos e já sabia que a arte da tatuagem havia surgido na Nova Zelândia, uma tradição das tribos Maori na qual somente os bravos e corajosos guerreiros podiam ser tatuados. E que existe indícios de tatuagem em múmias de dois mil anos.

Em ilhas do Pacífico, a tatuagem era somente feita em nobres tribais. Outras tatuagens “vieram”, e com elas, histórias preconceituosas.

Silva diz que nunca foi taxado, apesar da quantidade de tatuagens e perfurações existentes em seu corpo, mas percebe a aversão de pessoas pela arte. “Se eu estou em um carrão, elas (as pessoas) me julgam um playboy que quer apenas aparecer. Se vou a uma padaria, por exemplo, de chinelo os olhares são de repulsa, como se olhassem uma aberração”, diz.

O piercer acredita que é fundamental o conhecimento para tomar a decisão de mudar algo em seu corpo. Em muitos casos de menores que procuram, em companhia dos pais, a perfuração, a colocação só foi efetivada depois de muita conversa e alguns dias.

Com o estudante Deives Morialli, aos 15 anos de idade iniciou sua “luta” em busca de uma identidade, quando decidiu que queria usar brinco. O fato de ser menor fez valer as ordens contrárias de sua mãe.

Depois dos 18 anos, ele trocou a idéia de colocar um brinco pelo piercing, e a quantidade foi aumento conforme a necessidade de chamar mais ainda a atenção. Hoje, são oito piercings e um alargador, distribuídos pelos lábios, língua, mamilos e orelhas.

Para ele destacar-se é o fundamental, além de atrair cada vez mais “gatinhas”.Ele conta que a “briga” em sua casa teve início há quatro anos, quando decidiu que queria usar brinco, mas devido a pouca idade teve que obedecer às ordens de sua mãe. Ela e seu pai foram contrários a idéia “revolucionária” do filho.

Assim que Morialli completou 18 anos, “correu” e colocou um piercing. Segundo ele, porque ninguém tinha e o brinco já era comum.

O número de piercings cresce quando a idéia é ser mais diferente. Hoje, são “brincos” nos mamilos, umbigo, lábios e língua.

O sucesso que ele faz na hora da paquera arrasa, sendo o bastante para superar o preconceito que sofre. “Basta enumerar os piercings que as garotas se sentem atraídas, e beijam”, afirma.

Em sua casa, ele diz que a mãe já se acostumou, mas seu pai pede para que ele tire os piercings. Morialli lembra que uma vez chegou a casa de sua avó e percebeu que as amigas dela lhe lançaram olhares de desaprovação, como se estivessem diante de uma aberração. “Eu simplesmente não liguei”, diz.

Já com a estudante, cantora e instrumentista Ekena Monteiro, as coisas caminharam de um jeito bem diferente. Conta que a sua identidade visual se formou na infância.

Ekena aos 16 anos, explica o que realmente quer “ Não quero ser confundida nas ruas com pessoas “feitas em série”, a idéia é mostrar ao mundo que tem estilo, o punk de boutique”.

Mas ser diferente tem um preço, e Ekena ainda “paga” por ele. Ela perdeu um ano de estudo, o segundo colegial, porque pintou os cabelos de laranja.

O colégio particular no qual ela estudava não aceitou o estilo “revolucionário” da garota.Segundo a antropóloga e escritora, Ana Lúcia Castro, o corpo é a primeira mídia do homem, e é por meio dele que é feita uma comunicação com o mundo. “O corpo é expressão da sociedade e dos modos de vida cotidianos”, diz.

De acordo com a antropóloga, no Brasil o crescimento da preocupação com a apresentação corporal é evidente. O hedonismo e o narcisismo, característicos da cultura de consumo, são fenômenos ligados ao culto ao corpo.

Castro explica que o corpo é a primeira mídia do homem, e que é por meio dele que é feita uma comunicação com o mundo. Ela ressalta que os hábitos adotados sobre o corpo, os padrões que definem sua “normalidade” e aceitação são a representação da organização social na qual ele está inserido, levando a crer que a relação corpo e sociedade são de fundamental importância.

Destaques:

Reportagens recentes:

Todas as reportagens

Reproduzir o conteúdo do site da Uniara é permitido, contanto que seja citada a fonte. Se você tiver problemas para visualizar ou encontrar informações, entre em contato conosco.
Uniara - Universidade de Araraquara / Rua Carlos Gomes, 1338, Centro / Araraquara-SP / CEP 14801-340 / 16 3301.7100 (Geral) / 0800 55 65 88 (Vestibular)
N /ageuniara/