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Sucen promoverá varredura para evitar epidemia de leishmaniose visceral

Por: WILLIAN GUILHERME DE OLIVEIRA

03/11/2005

A Sucen deverá começar em novembro uma varredura para conter a proliferação do mosquito palha, transmissor do vírus da leishmaniose visceral americana. A doença afeta órgãos como o fígado e o baço, provocando hemorragias que podem levar o paciente à morte.

Com a chegada do calor, os centros de controle de endemias de todo país entram em alerta contra o mosquito transmissor da dengue. Mas agora, além do Aedes aegypti, a preocupação passa a incluir também um inseto bem menor, o "mosquito palha" que transmite a leishmaniose visceral americana.

A doença que por anos ficou isolada no norte, nordeste e centro-oeste, já começa a dar as caras no estado de São Paulo e a incomodar os centros de vigilância epidemiológica, que já tem planos para o combate e controle da doença. A leishmaniose visceral americana é uma doença infecciosa causada pelo protozoário Leishmania chagasi. Este microorganismo é transmitido pelo mosquito Lutzomyia longipalpis, comumente chamado de "mosquito palha" devido à sua cor. Ele é menor que os pernilongos comuns, tem pelos por todo corpo, não faz longos vôos e tem hábitos noturnos.

O protozoário se instala no tubo digestivo do mosquito palha, migra para a faringe misturando-se com a saliva e é passado ao homem ou a outros mamíferos através da picada. Depois de infectado, o paciente pode desenvolver sintomas de febre, perda de apetite, palidez, emagrecimento, aumento do baço e do fígado, hemorragias e também tosse seca, bronquite e edema nos membros e na face, podendo levar o paciente à morte se não diagnosticado a tempo.

Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), órgão nacional do Ministério da Saúde, só no estado de São Paulo já foram registrados 90 casos da doença, sendo 10 fatais. Bauru é a cidade do estado com mais casos. Foram 17 diagnósticos confirmados em2005, com três mortes.

Segundo a agente de saúde Andresa Cristina Félix, do Serviço de Controle de Endemias de Boa Esperança do Sul, é muito difícil conter a proliferação do mosquito já que é praticamente impossível eliminar seus criadouros. “Temos que fazer um trabalho preventivo e educativo a fim de evitar que a doença se prolifere”, afirma Andressa.

A doença pode ser adquirida por vários mamíferos, mas o cachorro é o animal que mais preocupa os vigilantes por estar presente em quase todos os lares. Ao ser picado pelo mosquito, o cão desenvolve a doença e se torna um possível encubador e transmissor para os humanos.

O médico Alexandre Jardim Froelich diz que a doença se manifesta de forma diferente no cachorro, muitas vezes sendo confundida com a sarna, o que pode ser mais um agravante para a proliferação da doença. Segundo Froelich, a leishmaniose tem cura, mas deve ser tratada e diagnosticada a tempo. “Deve haver uma parceria entre centros de vigilância epidemiológica e centros de zoonoses para que a doença possa ser contida ainda no início”, alerta.

A Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) está preparando uma varredura para evitar a proliferação da leishmaniose no país. A intenção, segundo os agentes, é fazer um ciclo a cada dois meses nas casas como já é feito com a dengue.

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