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Filmes brasileiros enfrentam resistência nas locadoras

Por: ALVARO TANIGUTI

27/04/2005

O estigma que o filme nacional carrega por ser considerado ruim diminuiu de forma significativa nos últimos anos com as produções indicadas em algumas categorias ao prêmio máximo do cinema mundial, o ‘Oscar’. A mudança de comportamento com a melhor qualidade das produções teve efeito imediato: o público voltou às salas de projeção espalhadas pelo país em busca de lançamentos produzidos em terras brasileiras.

O cinema brasileiro teve seu primeiro registro no final do século 19 no Rio de Janeiro e alguns marcos foram importantes para a compreensão da queda vertiginosa da qualidade em meados dos anos 70.

As produções ganharam força nos anos 40 com a criação dos estúdios da Atlântida e Vera Cruz. “O Cangaceiro” (1952), de Lima Barreto, projetou-se no exterior com a temática do cangaço.

Até a metade da década de 60, filmes como O Pagador de Promessas (com Anselmo Duarte), ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes, Assalto ao Trem Pagador, Noite Vazia e São Paulo S/A, consagraram diretores como Roberto Faria, Walter Hugo Khouri e Luís Sérgio Person. Amâncio Mazzaropi viria para retratar o personagem “Jeca Tatu”, pouco antes da chegada do chamado cinema novo, de baixo custo, preocupado com as questões sociais e culturais do país. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963), de Glauber Rocha e Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade foram os destaques. Outro cineasta que repercute nos dias atuais é José Mojica Marins, o “Zé do Caixão”, que possui mais de 150 produções.

As interferências do governo militar para controlar, financiar e industrializar a produção nacional de cinema, com a criação da Embrafilme em 1969 e do Concine em 1976 foram os passos iniciais para a deterioração da qualidade de produção, cujo ápice foi a quase extinção da Embrafilme durante o governo Collor, que aprofundou a crise.

Neste intervalo, surgiram as pornochanchadas produzidas em São Paulo na região que ficou conhecida por ‘Boca do Lixo’. Os filmes pornográficos sepultaram a produção deste segmento na década de 80. Mesmo assim, Eles Não Usam Black-Tie (vencedor do Leão de Ouro em Veneza), Memórias do Cárcere, Pixote, a Lei do Mais Fraco, O Beijo da Mulher-Aranha, Parahyba Mulher Macho e Eu Sei Que Vou Te Amar repercutiram satisfatoriamente, ainda longe de alcançar a qualidade técnica existente no cinema internacional, porém preparando o caminho para o renascimento, que ocorreu a partir da lei de incentivo ao audiovisual brasileiro.

Lamarca (1994), Carlota Joaquina – Princesa do Brasil (1995), O Quatrilho (1995), do diretor Fábio Barreto, que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro, foram os expoentes, além de O Que É Isso, Companheiro? (1998), de Bruno Barreto. Em 1999, depois de levar o Urso de Ouro no Festival de Berlim e vários outros prêmios, Central do Brasil (1998), de Walter Salles Jr., concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro, que ficou com o italiano A Vida É Bela. Fernanda Montenegro recebeu indicação para melhor atriz.

Títulos como Carandiru, Cidade de Deus, Lisbela e o Prisioneiro, Maria, a Mãe do Filho de Deus, Sexo, Amor e Traição, O Auto da Compadecida, Olga, A Partilha, Orfeu, Cazuza, Romeu e Julieta e Benjamin são filmes lançados recentemente com grande procura e interesse do público em redescobrir a produção brasileira. Mas esta tendência observada nos cinemas não se reflete nas locadoras de DVD e vídeo.

Edivaldo Benedito, proprietário de duas locadoras em Araraquara (SP), está há 15 anos no mercado e a retração ainda existe. “A velha lembrança do filme ruim, sem conteúdo e mal produzido ainda afasta o cliente do filme nacional. De todos os filmes alugados, dez por cento são nacionais. Em vista do que ocorre nos cinemas, ainda é pouco”, comentou.

Éric Silveira da Costa, 20 anos, comenta, ao escolher seus filmes, que é difícil alugar produções nacionais. “Um pouco por preconceito, por falta de roteiro, produção e desfechos inconsistentes”, diz o jovem que assistiu Lamarca e se “decepcionou" com o final do filme. "Alugo cerca de 12 filmes por mês e meus gêneros preferidos são o romance e a ação”. Ele não havia selecionado nenhum filme nacional durante a entrevista.

Se para Edivaldo o nível de locação de fitas brasileiras é baixo, o atendente de outra locadora (com dois pontos comerciais na cidade e há oito anos em funcionamento) tem uma visão diferente. Daniel da Silva Mendonça, 22 anos, explica que existem lançamentos brasileiros que dividem espaço com os estrangeiros (conhecidos também por ‘blockbusters’, ou arrasa-quarteirões, fitas aguardadas em torno da repercussão ou do sucesso nas bilheterias). Dependendo do filme, o brasileiro chega a 60% das locações em comparação com um filme de ponta estrangeiro. “O cliente fica com medo de levar, mas quando arrisca, volta com bons comentários”, diz Daniel. “Os mais retirados são aqueles que saem dos cinemas e são lançados três meses depois nas locadoras, como é o caso de Redentor, Maria, A Dona da História, com destaque ao documentário Ônibus 174. Carandiru e Cidade de Deus também têm boa saída”, emenda.

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