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Araraquara discute a cultura negra

Por: JOAO ANTONIO CASTRO

12/11/2003

Em Araraquara(SP), a lei municipal nº 194/2001, instituiu o mês de novembro no calendário oficial do município , com atividades voltadas à Consciência Afro-Decendentes e destaque para 20 de novembro, "Dia Nacional da Consciência Negra".

Para Francisco Kiko Luiz Salvador, jornalista e assessor de imprensa da Câmara Municipal, a Consciência Afro-Descendentes vem de muitos anos, com funcionários da estrada de ferro.

O movimento negro entrou em Araraquara no final da década de 70, com o GANA(Grupo de Artes Negra de Araraquara), realizando vários trabalhos.

"Hoje vemos proliferar uma série de grupos, todos discursando sobre a problemática do negro. Embora, afirmo que o negro não é um problema, e sim uma realidade inserida no país que não deve ser estudada , mas ter oportunidades", completa Kiko.

Segundo Jorge Luiz Carneiro de Macedo, presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento Negro da Comunidade de Campinas(SP),tem uma linha mais extensiva sobre raça negra brasileira. "Todos que defendem essa cultura é um afro-descendente, é uma questão de consciência e não de tonalidade de pele", observa.

Segundo ele, dentro dos movimentos negros há muitas vertentes, posicionamentos diferenciados e uma adversidade muito grande, a nível de concepção e entendimentos, não compactuando da mesma idéia.

"Ser negro para mim é um conceito político, aí eu acho ele mais amplo, incluindo a grande tarefa de inserção social", afirma Macedo.

Ele destaca também uma questão muito interessante, o meio ambiente, principalmente para os afro- descendentes seguidores das religiões de matrizes africanas.

"Os nossos deuses só existem se o vento, mares,rios e matas existirem, pois são elementos central para a sobrevivência dessa cultura", finaliza Jorge Macedo.

Alessandra de Cássia Laurindo é coordenadora do Conselho Municipal de Combate à Discriminação do Racismo em Araraquara e informa que o Conselho está estruturando grupos de estudo, tanto para religiosidade, avaliação da saúde da população negra e assessoria jurídica.

Segundo ela , ainda não se tem o índice populacional de negros, mas será feito levantamento através de um censo.

"Foi votado no orçamento participativo e aprovado, como prioridade e até o final do ano teremos resultados. Não basta descrever apenas pelo fenótipo, você olha para a pele escura e determina que esse é negro, tem características em pessoas mais claras, que mostram traços da cultura negra”, finaliza a coordenadora.



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