TRABALHOS ACADÊMICOS

Segurança e risco: desinformações científicas no noticiário sobre alimentos transgênicos

Francisco Rolfsen Belda
Conferência Internacional de Comunicação e Saúde – 2004 (AESO - Olinda, PE)

Resumo

O trabalho procura mostrar como desvios do discurso jornalístico contribuíram para a geração de percepções públicas equivocadas sobre os fatores de segurança e de risco à saúde humana associados aos alimentos transgênicos. Para isso, são utilizados resultados da pesquisa de mestrado do autor, concluída em outubro de 2003 e que examinou 718 textos publicados por “Folha de S. Paulo” e “O Estado de S. Paulo” entre abril de 1999 e setembro de 2000. No estudo, são apresentados e comentados trechos do noticiário que confundem conceitos como os de transgenética, modificação genética e mutação genética, além de estereótipos que associam ciência e monstruosidade. Discute-se em que medida essas significações refletiram e ajudaram a propagar a desinformação de que alimentos transgênicos são, em geral, prejudiciais à saúde humana. Por outro lado, são também analisados enunciados que distorcem informações científicas para gerar uma falsa percepção de segurança com relação a esses produtos. Conclui-se que, em ambos os casos, a falta de rigor conceitual dos meios jornalísticos e a predisposição valorativa das fontes de informação levaram a uma cobertura generalizante e polarizada sobre o assunto, com prejuízo à opinião pública.


Representações do conceito de progresso no jornalismo sobre alimentos transgênicos.

Francisco Rolfsen Belda
Encontro Regional da Associação Nacional dos Professores de História – 2004 (UNICAMP - Campinas, SP)

Resumo

O trabalho aborda significações valorativas influentes no discurso jornalístico sobre alimentos transgênicos. Foram estudados 718 textos de “Folha de S. Paulo” e “O Estado de S. Paulo”. Neste recorte, são analisados enunciados argumentativos que relacionam o cultivo de transgênicos a distintas concepções de progresso, revelando a polarização dos valores associados ao tema em significações ideologicamente orientadas. A análise permite identificar duas concepções nitidamente antagônicas das relações entre ciência e progresso. Uma apresenta o progresso da ciência e da técnica como fatores de progresso social por meio do poder de intervenção sobre a natureza. Outra defende o “princípio de precaução” como fator de garantia da prosperidade social. Procura-se discutir, assim, em que medida a noção de progresso foi manipulada no discurso jornalístico para amparar a ideologia dos agentes discursivos acerca dessa inovação biotecnológica.


A informação científica no noticiário: um estudo dos mecanismos de reformulação lingüística influentes no discurso jornalístico de divulgação

Francisco Rolfsen Belda
Revista Comunicarte, n.24 - 2002

Resumo

Com a influência e os impactos que exercem nas esferas de interesse da sociedade, temas científicos têm sido projetados a posições estratégicas nos noticiários. Este trabalho propõe uma abordagem teórica do discurso jornalístico de divulgação científica baseada, sobretudo, nas Ciências da Linguagem, buscando contribuir para o estabelecimento de uma metodologia própria para o estudo desse objeto. A partir da caracterização de um campo jornalístico para a divulgação das ciências, é proposto um exame dos processos de reformulação lingüística empreendidos sobre o discurso de especialidade, considerando especialmente os mecanismos de substituição lexical e de narrativização incidentes no discurso jornalístico. Foi, portanto, objetivo deste estudo fornecer um instrumento de pesquisa capaz de indicar até que ponto os enunciados midiáticos mantêm precisão semântica ao se referirem a termos e conceitos de especialidade.


Reformulação do léxico científico e rigor conceitual no discurso jornalístico

Francisco Rolfsen Belda

III Conferencia Internacional de Jornalismo Científico – 2002 (UNIVAP, São José dos Campos, SP)

Francisco Rolfsen Belda
III Conferencia Internacional de Jornalismo Científico – 2002 (UNIVAP, São José dos Campos, SP)

Resumo

O trabalho relata resultados parciais da pesquisa de Mestrado do autor e aborda, desde um ponto de vista lingüístico, as formas com que o termo-pivô científico “alimentos transgênicos” foi definido ou reformulado para efeito de vulgarização em textos jornalísticos publicados em “O Estado de S. Paulo” entre abril de 1999 e setembro de 2000. Buscou-se aferir até que ponto a adaptação do discurso científico a uma linguagem mais genérica, nos casos analisados, implicou perda de clareza e adulteração do conceito referencial, dando margem à desinformação e, conseqüentemente, prejuízo para o processo de alfabetização científica.

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