Ageuniara

Câncer de intestino é a terceira causa de morte

Por: ARIANE CABRERA PADOVANI

12/11/2003

O câncer de intestino não tem uma causa específica, mas existem alguns fatores que são considerados predisponentes, como intestino preso, alimentação com pouca fibra e muito alimento condimentado, pouco consumo de líquido, cigarro e até mesmo o fator genético.

Uma pessoa que tem um histórico de câncer na família tem mais chances de ter esse tipo de doença. A colite, uma doença inflamatória do intestino também aumenta a incidência desse câncer.

Isso não quer dizer que todas as pessoas que tem intestino preso vão ter câncer, mas existe uma relação bem grande entre intestino preso e esse tumor, como explica o gastroenterologista César Antônio Dias. "Quando a gente come, uma série de detritos é eliminado nas fezes, e essas coisas é que possuem substâncias que pode irritar a parede do intestino e desencadear um câncer".

Segundo ele, alimentos que têm muito condimento e conservantes, são ricos em nitrozanina, essas substâncias entram nas células e mudam o metabolismo da pessoa, alteram o DNA dessas células, e isso é considerado um caminho para o câncer de intestino.

"O câncer vem sempre de uma lesão, e geralmente essa lesão é um pólipo, que vai aparecer no interior do intestino, esse pólipo vai crescendo e vai se degenerando "É um processo, você tem um pólipo, esse pólipo vai sofrer uma degeneração, que são as atipias que podem ser leves, moderadas, intensas e formar um câncer, esse é o caminho", explica o médico.

Hoje o câncer de intestino pode acometer desde pessoas jovens até adultos e idosos, é o terceiro tipo de câncer mais freqüente e tem uma predisposição maior pelo sexo feminino.

" Talvez pela mulher estar fumando mais atualmente, estar trabalhando mais fora de casa e comendo alimentos inadequados, isso pode não ser a causa, mas são fatores", observa.

Alterações no intestino como, por exemplo, um intestino que funcionava regularmente e de repente começa a evacuar a cada dois dias, ou um intestino que solta demais ou até mesmo prende demais, sangue nas fezes, secreção como catarro ou muco nas fezes, são sinais de alerta de problemas no intestino e deve-se procurar imediatamente um médico.

"O diagnostico é feito através de exames, o melhor exame para se detectar o câncer ou até mesmo algumas alterações precoces como um pólipo, antes de virar um câncer é a colonoscopia, é uma endoscopia do intestino", diz o médico.

O câncer de intestino normalmente acomete mais o reto e o intestino do lado esquerdo, 70% dos casos estão localizados nessa região.

"O tratamento varia, se for um pólipo, ele pode ser retirado pela própria colonoscopia, nesse caso o tratamento pode ser apenas endoscópico. Em casos de câncer, o tratamento é cirúrgico, é preciso retirar um pedaço do intestino. Em casos mais graves, quando o câncer já está em um estágio mais avançado o tratamento é cirúrgico e mais a quimioterapia e radioterapia".

Existem casos em que não se tem mais nada a fazer, quando tem uma disseminação muito grande, pode-se até recomendar quimioterapia mas normalmente não se recomenda nada.

A medicina utiliza critérios para se avaliar o estágio em que se encontra o câncer, que são chamados de critério de Dukes, existe o Dukes A, que é o câncer precoce, é quando só foi atingida uma pequena camada do intestino.

Quando é atingida essa primeira camada mais a musculatura que fica na parede do intestino, é considerado um Dukes B e ainda é um câncer em um estágio bom.

"O Dukes C é quando a doença ultrapassa esses dois estágios e chega a uma parte que se chama Cerosa. A chance de cura nesse caso é de 70% a 87% em cinco anos, se nesse tempo o câncer não voltar a pessoa pode se considerar curada".

Quando o tumor ultrapassa todas as camadas anteriores e se dissemina, e atinge o fígado, o pulmão, é chamado de Dukes D, as chances de cura em cinco anos é menos de 10%.

"A grande massa da população que tratamos hoje em Araraquara, possui o Dukes B, às vezes Dukes C, mas é muito raro pegar a doença nesse estágio. Nós gostaríamos de fazer diagnósticos apenas na fase A", lamenta.



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