Ageuniara

Infertilidade pode estar ligada ao estado emocional

Por: ARIANE CABRERA PADOVANI

19/11/2003

Dentre as causas da infertilidade feminina estão os distúrbios hormonais que dificultam o crescimento e a liberação do óvulo, problemas nas trompas ou tubas uterinas provocados por infecções e cirurgias, além da ligadura das trompas.

De 10% a 17% das mulheres não têm nenhum desses problemas e mesmo assim são inférteis. As informações são da psiquiatra Fátima Santos Victorio, de Araraquara(SP).

Segundo ela, a maioria desses casos podem estar ligados ao fator emocional, isso ocorre quando o quadro de infertilidade não demonstra nenhuma causa orgânica, e sim um quadro psicossomático.

"O estresse, a depressão, a ansiedade podem ser causas de infertilidade, porque existe em nível de sistema nervoso, os neurotransmissores", diz.

Ela afirma que o estresse, por exemplo, pode atrapalhar a produção desses neurotransmissores que vão fazer com que a parte endócrina, o hormônio responsável pela ovulação da mulher diminua.

"O estresse pode ainda desregular a menstruação. Tudo isso é o estresse agindo em nível de neurotransmissor",explica.

No sistema nervoso a parte emocional está diretamente ligada a endócrina , os locais de produção de hormônio e sistema límbico. "Cerca de de 5% a 10% das infertilidades não têm causa orgânica", explica Fátima.

Os sintomas para diagnosticar a causa da infertilidade como um fator psicológico podem ser percebidos pela alteração do sono, se está dormindo bem, muito ou pouco, o nível de ansiedade, de irritabilidade, a falta de ânimo para fazer as coisas que gostava, queda de cabelo, oleosidade, lesões da pele, alterações de apetite e prazer num modo geral.

De acordo com a psiquiatra tudo isso é causado pelo estresse que não deixa a pessoa se sentir bem consigo mesma.

A ansiedade em ter um filho também é uma causa de infertilidade, pois a própria ansiedade pode interferir em nível neuroendócrino, substâncias químicas que são fabricadas e que vão interferir na ovulação.

"Existem casos de casais que não conseguem engravidar e adotam um filho, depois disso a mulher consegue engravidar, a adoção diminuiu a tensão, normalizou a parte dos neurotransmissores, regularizou a parte neuroendócrina e voltou a ovular normalmente.Traumas inconscientes também podem influênciar na parte neuroendócrina", conta Fátima.

Fabiana Veras, de 24 anos é um exemplo de como o emocional pode interferir na fertilidade, ela tentou durante dois anos engravidar, fez vários exames que apontaram que ela não tinha problema nenhum.

"Depois que fiz um tratamento com um terapeuta e consegui me livrar de traumas que tinha da minha infância é que consegui engravidar. Terminei o tratamento e alguns meses depois engravidei, cheguei até a pensar que o problema fosse com o meu marido, nunca imaginava que coisas que aconteceram no passado pudessem influenciar na minha fertilidade", relata Fabiana, hoje grávida de 7 meses.

Segundo Fátima, o tratamento varia de pessoa para pessoa e normalmente é recomedado a psicoterapia e um tratamento medicamentoso em caso que seja necessário,

Se houver uma diminuição de cerotonina, o antidepressivo repõe essa cerotonina, se for falta de noradrenalina, tem antidepressivo que age, além da cerotonina, repondo noradrenalina.

"Quando o nível de tensão é grande, o ansioliticos diminui essa tensão, dá um maior relaxamento, o tratamento pode ser tanto medicamentoso, quanto psicoterapico, além de atividades fisicas, dietas, alimentação", exemplifica a psiquistra.



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