Ageuniara

Lei limita mudas para pomar caseiro

Por: EDGAR SANTA ROSA ESTEVES

25/08/2004

A laranjeira nos pomares caseiros do Estado de São Paulo pode estar com os dias contados. Há uma lei rigorosa, promulgada em janeiro de 2001, regulamentando a produção e comercialização de mudas cítricas.

Desde janeiro de 2001, as mudas só podem ser produzidas em viveiros protegidos por telas, com acesso restrito e sob normas rigorosas.

Essa lei pode inviabilizar tradição muito cultivada no interior do Estado de São Paulo, o pequeno pomar caseiro que têm como principal componente a fruteira cítrica.

Adriana da Silva , proprietária do viveiro de mudas Beija-Flor, em Araraquara(SP), vendia até 2001, cerca de mil mudas cítricas por ano. "Hoje não tem nem para remédio", diz.

Na maioria dos viveiros especializados de Araraquara não existem mudas cítricas para comercializar. Segundo Adriana, os fiscais da Casa da Agricultura passam e podem destruir as mudas que não tenham a documentação. Já faz um ano que ela não vende mudas cítricas em seu estabelecimento.

A citricultura brasileira tem sido vítima de grande número de pragas e doenças que colocam em cheque nossa condição de maior produtor mundial.

A situação é tão séria que o governo estadual adotou critérios severos para controle da produção de mudas cítricas, já que elas são as maiores responsáveis pela propagação das pragas e doenças.

Paulo Roberto Pastori, do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) da Secretaria da Agricultura, confirma que as mudas em situação irregular são prontamente destruídas.

Para ele, o controle sanitário de todo material empregado é fundamental para a obtenção de mudas sadias. Hoje, aos produtores de mudas só é permitido utilizar material certificado pela Secretaria da Agricultura, ao contrário, eles podem ser autuados e seus viveiros lacrados ou destruídos.

Flávio Ferraz é proprietário do viveiro de mudas Ferraz Flora em Araraquara. Ele adaptou seu viveiro para comercialização de mudas cítricas dentro das normas estabelecidas pela Secretaria da Agricultura.

Segundo Ferraz, as exigências praticamente inviabilizam a comercialização de mudas cítricas. Os documentos exigidos para comercializar uma muda é o mesmo exigido para cem mil.

Mesmo assim ele pretende continuar com a comercialização. "Existe uma tradição de venda de mudas cítricas em nossa empresa e não quero perder essa tradição", diz.

Na outra ponta do sistema produtivo de mudas, com viveiro localizado em São Carlos (SP), está Moisés Santa Rosa.

De acordo com ele, há muita procura por variedades como limão galego, champagne, tangerina cravo e outras. "Hoje é difícil encontrar o enxerto certificado pela Secretaria da Agricultura, para muitas variedades", comenta. "Não posso utilizar material duvidoso e colocar em risco toda minha produção de mudas", conclui.



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