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Catadores brigam por lixo em Araraquara

Por: EDGAR SANTA ROSA ESTEVES

12/03/2004

O lixo de Araraquara(SP) é motivo de disputa. Há muita gente vivendo do lixo, ou tentando tirar algum proveito. Gente de "carro bom" entregando material reciclável nos diversos ferros velhos da cidade.

A Acácia, uma associação de catadores de lixo de Araraquara que chegou a reciclar, há dois anos, 18 toneladas de plástico PET, hoje, recicla somente 4 toneladas.

Helena Francisco da Silva, presidente da associação briga há quase três anos pela união dos catadores no lixão da cidade.

Ela conta hoje com 30 associados, número que esteve maior, no passado, com cerca de 45. Helena sonha com 80 associados para efetivar novos projetos proporcionados pela manufatura do material selecionado, como por exemplo o papel reciclado.

Segundo Luciano Pizoni, funcionário da secretaria de desenvolvimento, e um dos administradores do lixão, a prefeitura vai implementar o recolhimento do lixo seletivo do bairro Santa Angelina, no primeiro semestre de 2004. Ele deverá ficar a cargo da Acácia.

"Esse processo está consolidado no bairro do Carmo com sucesso", informa Pizoni. Ele destaca ainda que, o lixo do bairro Santa Angelina, corresponde a cerca de 25% de todo o lixo de Araraquara e deverá propiciar a criação de 35 novos empregos.

Diversos problemas interferem na renda per capta mensal da Acácia. Ela caiu de R$ 540,00 para R$ 220,00. Pizoni esclarece que a queda de 200 % no faturamento de material reciclado de janeiro para fevereiro se deve, principalmente, à quebra da esteira de triagem utilizada pelos associados.

A Acácia, entretanto, detecta queda significativa na obtenção do material aproveitável para reciclagem.A Ribeiraço, ferro velho comandado por Jeová, localizada na Av. Marginal Engenheiro Camilo Dinucci, 3795, em Araraquara, recebe de 35 a 40 "entregas" de material reciclável por dia.

"A maioria é de catadores diferentes", assegura Jeová. Entre plástico, ferro, vidro, papel, cobre e alumínio ele chega a contabilizar mais de mil "entregas", em média, por mês.

Para ele, o desemprego, no país, é o motivo da enorme reciclagem que a região experimenta. Ele acredita que sejam mais de 5.000 catadores de lixo, apenas em Araraquara.

"O lixo está valorizado. Os ferros velhos da cidade estão estimulando catadores, inclusive através de rádio, a entregar o material reciclável em suas unidades", informa Helena.

Daniel Antônio Sorrentino, dono do ferro velho Centrofer, não compra material reciclável das associações, em razão das impurezas.

Ele argumenta que o material proveniente dos catadores de rua chegam em seu estabelecimento muito mais limpos. Além do que, segundo ele, a oferta de material reciclável, nos últimos quatro anos, mais que dobrou.

A presidente da Acácia insiste em dizer que tem "gente boa" complementando seu ganho com material reciclado. "Estou sabendo, de fonte limpa, que tem diretor de um grande clube de Araraquara ganhando bom dinheiro com latinhas de cerveja e refrigerante", confabula Helena.

Para ela o povo de Araraquara continua consumindo bastante e produzindo grande volume de lixo. A situação não mudou, mudou na verdade, e esta influenciando muito, a concorrência na fonte produtora do lixo, afirma Helena. A disputa pelo lixo se configura na porta da loja, da residência, da fábrica.

Jeferson Henrique de Oliveira, um jovem de 17 anos, é exemplo de catador que recicla lixo na fonte. Ele participa de forma determinante na renda familiar, chega a faturar R$ 180,00 por semana trabalhada arduamente na região do bairro hortênsias.

Para a garimpagem do "lixo bom", utiliza somente um carrinho de mão que, por se assemelhar a uma geladeira, foi batizado de carrinho geladeira. Jeferson nunca cogitou participar de associação de catadores. Acha que a situação esta boa e quer continuar independente.

Helena, por outro lado, tem batalhado muito para manter os associados unidos e motivados. Tarefa difícil mesmo contando com toda uma infra estrutura disponibilizada ao catador, com intuito de motivar sua permanência na Associação. Há, na sede da Acácia, salas para alfabetização, equipamento de proteção individual, refeitório com 60 cadeiras e prensa.



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