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Sindicato divulga novos rumos do Caso Sundermann

Por: JULIANA FRANCO

22/06/2005

No dia 13 de junho, na Universidade Federal de São Carlos(UFSCar), membros do Sindicato dos Trabalhadores Técnico Administrativos da UFSCar (Sintufscar) promoveram um ato público em memória dos onze anos do assassinato do casal José Luís e Rosa Sundermann, cujo crime até hoje permanece sem ser esclarecido por parte da polícia.

No ato público, os sindicalistas concederam uma entrevista coletiva para esclarecer quais os objetivos e o andamento do processo a respeito do caso.

A entrevista coletiva contou com a presença de um dos advogados do caso, Américo Gomes, que também é advogado do Instituto José Luís e Rosa Sundermann e membro do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado(PSTU); de Carlos Cícero Nogueira, atual presidente do Sintufscar e Donner Donizete da Silva, membro do PSTU e do Sintufscar.

O objetivo principal da iniciativa foi chamar a atenção da opinião pública para o caso e para a omissão das autoridades e do governo. José Luís e Rosa Sundermann foram assassinados no dia 12 de junho de 1994, em São Carlos.

Passados onze anos, as autoridades policiais não apontaram um só suspeito pelo crime.De acordo com o advogado, Américo Gomes, desde o primeiro momento, as características do crime evidenciam a premeditação do fato.

“O ambiente foi devassado e a polícia não se preocupou com o caso. Das 12 fotos tiradas no local, 11 foram veladas”, lembra Gomes.

Todos os anos, a comissão se reúne e faz uma assembléia com o intuito de não se calar e não permitir que o caso fique no esquecimento e que os assassinos sejam impunes.

De acordo com Gomes, o casal lutava por uma sociedade diferente da atual, com mais justiça, menos desigual. Além disso, eles sempre levaram solidariedade à luta dos trabalhadores da região, especialmente os cortadores de cana-de-açúcar.

Desde o ocorrido, o Sintufscar deixou de se envolver em militâncias dos trabalhadores canavieiros e fundou, junto com outras parcerias (Federação de Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades-Fasubra e Coordenação Nacional de lutas-Conlutas), o Instituto José Luís e Rosa Sundermann. Desvendar o mistério do caso é apenas um dos objetivos do Instituto.

De acordo com Donizete da Silva (Donni), a idéia da entrevista coletiva, para a imprensa, surgiu para mostrar a indignação frente à atual situação do caso, que após 11 anos, ainda não apresenta nenhum suspeito.

Ele atribui essa situação ao modelo de gestão do próprio país, onde os beneficiados são sempre os mais abastados. “Não há uma predisposição do Estado brasileiro em avaliar a morte dos trabalhadores, principalmente os trabalhadores sindicais”, desabafa Donni.

Segundo Gomes, o que gera indignação é o fato de não existir nenhum suspeito, apesar de estudos do Instituto já terem apresentado vários indícios e várias possibilidades de pessoas que podiam estar envolvidas com o crime.

Para tentar mudar essa realidade, os advogados do Instituto denunciaram o Estado brasileiro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, por negligência e omissão na investigação do assassinato dos dois militantes do PSTU. A denúncia foi encaminhada para a comissão da Organização dos Estados Americanos (OEA) no dia 14 de março.

“Este inquérito deve ser o mais longo da história policial e agora será investigado pela OEA, que acatou a denúncia. Cabe a eles julgar se o Estado brasileiro atuou de forma negligente na investigação ou não”, relata Gomes.

Gomes compara o assassinato da Irmã Dorothy com o de José Luís e Rosa Sundermann. “Como o crime cometido com a Irmã Dorothy, o caso Sundermann é um crime político. Não temos provas, mas não tenho dúvida que o assassinato tem a ver com uma atividade política e sindical que os desenvolveram na região. Tanto em nível das lutas, das mobilizações, das greves e da solidariedade das outras categorias. Essas características foram fundamentais para eles serem assassinados”, comenta Gomes.

“A precisão do crime deixa claro que é uma atitude de matador. Sem contar que as fotos foram perdidas, suspeitamente foram todas queimadas e não houve uma investigação contundente. Houve negligência por parte do Estado”, observa Gomes.

Ele ainda relatou que a polícia de São Carlos não tinha capacidade de fazer a investigação do crime devido à falta de pessoas e de infra-estrutura. Para apurar os fatos seria necessário um reforço da polícia estadual.

Tudo foi relatado por escrito e de acordo com Gomes, a polícia estadual nada fez. Carlos Cícero Nogueira se diz entusiasmado com o novo rumo que o caso está levando. “O encaminhamento do caso Sundermann para a OEA é uma pressão a mais sobre as autoridades e os órgãos com poder. Com isso, esperamos que o crime seja desvendado e que os culpados sejam punidos. O crime repercutiu mundialmente e abalou a cidade”, comentou.

José Luís tinha 36 anos e era vice-presidente do Sintufscar; diretor da Fasubra; ativista da CUT regional e militante do PSTU. Rosa, assim como José, também participou de diversas lutas e mobilizações dos trabalhadores e da juventude da região. Era membro da recém-eleita direção nacional do PSTU e morreu aos 37 anos.

Os dois militantes do recém-criado PSTU atuavam nas lutas da região, enfrentando grupos políticos e oligarquias, como a dos usineiros.

Entre 1990 e em 1993, os dois haviam dirigido as greves dos cortadores de cana da região.O casal tinha dois filhos, Carlos Eduardo, então com 17 anos e Raquel, hoje com 23 anos.

Carlos Eduardo faleceu em 1998 em um acidente quando participava de um acampamento perto de Analândia(SP) junto com os amigos. Ele caiu de um penhasco.

No âmbito da polícia estadual, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa(DHPP) reabriu o inquérito no final do ano passado. O caso estava arquivado há mais de cinco anos.

O processo tramita em segredo de Justiça, com os depoimentos de testemunhas estando a cargo da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Carlos, sob a coordenação do DHPP.



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